13 Reasons Why

Tava ruim, tava bom, mas parece que piorou

Resenha da primeira e da segunda temporada de 13 Reasons Why. Erros, acertos, muito apelo e violência gratuita. CONTÉM SPOILERS E GATILHOS.

Os gatilhos mais fortes possuem TW

13 Reasons Why é uma série baseada no livro homônimo de Jay Asher e adaptada por Brian Yorkey para a Netflix.

Sua fotografia e trilha sonora são de fato boas, mas isso não salva o conteúdo. Sua proposta é abordar temas delicados, tais como: abuso sexual, bullying e suicídio. Uma premissa boa, com uma abordagem péssima para o público jovem que a consome.

A primeira temporada dividiu opiniões entre fãs e odiadores da série. Isso porque ao mesmo tempo que eles usaram da história de uma suicida para comover e conscientizar, o suicídio foi muito romantizado.

Com o impacto da história, muitos jovens começaram a fazer campanhas e falar sobre prevenção do suicídio. Isso seria ótimo, se a romantização não tivesse ganhado espaçoFotos da Hannah estão por todos os lados na internet – inclusive contendo gatilhos – além de algumas pessoas a tratarem como uma verdadeira heroína por ter se matado.

Brincadeiras do tipo Curta essa postagem e eu respondo o que eu falaria na sua fita” se tornaram comuns, como se fosse engraçado.

O suicídio, mesmo que influenciado por acontecimentos, não é sobre o outro. É sobre algo sombrio e doloroso que não permite que alguém continue a sua vida.

Não é romântico. Não é inspirador. Não é a solução, nem para a pessoa, nem para quem fica. 

O ideal seria a série incentivar a procurar ajuda psicológica, mas os jovens mencionados nas fitas sádicas de Hannah só fazem se torturar.

A culpa não é só da série, é de toda uma glamourização que existe fora dela. Mas, mesmo assim, é preciso entender que existe perigo.

Nessa história, o limite foi ultrapassado antes mesmo de começar.  O suicídio de Hannah se tornou uma arma poderosa e em nenhum momento ela foi tratada como alguém psicologicamente doente. E sim como uma justiceira. 

Relembrando a primeira temporada 

Não tinha uma resenha da primeira temporada no site, portanto vamos recapitular.

Quando assisti a primeira temporada, me sensibilizei com Hannah Baker (Katherine Langford). É triste ver uma jovem a desistir de si mesma por sofrer com coisas que ela não tinha culpa. Nem por isso romantizei suas fitas, nem por isso coloquei sua atitude num pedestal, nem por isso achei normal culpar as pessoas (exceto seu abusador) antes de se matar.

As fitas que colocam o dedo na ferida, fazem da série sobre prevenção, uma série sobre vingança.

A cena do suicídio foi dolorosa, solitária, desesperadora e explícita. Como se não bastasse a morbidez de suas fitas. Não era necessário ver a Hannah se matando, se a gente já sabia que ela havia se matado. Mas essa série gosta de chocar de um jeito que até assusta.

Inspiração perigosa

Além da ficção.

Franco Alonso Lazo, de 23 anos. Se suicidou no Peru e deixou uma lista com fitas cassetes e nomes. Igual a protagonista.

FONTE

A OMS (Organização Mundial da Saúde) nunca aprovou a ideia da série, suas críticas foram diretas. Embora seja importante falar sobre o assunto, a abordagem foge a cartilha deles.

Segundo uma pesquisa divulgada pela Época, as buscas na internet sobre formas de se matar e estratégias de prevenção aumentaram 19% após a série ser lançada.

FONTE

Percebeu a delicadeza do tema? Não é só jogar na tela algo e achar que está pronto para ser consumido e que as pessoas vão se conscientizar sobre o assunto. É justamente por falar sobre algo, que devemos ter muito cuidado para não ser visto da forma errada. 

Uma faca de dois gumes, é assim que resumo a abordagem dessa série que ao tentar acertar, falha miseravelmente. Nessa dramatização não podemos ter espaço para várias interpretações, principalmente se estamos tentando conscientizar pessoas sobre algo. 

Selena Gomez, cantora pop e produtora da série, responsável pela trilha sonora da segunda temporada, afirmou que doará o lucro para prevenção do suicídio. Mesmo assim, não existem motivos que me façam acreditar que 13 reasons why é uma série sobre prevenção e não sobre violência gratuita, romantização de suicídio e de comportamentos nocivos.

