The Boys – 1ª Temporada (2019)

Odiar super-heróis nunca foi tão bom

Difícil uma adaptação seguir plenamente a essência de seu material base, mudanças sempre vão existir, ainda mais quando se trata de mídias diferentes como é o caso de quadrinhos e séries, com uma grata surpresa que recebemos a série “The Boys” lançada pela Amazon Prime Video que reconhece suas essências mas se torna original por trazer novas visões em suas mudanças.

Criada por Erick Kripke ao lado de Seth Rogen (sim, ele mesmo) que já havia produzido “Preacher” também. A  série traz uma nova abordagem aos super-heróis em mundo mais realista e cheio de peculiaridades, na série quem toma conta dos super seres é a empresa VOUGHT, ela transforma todos em máquinas de dinheiro, porém existem segredos obscuros e esses humanos poderosos são muito mais que rostinhos bonitos e uniformes estilosos.

Somos jogados na trama após a morte inesperada da namorada de Hugh (Jack Quaid) por um super-herói chamado Trem-Bala (Jessie T. Usher) sem medir as consequências do seu poder,  desolado e sem razões para o viver, o rapaz encontra um sentido de possível vingança pelas palavras e atitudes de Billy Butcher (Karl Urban), junto de uma equipe totalmente fora de sincronia e a que principio não é financiada por ninguém,formada pelo pelo Francês (Tomer Capon), Leite Materno (Laz Alonso) e a Fêmea (Karen Fukuhara) todos se unem para causam para causar um estrago na vida dos heróis.

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No outro lado temos os super-heróis que reinam na boa vontade dos meros mortais,  criados e adorados como deuses mas que são controlados por uma grande organização chamada VOUGHT liderada por Madelyn Stilwell (Elisabeth Shue), transformar os poderosos e marcas de dinheiro e tentar ter em mãos o líder dos Sete, Patriota (Antony Starr),  porém toda essa harmonia de dinheiro e obscuridade vai ser abalada com a chegada da nova heroína Estelar (Erin Moriarty) e as ações dos The Boys.

A trama não é singular, sempre mostra os dois lados da moeda,  tanto da equipe de Butcher quanto dos super-heróis,  suas visões e motivações, mesmo que no começo demore um pouco a engrenar, a narrativa cresce em focar no crescimento e profundidade de cada personagem. Ainda mais que cada episódio é focada em apresentar alguns deles, uma maneira do telespectador também notar isso é o controle no drama, o que deixa de lado um pouco a escrotidão dos quadrinhos. Aqui os dois lados são humanos e dependentes de emoções.

Assuntos delicados são mostrados com firmeza, como religião, política e controle de grandes organizações ao querer ditar regras e estilos de vida, utilizando dos super como deuses em troca de um pouco de dinheiro. As pessoas se tornam condicionadas a acreditar que suas respostas chegam por terceiros e não por si mesmas, o que as tornam mais cegas e reféns da própria falsa idealização que criam em seus heróis.

Enquanto a violência era marca registrada de Garth Ennis nos quadrinhos, aqui é usada como consequência em momentos pontuais sem se tornar imprudente e louca, mas se atentando em ser brutal e sanguinária, até mesmo a fotografia traz esse visual mais pé no chão e realista com cores secas, nada fora de si próprio e sim um controle pela visão dos próprios personagens, um mudo seco por sua ignorância.

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O que seria de uma história sem bons personagens? Quando o quesito são atuações a série cresce ainda mais, Karl Urban tem em suas  expressões faciais o estilo perturbado e a graça em prejudicar os heróis, em contraponto Antony Starr também expressa falsos sorrisos em um super-herói que tem muito de Superman, com jeito escoteiro na falsidade, ao esconder em gestos e boas ações um lunático, ao enxergar toda sua população como inferiores, lados opostos que se encontram em nos fazer enxergar a obscuridade dos dois sentidos.

Apesar de um momento que recebemos séries de super-heróis a rodo, “The Boys” acerta em ser um produto diferente, ao demostrar algo que conhecemos visto de uma nova perspectiva, com uma narrativa onde nem tudo é preto no branco em oito episódios, ainda mais quando falamos de superpoderes e seus heróis, porém o gosto que deixa é que veremos ainda mais esse universo em uma segunda temporada, afinal nunca foi bom odiar super-heróis, especialmente esses.


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