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Quarteto Fantástico – O Fim É Para Sempre – Saga Completa

Primeiramente é válido ressaltar que o título “O Fim É Para Sempre” é uma tradução livre do original “The End is Fourever”. O arco que fecha a passagem da equipe criativa formada pelo autor James Robinson e o ilustrador Leonard Kirk terminou na semana passada e é o clímax de um run de 18 edições iniciado por estes artistas em 2014.

A partir da edição de número 15 deste volume de Quarteto Fantástico a numeração do título retornou ao original e estas quatro edições finais são os número 642, 643, 644 e finalmente 645. Portanto não estranhe quando for comprar a HQ original a mudança abrupta nos números.

A premissa de toda esta passagem de Robinson pela primeira família da Marvel é uma desconstrução. O autor desde o início tem dirigido o título como uma história simples de queda e ascensão como já vimos diversas vezes em histórias em quadrinhos ao longo dos anos.

No arco final o vilão apresentado como Quiet Man revela que tramou durante bastante tempo todos os acontecimentos que desgraçaram o Quarteto Fantástico e a Fundação Futuro nas últimas 18 edições e muitas coisas antes (pequeno retcon à vista). Aqui temos o Quarteto, os Vingadores, a Fundação Futuro e um elenco de apoio numeroso e surpreedente unindo esforços para derrotar o vilão e impedir uma trágica invasão do universo imaginário (aquele de Heróis Renascem) criado por Franklin Richards à Terra-616 da Marvel.

HQ do Dia | Quarteto Fantástico - O fim é para sempre - Saga CompletaRobinson nestas 4 edições finais mantém o tom coerente, os bons diálogos, a história “feijão com arroz” de toda a sua passagem pela revista e continua acrescentando elementos clássicos da mitologia da equipe no “caldeirão” de seu roteiro.

O resgate do desastroso elenco da era “Heróis Renascem” da editora é uma das sacadas mais sagazes de toda esta passagem do roteirista. O autor consegue extrair uma boa história utilizando elementos de um universo que é desprezado pela maioria dos fãs da editora e torna tudo bastante relevante.

Misturando o chorume a elementos clássicos da história da equipe (e da Marvel toda) e empacotando tudo em um roteiro de ficção/aventura inteligível, o escritor não reinventa a roda, entretanto dá aos fãs de quadrinhos clássicos da Marvel o mínimo que eles esperam: somente uma boa leitura pra passar o tempo livre.

E isso hoje em dia (principalmente em se tratando de Quarteto Fantástico) já é um grande feito. Todo o elenco numeroso tem seu tempo nos holofotes e o final da saga e da última edição é uma das celebrações mais bacanas dos últimos tempos a primeira família da Marvel.

A arte de Leonard Kirk segue basicamente a mesma linha épico/caricata desde o início de sua passagem pelo título. Expressões corporais e cenas de ação que atendem o roteiro, consistência no traço, caracterizações dignas do elenco e ritmo narrativo de quadros adequado. Algumas páginas podem parecer levemente confusas, mas são passagens pontuais e totalmente compreensíveis se formos analisar a quantidade de personagens no elenco da revista neste arco final.

Isso também ocorre devido ao excesso de esmero em quadros menores. O ilustrador acrescenta muitos detalhes a estes quadros e isso em algumas passagens polui um pouco as páginas. Kirk faz um trabalho consistente e entrega uma apresentação gráfica que não é absurda, mas atende a proposta do título.

Temos ainda na edição 645 (que tem tamanho estendido com 61 páginas) material bônus: um belo e curto editorial, textos escritos pelos principais autores que já passaram pela publicação descrevendo sua capas favoritas e quatro histórias curtas individuais celebrando a grandiosidade deste elenco: Karl Kesel e Joe Bennett escrevem a história de Johnny; Louise Simonson e David Marquez contam uma bela cena entre Sue e Franklin Richards; a dupla de “Toms” – DeFalco e Grummett mostram a situação de Benjamin Grimm após os eventos do final da saga e finalmente vemos um momento de tranquilidade e ternura entre Reed e Valeria Richards na bela história escrita por Jeff Parker e desenhada com muito carinho por Pascal Campion.

Muito se especula sobre o destino desta franquia após os eventos da vindoura Guerras Secretas em virtude do impasse entre a Marvel e a Fox em relação aos direitos cinematográficos do Quarteto Fantástico. Para os leitores, seria trágico o cancelamento definitivo de umas das publicações mais tradicionais da Marvel. O fato é que todo este run de James Robinson é um retorno muito feliz às boas histórias da equipe.

Se valendo de simplicidade, coerência, boa arte e um roteiro despretensioso e equilibrado entre a ficção e a parte emotiva do título, esta equipe criativa resgatou o prazer de se ler uma HQ do Quarteto Fantástico. Sobre o futuro pouco sabemos, mas independente do destino desta equipe este realmente é o final deste volume e pode-se dizer que é um final totalmente digno da história da publicação.


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