A segunda temporada 

Se a primeira temporada era motivo para debates e críticas da OMS, a segunda tenta corrigir mas traz novos problemas.

Nessa crítica abordo a construção dos personagens, provando porque não faz mais sentido essa série continuar. 

Curiosidade: a festa de estreia da segunda temporada foi cancelada pela Netflix, depois do tiroteio na escola do Texas. 

Vamos lá…

Hannah Baker colocou nas fitas o que ela sentia, mas como cada um se sentiria a respeito delas pouco importou. A segunda parte veio para mostrar que toda história tem dois lados. Entendemos que a dor da jovem estava falando mais alto do que a razão – como era de se esperar, já que ela se suicidou. E isso é importante ressaltar, Hannah não foi uma heroína, ela estava sofrendo e não suportou mais lidar com a própria vida. Ela ficou doente. Mas ninguem fala sobre isso. Nenhum psicólogo aparece na série falando que o que levou ela a se matar e de certa forma culpar as pessoas. 

Essa série não é mais sobre Hannah Baker. Quando chegamos a nova temporada, notamos que agora não estávamos mais vendo um lado adoecido da história. Exceto pela parte do abuso, onde Hannah é completamente vitima.

Justin Foley não era um monstro

Justin (Brandon Flynn) é um rapaz bom, com grandes problemas mas bom pelo menos no contexto da série.

Na fita de Hannah, ele parece ser um dos piores. Afinal, ele ganha duas histórias. O garoto popular, que ganhou seu coração, partiu ele, ficou com sua amiga, machucou as duas.  

TW: Quem assistiu a primeira temporada e viu Justin deixando seu melhor amigo (Bryce) violentar sua namorada (Jéssica) desacordada sentiu vontade de ver ele se dando tão mal quanto o estuprador.

A questão é que nesse momento, mesmo aos olhos dela, podemos notar que ele estava caído no chão aos prantos, fora do quarto. Já ela estava no armário vendo tudo que aconteceu e não tentou ajudar a amiga. Ambos falharam, ambos foram vítimas do Bryce.

A realidade é que Justin não fez nada querendo afetar Hannah, mas permitiu. Tanto que Bryce compartilhasse as fotos dela de forma errada, quanto o abuso de Jéssica. Mas se ele errou com Jéssica, ela errou mais ainda ao crucificar alguém pelo que também fez. Ou melhor, deixou de fazer: reagir.

A construção de Justin é dolorosa, ele foi criado em um lar abusivo e teve um amigo mais abusivo ainda. O que de forma alguma justifica seus atos, mas explica porque ele permite tudo. Já Hannah, condenando ele, só faz condenar a si mesma porque da mesma forma não impediu o estupro.

Filho de uma usuária de drogas, com um padrasto traficante. Ele sofreu diversos tipos de agressões físicas e psicológicas na vida. E a cabeça de um adolescente que vive em um ambiente de violência, drogas e abandono parental não é saudável. Portanto seus atos não fogem a sua realidade.

Justin sempre teve o apoio de Bryce, quando se tratava de lar. Todas as suas dificuldades foram facilitadas pelo amigo rico, ele até morou na casa dele por um período na primeira temporada após ser espancado pelo padrasto e não defendido por sua mãe.

Em Bryce ele via uma família, mas o que ele teve que dar em troca de tudo que recebeu do “amigo”, foi mais do que ele poderia aguentar. Se ele deixou quem amava num quarto, vulnerável, foi porque se sentiu em eterna dívida com o jovem rico que o acolheu como um irmão.

TW: Abuso psicológico também é um tipo de abuso. Bryce abusou de Justin, não tanto quanto abusou de Hannah e Jessica, mas foi uma violência psicológica. Hannah não falou sobre isso na fita, mas sabia. Se ele não foi forte para lutar, é porque sentiu que não podia dizer não à pessoa que sempre estava do lado dele. 

O abusador sempre sabe o poder que tem. Justin continua sendo culpado de permitir, mas sua permissão nem de longe vem da consciência dele. Portanto, não podemos tratar ele como um estuprador. Porque se o tratarmos, Hannah também é uma.

Na segunda temporada ele está morando nas ruas, viciado em heroína, lidando com o peso daquilo que fez, mesmo que inconscientemente. Você sente a dor dele, observa as pessoas entendendo que ele nunca quis ser assim. Sente mais raiva ainda de Bryce por fazer o que fez. Ele não destruiu uma vida, destruiu várias e adorou isso.

