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Infinito – A Saga Completa

Infinito  foi a saga em seis partes escrita por Jonathan Hickman lançada pela Marvel em Agosto de 2013 na mini-série Infinity que teve interligações principalmente com os títulos Avengers e New Avengers do próprio Hickman, além de (perdoem o trocadilho) uma infinidade de tie-ins com outras publicações, como é de costume na editora.

A história se divide em dois núcleos narrativos principais: os Vingadores partem para o espaço e com ajuda de povos alienígenas unidos e dos Guardiões da Galáxia tentam impedir o ataque dos seres chamados Construtores (Builders no original). Os Construtores são uma ameaça a todo o universo em vem sistematicamente destruindo planetas julgados como “imperfeitos” segundo seus critérios.

Sua rota se direciona a Terra, que constantemente na Marvel é retratada como o centro de todas as anomalias espaço-temporais do Universo 616. Com isso a Terra é deixada pelos seus maiores heróis que partem para o espaço. Enquanto isso o Titã Louco, Thanos se aproveita dessa ausência e ataca o planeta, que é defendido pelos Illuminatti e por uma outra equipe de Vingadores recém-formada, liderada por Luke Cage. A saga conta o esforço desses dois times de super-heróis para impedir duas ameaças de escala cósmica, tanto na Terra quanto no espaço.

O argumento de Jonathan Hickman em Infinito é uma continuação de seu trabalho no título principal dos Vingadores e em Novos Vingadores.HQ do Dia | Infinito – A Saga Completa O autor consegue estruturar bem a narrativa para que a alternância entre os dois núcleos de personagens seja suave e o ritmo de leitura (na mini-série) se mantenha constante e interessante. Tanto os Construtores, quanto o time de criminosos liderados por Thanos (Chamado Cull Obsidian) são retratados como ameaças magnânimas e suas motivações são razoavelmente fundamentadas.

O conceito de Infinito é bem definido, seu escopo é digno do elenco que estrela a mini-série e as as batalhas que vemos aqui são nada menos que épicas (como devem ser). Thor enfrentado os Construtores, o Capitão América unindo os povos alienígenas, a presença marcante dos Guardiões da Galáxia na resolução da ameaça, o esforço para combater Thanos na Terra e a fatídica decisão de Raio-Negro. Tudo isso é destaque na saga. No entanto existe sim um problema em Infinito.

O principal problema da saga no entanto é o tratamento dado ao elenco. Apesar do escopo imenso, de um conceito razoavelmente original e dos vilões carismáticos, falta personalidade aos protagonistas da saga. Raros são os momentos em que você consegue ler algum diálogo que soe humano ou que tenha algum humor ou algum traço que reflita a personalidade dos participantes deste elenco.

O foco na trama e nos eventos épicos é tão constante que os heróis acabam meio que ofuscados pela imensidão da guerra na qual estão lutando. Tudo isso acaba deixando Infinito muito impessoal e a história poderia ser estrelada por qualquer elenco super-heroico independentemente e funcionaria da mesma maneira. Além disso, tirando os Inumanos, as consequências de Infinito têm pouca relevância, deixando muito de seu elenco praticamente no mesmo ponto onde estavam no início da saga. A resolução da ameaça de Thanos é simplória e ficam sim algumas pontas soltas que futuramente terão de ser revisitadas pelo autor (na verdade, já estão sendo atualmente lá fora).

A arte na mini-série principal é uma colaboração entre Jim Cheung, Jerome Opena e Dustin Weaver e com isso você felizmente não precisa se preocupar. A divisão entre os artistas é bem feita e o traço dos dois (são sempre dois artistas por edição), apesar de não ser muito parecidos entre si, tem consistência sim. Em todas as edições de Infinito temos ótimas cenas de batalhas épicas, tanto na Terra quanto no espaço, a caracterização do elenco é cuidadosa e eficaz, o ritmo dos quadros é muito bom e as cenas de ação são tudo que você pode esperar de uma saga de verão da Marvel.

Infinito é uma ótima ideia de Jonathan Hickman, com arte muito caprichada de Jim Cheung, Jerome Opena e Dustin Weaver, no entanto em um infinito (olha eu de novo) de possibilidades narrativas o autor escolheu direcionar seus esforços em contar uma história “maior do que a vida” e esqueceu os personagens um pouco. Gostaria muito de ter lido diálogos mais humanos e visto a bela guerra cósmica sob a perspectiva de algum personagem como o Gavião Arqueiro por exemplo. Temos muitos discursos épicos e algumas cenas fantásticas, mas o elenco todo me pareceu muito frio em todo o decorrer da saga e os diálogos bem mecânicos. Tirando isso, pode-se dizer que Infinito é uma saga divertida de ler e que coloca os Inumanos em foco finalmente no Universo Marvel. Mas é só isso mesmo.


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