Preacher – 2° Temporada

De proposta concisa e identitária

Enfim, a série de TV estadunidense inspirada na série em quadrinhos da VERTIGO Comics publicada entre 1995 até o ano 2000, Preacher, finalmente teve a exibição do seu segundo ano finalizado pelo canal de TV americano AMC. E como tal, faremos nossa resenha completa SEM SPOILERS sobre este segundo ano.

Propondo-se a tornar o material escrito por Garth Ennis em um atrativo televisivo funcional, não só para aqueles que já conhecem a fama do quadrinhesco pastor, bem como daqueles que pretendem se juntar ao seu rebanho, a segunda temporada de Preacher nos põe junto a Jesse Custer, Tulip O’Hare e o vampiresco Cassidy na caçada ao retirante Todo Poderoso em pessoa. Não o bastante fosse caçar o Todo Poderoso em pessoa sem pista alguma, em meio a esta inusitada caçada o trio peregrinante se vê postos a uma trama que os apresentam a enredos religiosos misteriosos, uma guerra não anunciada entre crenças religiosas, teorias da conspiração, bem como a pancadaria e tiroteio do bom e velho oeste. Tudo regado, é claro, ao estimulante jazz de um mundo cujos dias podem estar contados!

Preacher - 2° Temporada | De proposta concisa e identitária

Em relação aos seus protagonistas, neste segundo ano Preacher nos apresenta continuas interpretações interessantes para os seus personagens. Particularmente gosto de como a temporada mantém-se a desenvolver aspectos característicos destes, quer tenham sido rascunhados ou não em momentos anteriores, sem perder o charme de “você ainda pode conhecer algo novo sobre eles”. Exemplos deste, vê um lado “tendente ao sombrio” de Jesse Custer é uma ironia que ainda mostra-se assustadoramente bastante captativa de se ter em tela,  bem como o é ao vermos uma mulher incrivelmente marrenta como Tulip O’Hare lidando com crises engatilhadas por experiências traumáticas, e não podemos esquecer de Cassidy, que, por outra ironia da temporada, aparenta ser o personagem de comportamento “mais humano” a compor essa tríade – e olha que ele acaba enfrentando dilemas pessoais duros.

Além das questões interpretativas apresentadas pelos personagens protagonistas, também podemos perceber que as atuações por parte de seus respectivos atores mantém-se convincentes e, sobretudo, visivelmente amadurecidas. Dominic Cooper, como Jesse Custer é uma adição de elenco que vem se fazendo justa desde o começo da trama, enquanto nesta segunda temporada Ruth Negga (como Tulip O’Hare) e Joseph Gilgun (como Cassidy) consolidam-se, por fim e de agradável modo, ante seus papéis de atuação.

Preacher - 2° Temporada | De proposta concisa e identitária

A segunda temporada de Preacher tem mais espaços para introduzir novos conceitos para seu público, e o faz especialmente por meio da adição de novos personagens. Em uma visão geral, os novos personagens adicionados a série fazem-se incríveis e abordados de maneira tão boa que, por vezes, os conceitos entrelaçados a eles tornam-se facilmente compreensíveis e naturais ao público. Digo, é por meio das figuras de “ternos brancos” e até mesmo Adolf Hitler que por fim percebemos como este universo se comporta, como há uma “organização religiosa suprema” lidando com uma bagunça infinita, como funciona algumas das estruturas hierárquicas do Inferno e, principalmente, como a ausente figura de Deus está afetando a ordem funcional de todo esse ecossistema.

Além-fato de que acompanhar esses novos personagens durante a trama principal e suas subtramas respondem majestosamente alguns  dos principais questionamentos referentes a este universo em construção. Acredite, felizmente aqui tudo tem um sentido e uma explicação.

Preacher - 2° Temporada | De proposta concisa e identitária

A trama para a segunda temporada de Preacher, diferentemente da primeira temporada, propositalmente adentra com maior esforço aos elementos principais do título; principalmente o humor ácido ante contextos exóticos e essencialmente duvidosos. Todavia, me agrada bastante que nesta temporada a série aborde muito bem dos seus elementos, altos e baixos, em um jogo bem arquitetado de “proposta concisa repercutindo numa trama principal que conduz sub-tramas”, digo, não atoa temos um universo confuso engajado ao ritmo desconcertante de um jazz.  Isto é, a trama progressiva e bastante agradável desta temporada consegue mesclar adequadamente os elementos fortes dos quadrinhos: “bangue-bangue, parte história policial, parte história de horror e parte fodidamente estranho”.

Consequentemente, este segundo ano de Preacher acaba repercutindo numa série inspirada em quadrinhos que possui uma identidade própria traduzida em uma proposta concisa. Digo, eu reconheço bastante dos quadrinhos escritos por Garth Ennis nesta trama televisiva, bem como reconheço a atmosfera da série de TV harmonizando ao título de quadrinhos em que fora originalmente inspirado. Isto é, se eu assistir essa série e depois for ler os quadrinhos, eu não vou encontrar diferenças essenciais, pois a atmosfera será semelhante… e vice-versa.

Preacher - 2° Temporada | De proposta concisa e identitária

Em termos gerais, a segunda temporada de Preacher apresenta uma proposta simplista, cuja execução faz-se puta bem feita! Ou seja, é uma temporada em que ao decorrer em seu tempo e ritmo próprios, proporciona ao telespectador um captativo jogo de emoções completo, divergindo graciosamente dos muitos materiais inspirados em quadrinhos que temos por aí. Ainda com um mix sabiamente abordado, idem executado, a segunda temporada de Preacher tem o suficiente para suprir sua necessidade de série interessante, com doses bem administradas de suspense/terror e personagens de quadrinhos.


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