Se Jéssica não teve culpa, Justin não teve como impedir, nem Hannah. O verdadeiro culpado ali sempre foi Bryce.

Nesse ponto a série acertou, o abuso não é só quando uma pessoa diz não, é quando ela se obriga a dizer sim por medo de dizer não.

O final quase feliz de Justin, comove. Os pais de Clay o adotam, ele se redime na cadeia e ganha uma família. Pena que ele não consegue se ajudar quando o assunto é vício, tanto em heroína quanto na ex-namorada. Ai a coisa novamente foge das rédeas, se era pra melhorar só piorou.

Qual o sentido dessa série mesmo? Tirar a esperança das pessoas? Porque é o que parece.

Jéssica Davis, a vítima que sobreviveu

A garota linda, popular, inteligente, com namorado “perfeito” e bons amigos. A princípio, Jessica Davis (Alisha Boe) é só isso. Depois da fita de Hannah, ela se torna uma pessoa que abandonou a amiga sem nenhum motivo e começou a implicar com ela. Isso até a segunda temporada, onde você entende o contexto da coisa. Hannah não lidou da melhor forma com a relação da amiga, a competitividade das duas foi alimentada por besteira e, principalmente, por culpa de garotos. Mas isso não acontece só na ficção, muitas pessoas se afastam de amigos por relacionamentos. Nem por isso, são ruins e dignas de uma fita póstuma.

Jéssica é complicada desde o começo, mas após sofrer o abuso começa a procurar ajuda no álcool, talvez para anestesiar a dor que sentia, talvez por não saber exatamente o que acontecia porque a mente dela bloqueou tudo. Para ela, a relação sexual foi com o namorado Justin, consentida, romântica. Isso porque ele fingiu que isso aconteceu e porque ela não queria acreditar em nada além disso.

Ela sabia que tinha algo errado, mas só quando decidiu buscar ajuda entendeu o peso disso.  Depois de tudo que aconteceu com Jessica, a escola se volta contra ela a transformando numa mentirosa que inventou um estupro para chamar atenção. A personagem nos deixa com raiva, mas também foi uma vítima de abuso. Ela tinha uma prova nas mãos e não usou a seu favor.

Jéssica é uma garota forte, mas nem por isso deixa de ser autodestrutiva. Isso porque nenhuma pessoa em sã consciência, continuaria apaixonada por alguém que deixou ela ser abusada, mesmo que essa pessoa não tivesse a intenção. E na segunda temporada vemos ela claramente apaixonada pelo Justin. E ele por ela.

TW: Justin foi vítima de Bryce, mas ainda assim permitiu que a Jéssica sofresse um abuso sexual. Eles não são um casal. Se não temos raiva dele é por empatia. Ela não tem culpa das coisas que sente, ela sabe que ele foi abusado também. Mas nem por isso a relação dos dois é saudável. Jéssica é uma vítima do Bryce, mas também é vítima de si mesma e isso é muito perigoso. Justin e Jéssica não são uma história de amor, são uma história de dor e abuso. E esse tipo de romantização é tão ruim quanto a do suicídio. Ninguém deve querer aquilo que machuca.

Alex Standall, a consequência das fitas de Hannah

Alex (Miles Heizer) é o tipo nice guy, aquele que é amigo de todos. Mas que na primeira oportunidade se mostra um babaca espalhando que ficou com alguma menina no grupo de amigos homens e até inventando coisas para ser popular. O que não faz ele ser digno de uma fita póstuma também.

Notamos isso ainda na primeira temporada, o quanto Hannah estava fragilizada e não levou em consideração o peso de suas mensagens antes do suicídio. Mesmo assim, tudo que a gente faz, conscientemente ou não, gera uma consequência. Talvez para Alex, tenha sido a pior de todas.

Além de ser essa pessoa no grupo de amigos, Alex também precisava ser o filho exemplar de um policial. Aquele que só responde o pai com “Sim, senhor” e esconde todas as coisas que passa fora de casa.

TW: Isso até ele dar um tiro na própria cabeça, numa tentativa de suicídio. Tudo porque ele carregou a culpa pela morte da Hannah nas costas.

