HQ do Dia

Ivar, Timewalker

O sucesso de crítica e vendas da ValiantArcher & Armstrong acabou na edição 25 em Outubro do ano passado. De lá para cá os personagens participaram do crossover Os Delinquentes (Que já tem resenha aqui) e por enquanto estão de molho até o início de uma nova série já anunciada para a metade de 2015. No início deste ano no entanto, a editora em uma decisão ousada lança a série solo de um dos coadjuvantes do título na forma de Ivar, Timewalker.

Ivar Anni-Padda é o mais velho dos três irmãos disfuncionais do Universo Valiant (Aram, mais conhecido como Armstrong Gilad Anni-Padda, o Guerreiro Eterno são os outros) e foi introduzido ao público logo nas primeiras edições de Archer & Armstrong como responsável pelos eventos que causaram a imortalidade de sua família entre outras coisas. Ivar desenvolveu um dispositivo que lhe permite acessar o chamados Arcos Temporais – Fendas dimensionais que permitem aos seres humanos viajar no tempo. Com isso o sujeito passou anos explorando a história do nosso planeta, seu passado e seu futuro. No título em questão o protagonista tenta salvar a brilhante cientista Neela Sethi (que está prestes a descobrir uma outra forma de se viajar no tempo) de seres chamados Prometheans – organismos sintéticos capazes de viajar livremente pela quarta dimensão. Ivar é escrito como o típico “canalha elegante”. Um sujeito polido, misterioso, extremamente inteligente e que aparenta sempre estar no controle, mas de intenções duvidosas e um passado obscuro. Neela, no entanto é a força motriz do título – inteligente, energética, sagaz, impetuosa e desconfiada. A moça não tem nada de inocente e esse é o motivo do principal conflito no primeiro arco da publicação. A primeira história da revista consiste em uma aventura estabelecendo os conceitos básicos de viagem temporal no Universo Valiant. Enquanto descobrimos um pouco do passado de Neela e Ivar e as regras para o funcionamento deste tipo dispositivo bem comum em histórias em quadrinhos são detalhadas de forma amistosa e simples.

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Um casal de estranhos que se conhecem em meio a uma situação de risco e se veem envolvidos em uma aventura sci-fi com seres sintéticos e viagem no tempo… Se a sinopse acima cheira aDoctor Who você acertou em cheio. A intenção de Fred Van Lente é exatamente essa: Extrair o melhor da mitologia do antológico personagem Britânico e contar uma aventura temporal elaborada, mas ao mesmo tempo de fácil entendimento. A relação entre Ivar Neela é conturbada desde seu início, as motivações do personagem não são claras e lá pela quarta edição (que fecha o primeiro arco narrativo) a moça assume o assento do protagonista e temos uma dinâmica imprevisível entre os dois. Van Lente, assim como em seu trabalho em Archer & Armstrong é brilhante nas referências históricas, preciso nos diálogos e nas vozes dos personagens e principalmente não enrola e nem confunde o leitor em nenhuma das quatro primeiras edições. Da era Paleozoica passando pelo embrião da Segunda Guerra Mundial e até o fim dos tempos. Em quatro edições experimentamos uma alternância constante de cenários e um ritmo narrativo que não deixa ninguém dormir. A cada explicação de Ivar sobre as nuances da viagem, o conceito que parece batido ganha vida e fica totalmente interessante novamente. Um ponto importante a destacar é que a medida em que o arco inicial se desenvolve em TimewalkerNeela vai mais e mais tomando conta da história. A personagem conduz o roteiro, tem as melhores falas e literalmente toma o controle da narrativa logo na segunda edição da revista. Isso corrompe a relação clássica sidekick / protagonista e garante um tom mais moderno a este formato de elenco. 

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A arte nas quatro primeiras edições em Timewalker é de Clayton Henry, que já trabalhou algum tempo com Van Lente e atende perfeitamente às necessidades do roteiro. Henry transita pelos mais variados cenários em épocas que variam muito de quadro para quadro na mesma página com extrema facilidade nestas quatro edições iniciais. Em um momento temos um ambiente futurista e totalmente inverossímil, em outro cenários históricos clássicos e eras pré-históricas. Tudo isso é feito com cuidado extremo, capricho e um traço classudo, mas o ilustrador faz esse trabalho imenso de maneira tão natural nas páginas que você até acredita que é fácil.

Ivar, Timewalker já abre caminho para um ano muito forte na Valiant. A publicação que teoricamente seria uma mensal despretensiosa protagonizada por um personagem derivado de uma série mais conhecida tem tantas qualidades quanto o material de origem. Uma premissa simples e definida, elenco com um relacionamento muito envolvente, roteiro sci-fi de primeira, diálogos com personalidade e humor inteligente e uma arte caprichadíssima. O título tem tudo para agradar tanto leitores novos quanto os já mais cascudos no Universo Valiant. Uma ótima HQ mensal para se começar a acompanhar e que com certeza será publicada no Brasil pela editora HQM.

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