Mad Men | Uma série que vai te surpreender

9 meses atrás ( 01/04/2017 )

Há pouco tempo atrás eu decidi por assistir Mad Men, apenas pela fama que a série tinha. Eu assisti a todos os episódios, um atrás do outro, dia após dia, num ritmo frenético e em algumas semanas já havia terminado. Se você busca uma série com muitas lutas, trocas de cenários, explosões de emoções e ação pode esquecer, pois Mad Men não é pra você. Mad Men é uma série pra quem gosta de sentar na sua poltrona, apreciar um figurino fantástico, uma fotografia maravilhosa e um  roteiro muito bem escrito.

Pode esperar por personagens bem construídos, daqueles que você acompanha e entende todos os dramas pessoais e sofre junto. Pode esperar por diálogos interessantes e inteligentes, daqueles que fazem você voltar a cena inteira e assistir de novo. Pode esperar por tiradas fantásticas, dessas quase imperceptíveis, bem colocadas, que quando a gente se dá conta “escapuliu” da boca de algum personagem e você achou sensacional – porque você nunca iria pensar nisso.

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Algumas pessoas acham que o ritmo da série é lento. É… você não pode esperar ver muitas cenas fora da agência ou fora de onde Donald Draper (protagonista da série) está. Mas as que existem valem a pena, pois Draper além de um publicitário brilhante que ganha qualquer conta, tem um passado obscuro e secreto e que aos poucos vai sendo revelado pela trama (para desespero deste).

Aliás, já que entramos no assunto, a história de Mad Men é sobre uma agência de publicidade dos anos 60, a midiática Sterling Cooper, ou Sterling Cooper Draper Pryce, ou Sterling Cooper & P (como você preferir). Mas você pode esperar, e pode mesmo que a trama vai muito além disso. Lógico que é um colírio para os olhos dos comunicólogos, mas o enredo trata-se mais de como os personagens viviam na década de 60. Personagens estes que deixavam tudo o que podiam pra trás – casa, família e até filhos – para viver o grande e ambicioso sonho de subir na vida com o próprio esforço – o American Dream.

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O que é mais sensacional nessa série é que, não existe nenhum maniqueísmo entre os personagens. Não há um grande vilão, nem uma mocinha pura e ingênua. Os personagens são pessoas humanas, como nós. Eles erram e acertam. Talvez por isso seja impossível odiar totalmente qualquer um deles, por pior que sejam as mancadas. Eles se aproveitam, eles se vendem, eles são homofóbicos, eles são violentos, eles são machistas, eles são racistas, são vingativos, são suicidas. Eles são ingênuos, eles são bons, eles são caridosos, eles se arriscam pelos outros, eles amam, eles se amam, eles amam sua pátria, se arrependem, dão segundas chances, dão terceiras chances, eles voltam atrás, eles têm piedade. Eles têm alma.

É assim que perdoamos e odiamos ao mesmo tempo, o modo como Don trata todas suas mulheres e a dualidade do seu caráter que é capaz de esconder todo seu passado por muito tempo. Como a falsa inocência de Peggy, por exemplo, que é logo revelada e a ascensão ao sucesso em um meio completamente masculino ao mesmo tempo que é merecida é bem sofrida. A obsessão prejudicial de Joan pelo trabalho, a ambição sem limites inicialmente insuportável de Peter Campbell, a inutilidade de Roger Sterling e Bert Cooper durante absolutamente todas as temporadas e as pequenas e amargas maldades feitas por Betty causadas pela sua infantilidade. Nós os entendemos, porque eles são humanos.

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Portanto, aconselho que fique o mais confortável possível,  prepare seu whisky ou sua cerveja, um refri ou um suco, faça um baldão de pipoca selecione o primeiro episódio da primeira temporada, dê o play e não desgrude os olhos da telinha até que a série esteja totalmente finalizada. Vale a pena assistir as sete temporadas para descobrir como essa turma chegou nos anos 70.

 

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