Se a série já era pesada com o que aconteceu com ela, a tentativa de suicídio dele levou a história para um novo patamar. Ele se culpou tanto pelo que aconteceu com Hannah, que tentou se matar e ficou em coma. Na segunda temporada ele está sem memória, sem entender o que houve, com sequelas físicas e psicológicas.  É doloroso ver isso. O inocente pagando e o culpado vivendo em paz.

A consequência das fitas, tornaram a dor da perda em algo doentio. Mostrando que culpar pessoas não é a solução para nada. Menos o abusador, é claro.

A imagem de Hannah Baker

A defesa da escola no julgamento de Hanna Baker, fez de tudo para transformá-la em uma garota promíscua aos olhos do Júri. Assim como acontece com outras vítimas de violência sexual.  A série acertou desde o começo mostrando que a vítima nunca é culpada e que devem denunciar.

Mas nem por isso tudo ficou bem…

O erro da história foi construir uma vítima do mundo na primeira temporada e descobrir que ela não era assim, Hannah perseguiu uma jovem em outra escola e descobrimos isso no tribunal, Hannah deixou fitas sádicas para pessoas sentirem culpa após a sua morte. A imagem de santa caiu por terra, mas não é porque ela não era um anjo que merecia morrer. Quão errado é uma pessoa culpar os outros por coisas que fez, inclusive presenciar um abuso sexual e não fazer nada.

TW: A humanização de Bryce Walker

Em algum momento dessa história, acharam que humanizar Bryce Walker (Justin Prentice) era uma boa ideia na segunda temporada. Falando de sua família que não estava presente, do sofrimento dele.

Pior que  isso, descobrimos que Bryce era amigo de Hannah em certo momento. Que se apaixonou por ela e por estar na “friendzone” a estuprou.

Parabéns, ficou um lixo.

Ele não precisava de humanização. Você não precisa ter contato nenhum com seu abusador, para ele ser um abusador. Toda construção de Bryce, de herói do Justin e amigo da Hannah são apelativas.

O julgamento dele

Se denunciar um abusador já é difícil, depois de ver uma série onde ele anda pelos corredores ao seu lado fica pior ainda. Bryce foi condenado por abuso, mas por ser rico saiu ileso dele. Não houve justiça, nem na ficção. Já Justin, que sabia do ato, ficou seis meses na cadeia e voltou a se viciar em heroína. Não houve redenção.

O julgamento só serviu pra mostrar como as mulheres abusadas correm risco, ou seja, incentivando novamente da forma errada as pessoas.

Brycecontinuou andando pelos corredores, conseguiu ser transferido para uma escola melhor, provocou as pessoas da mesma forma e ainda ficou com uma das pessoas que abusou.

TW: Chloe, a namorada de Bryce

Chloe (Anne Winters) é nova na série e namorada de Bryce. Mas acima disso, ela foi uma das pessoas que começou a atacar Jéssica na escola depois do abuso. De forma gratuita, por pura rivalidade feminina. Mais uma coisa que não precisava.

TW: Para quem não assistiu e nem vai, havia fotos de Bryce violentando a jovem e houve uma cena dela sendo abusada, daquela forma onde o namorado não aceita não como resposta.

A líder de torcida disse que estaria contra ele no tribunal, mas na hora desistiu e falou que estava consciente – mesmo estando apagada – estragando a defesa do caso de Hannah e se colocando em perigo. No fim descobrimos que ela fez isso porque estava grávida.

Nem preciso problematizar essa história, porque ela já se problematiza sozinha. Agora Bryce vai ser pai, era só o que faltava pra essa novela. Daqui a pouco a irmã gêmea de Hannah aparece e tudo vira festa, já que sentido não tem.

Os pais de Hannah

Se na última temporada só vemos Olivia Baker (Kate Walsh) chorando pela morte da filha, nessa vemos a força dela lutando por justiça. Kate Walsh é de longe a melhor atriz da série, pena que nem isso salva a trama do fracasso. Sua atuação foi impecável. A humanidade do seu personagem é comovente, tanto ao perdoar as pessoas que magoaram sua filha, como ao falar sobre os segredos que os adolescentes escondem dos pais, apoiar a Jéssica e dar a chance do Justin se redimir no tribunal.

O que seria lindo se em uma das suas primeiras cenas ela não estivesse praticando tiro, deixando a entender que se não existisse justiça ela faria algo com as próprias mãos. Não fez sentido nenhum. Não foi relevante para nada. Ficou em aberto. 

