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Batman – Endgame – Saga Completa

A sexta e última parte do arco Endgame no título do Cavaleiro das Trevas foi publicada esta semana em Batman #40, escrita por Scott Snyder e ilustrada por Greg Capullo. Quem vem acompanhando as notícias sobre o futuro do Homem-Morcego e de toda a DC Comics tem uma noção de que após o final deste arco muita coisa muda em Gotham e na vida do seu principal protetor.

Para os que não estão acompanhando a publicação mensalmente, Endgame marca o retorno do Coringa após os eventos do arco Morte na família. O príncipe palhaço do crime inicia seu plano utilizando a Liga da Justiça para distrair e desestabilizar o Batman e em seguida ataca diretamente o herói de diversas formas até que seu plano é revelado: basicamente tocar o terror na cidade através de um agente químico aéreo que transforma as pessoas em “zumbis coringa” – tão insanos, inconsequentes e agressivos quanto o próprio vilão.

Além de toda bagunça generalizada criada na cidade e uma série de repercussões para Alfred e Julia Pennyworth, a trama explora as origens obscuras do Coringa nos Novos 52 e levanta questões intrigantes sobre a natureza do principal vilão dos títulos do Morcego. Enquanto Batman e praticamente todo o elenco de apoio de seus títulos se veem envolvidos na busca da cura para o vírus que está matando a população de Gotham, o Coringa se diverte fazendo o que faz melhor: caos.

HQ do Dia | Batman - Endgame - Saga CompletaA maneira como Scott Snyder apresenta o Coringa em Endgame é um pouco diferente de sua aparição em Morte na família. Aqui o palhaço perde a admiração característica que tinha pelo seu antagonista e apesar de seu tom sempre calcado no humor negro, sente-se que há uma ruptura na relação entre os dois.

Enquanto na saga anterior o vilão tentava de todas as maneiras chamar a atenção do Morcego e torná-lo um adversário melhor (usando uma lógica doentia), aqui ele cansou do herói e está interessado no caos e na destruição de tudo relacionado ao Batman. Este Coringa não está ali para brincar com o Cavaleiro das Trevas e sim para humilha-lo e destruí-lo em seguida. Em relação ao Batman desde o início o autor estabelece que temos o Cavaleiro das Trevas na melhor de sua forma.

Então se você não curte aquelas histórias nas quais o Batman arruma jeito de resolver tudo (inclusive encarar uma Liga da Justiça descontrolada) definitivamente Endgame não é uma leitura para você. Batman aqui não tem nada de vulnerável e toda a saga é recheada de soluções mirabolantes “tiradas da cartola” do Morcego nos últimos momentos.

É o conceito “Batman fodão” elevado ao grau máximo e isso é um ponto que pode gerar descontentamento em alguns leitores durante a saga. No geral, Snyder mistura muito bem durante o arco passagens investigativas, tensão e ação. Durante toda a saga Batman é desafiado física e mentalmente pelo Coringa. No final temos uma bonita análise reflexiva sobre a natureza do maior detetive da DC Comics escrita por Snyder e o status da publicação muda completamente após a conclusão da história. Deixando tudo muito mais excitante para quem for ler os próximos números de Batman.

A arte de Greg Capullo durante toda a sua passagem por este título é impecável. Em Endgame o desenhista mantém o altíssimo nível de arte e inova novamente no design de equipamentos e cenas de ação. Endgame é uma saga mais curta e muito mais movimentada que a anterior (Ano Zero) e Capullo tira muito proveito disso.

Seja no início com as épicas cenas de batalha entre Batman e a Liga, passando pelo retorno e a revelação dramática do Coringa no meio do arco e chegando com uma brutalidade extrema no confronto final que marca o clímax da história. Capullo não nos poupa de sangue, violência e vísceras no confronto final entre os dois arqui-inimigos. A arte na última edição é uma homenagem descarada a arte em Cavaleiro das Trevas de Frank Miller com um traço bruto, cenas explícitas e uma sensação de enclaustramento sufocante. Simplesmente magnífico o trabalho de Capullo e Danny Miki em todo o arco.

Endgame cumpre a sua promessa principal: mudar completamente o status do Homem-Morcego daqui para frente. Isso foi anunciado massivamente muito antes da primeira edição chegar às bancas e Scott Snyder pode se orgulhar de ter alcançado este objetivo. A saga toda tem um ritmo narrativo muito bom e mistura investigação, ação, mistério e nos apresenta um Coringa relevante, desgraçado e ameaçador como não se via há tempos.

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O confronto final entre os adversários mais populares dos quadrinhos é digno de sua bela história e de quebra ainda temos uma bela reflexão sobre a natureza dos dois personagens. A arte na revista continua entre as mais bem feitas e impactantes nos títulos da DC Comics passando do épico super-heroico para noir investigativo e ao brutal com extrema facilidade, nos presenteando com cenas icônicas.

No entanto durante todo o decorrer da saga Batman nos apresenta artifícios mais do que surreais chegando ao limite do “roubado” para resolver seus problemas. Se o leitor se incomodar com qualquer um desses artifícios isso já é suficiente para desacreditar a história e isso torna o arco vulnerável. Se você se sente confortável lendo uma história na qual Batman é o sujeito mais inteligente, prevenido, bem treinado e safo da DC Comics é uma leitura bastante divertida e um ponto de partida excelente para iniciar sua leitura nos títulos do Morcego. Se você não curte este tipo de abordagem para o personagem é melhor não se aproximar da saga.


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