Da mesma forma que descobrimos que o pai de Hannah, Andy Baker (Brian d’Arcy James) traia a mulher e deixou ela para ficar com a amante depois da morte da filha. Dando a entender no tribunal, que Hannah fez o que fez por influência disso também, já que estava sofrendo. Só que não teve nenhuma fita sobre isso. Na real, Hannah só fez fitas para pessoas irrelevantes, para os pais que é bom nada.

Não que a gente saiba né, do jeito que a história está sem pé nem cabeça, não duvido que exista mais algumas fitas perdidas para render temporadas.

TW: As polairods e o clube

Nessa temporada nada se houve, tudo se vê. Dessa vez não tem mais história de Hannah, pelo menos não contada por ela. Mas tem a de outras meninas e de um clube, onde Bryce e alguns de seus amigos jogadores, abusavam delas. Bem saudável isso né? Clube do abuso. 

O romance escondido entre Hannah e Zach

Zach (Ross Butler) e Hannah já foram um casal, por essa ninguém esperava, pelo menos não eu. Tudo isso para a protagonista ter vivido o primeiro amor antes da morte e ganhar umas cenas bonitinhas, como a da sua primeira vez.

Pra quê isso agora? Ninguém sabe. Já que Clay parecia ser o amor da vida dela e Zach um babaca. Isso é claro, segundo suas fitas.

O jovem se arrependeu tanto de ter falhado com Hannah, que entregou os colegas do clube através das Polaroids. Tentou alertar Chloe, namorada de Bryce e ajudar Alex com sua fisioterapia. Zach era fraco para assumir Hannah, mas gostava dela. Na verdade covarde ele é até o final, porque fica do lado dos estupradores mesmo odiando eles. 

Courtney (Michele Selene Ang) e Hannah se beijaram, apenas isso. Não tiveram um laço real. A lésbica que estava afim da amiga hétero, foi exposta e culpou ela. Algo problemático, mas compreensível visto aos olhos de quem não queria ser forçada a sair do armário. Hannah levou tudo do jeito mais pessoal possível, mas não era tudo sobre ela. Nem motivo pra fita alguma.

Ryan (Tommy Dorfman) não fez nada além de sentir inveja do talento da amiga, por isso roubou seus poemas e publicou. Na segunda temporada ele é apenas um gay solitário depois do rompimento com Tony, que não faz a menor relevância na história. Tony (Christian Navarro) passou a temporada inteira confabulando com ele sobre um segredo que Hannah escondia, a página rasgada do diário, pra no final a gente descobrir que era sobre os problemas dele com controle de raiva.

Ele espancou um homem que era homofóbico e poderia ser preso porque foi a terceira agressão. Ela não contou, acobertou ele no cinema onde trabalhava, ele confiou nela, ela nele, a amizade deles nasceu ali e por isso que ela entregou as fitas para ele e não para Clay.

Rindo de nervoso.  O que me fez pensar: por que diabos ela não contou para Tony sobre Bryce? Mas como eu disse não tem pé, nem cabeça essa história.

Sheri (Ajiona Alexus) a líder de torcida que se envolve no acidente na primeira temporada, levando a morte de um amigo querido por todos os personagens Jeff. Fugindo da cena, onde Hannah vê o que aconteceu.

Essa garota estava em todos os lugares na hora errada né, coitada.

Na segunda temporada não forçaram ela se relacionando com o Clay, mesmo assim a relevância dela foi mínima. Coitada da atriz.  

Mr. Porter (Derek Luke) o personagem que não sei se sinto raiva ou pena.

Ele recebeu uma fita das mais pesadas, por ser o orientador escolar que não ajudou Hannah porque não quis, mesmo quando ela pediu socorro. Achou que teria uma chance de arrumar as coisas depois, ela se matou assim que saiu da sala dele. Nessa temporada ele volta arrependido e disposto a lutar por justiça, seu depoimento deu uma nova direção para o caso de Hannah, mas mesmo assim sua presença foi apenas para sua própria redenção e para ser demitido por isso. 

(Um dos leitores me alertou sobre não ter falado da personagem Skye, na verdade havia falado e por algum motivo apaguei na hora da edição do texto. Obrigada pelo aviso Henrique Lobo, o erro já foi corrigido. <3)

A mais esperta da série


Enquanto os personagens de 13 reasons why, se torturam depois da morte de Hanna Baker. Skye (Sosie Bacon) decide se voltar para dentro e procurar ajuda médica depois de uma crise pesada. Deixando Clay para trás, já que o namorado ainda estava apaixonado pela amiga que se matou. A moça, que na primeira temporada se destacou por tirar a cabeça do jovem dos pensamentos ruins, cansou de implorar pela atenção dele. Clay parece querer salvar todo mundo mas a ignorou. Ao meu ver, a construção de Skye foi uma das melhores, pena que só serviu para confirmar minha ideia de que os personagens estão presos em um ciclo doentio. Depois de se tratar, ela vai embora com a mãe e decide priorizar sua sanidade. A única personagem que se ajuda pula fora. Por quê será?

A deixa para entrar um psicólogo na série foi perdida nesse momento. 

TW: Marcus, o lobo em pele de cordeiro

Marcus (Steven Silver) é tão nojento quanto Bryce, isso porque passou a mão em Hannah sem o seu consentimento, devido uma aposta que fez com seus amigos ainda na primeira temporada. Mas mesmo assim a série tenta te fazer engolir ele, alguns personagens bons são amigos dele. Ele fazia parte do clube do abuso e usava de sua imagem de bom moço, virgem, religioso, para conquistar o que queria e manipular as pessoas. Na segunda ele voltou mais crápula ainda, mentindo no julgamento de Hannah.

TW: Surge um novo monstro na série: Monty

Monty (Timothy Granaderos) não recebeu uma fita, mas foi uma das pessoas que mais prejudicou Hannah. Não que ela soubesse. Mas ele sempre estave lá. O fiel amigo de Bryce que só depois entendemos porque brigou com Alex, em um dos episódios da primeira temporada. Ele não só assistiu de camarote o estupro da Hannah, como não fez nada para impedir. O terceiro que assiste abuso sexual na série, bem saudável. Depois começou a ameaçar aqueles que estavam depondo a favor dela.

Assim, de graça. Sem entendermos porque ele estava ajudando Bryce, onde nasceu essa amizade, porque era tão importante para ele toda essa história e o que ele tinha contra Hannah Baker. E como se não bastasse, em uma cena ele se mostra tão ruim ou pior que o “amigo”, violentando alguém da forma mais cruel que poderia ser mostrada.

A vítima da vez: Tyler

Uma das maiores injustiças dessa série, é a fita sobre Tyler (Devin Druid) e o que aconteceu com ele depois dela. Hannah apagou completamente da memória que ele foi a primeira pessoa a falar com ela, que ele tentou se aproximar dela e ser um bom amigo enquanto ela queria companhia de líderes de torcida e jogadores de futebol. Ela não tinha amigos, ele não tinha amigos. A diferença entre os dois foi a popularidade.

Graças a fita dela, ele foi tratado como um pervertido que só fez espalhar suas fotos, que todos foram atrás para se vingar. Mas Tyler nem de longe era só isso. Ele é uma pessoa com dificuldades sociais, que sofreu um bullying pesado, que não teve ninguém para aliviar as coisas.

O fotógrafo esquisito, na verdade sempre se mostrou empático mas ela só viu o lado ruim dele. Você admira Tyler em alguns momentos da série: no julgamento de Hannah depondo a favor dela, ao lado de Alex em suas dificuldades depois do coma, preocupado com Clay depois do suicídio da Hannah. 

Ele fez duas amizades reais na série e foi deixado de lado por ambas, tudo por não se adequar. Ele foi expulso dos lugares onde tentou ser um adolescente, foi afastado dos amigos, foi obrigado a se isolar.

Tyler é um personagem completamente desumanizado numa série sobre prevenção.

Na primeira temporada, houve uma cena onde ele olhava um armamento escondido em sua casa, o que dava a entender que ele poderia ser um atirador. Talvez tenha sido essa cena que me fez assistir a segunda temporada, mas fizeram disso apenas a construção para chamar atenção. Não se iluda. Aqui tudo é marketing.

Nessa temporada se Clay fazia drama, Tyler protestava na escola. Atacando os abusadores de Hannah, ameaçando Marcus com um vídeo íntimo para parar de apoiar o estuprador dela.  Ele sentiu ódio do mundo e foi o único que expressou isso de uma forma que funcionou. Lutou contra os valentões e abusadores, começou a provocá-los.  

O pior aconteceu…

TW: Se o estupro de Hannah foi doloroso de ver, o de Tyler ninguém deveria ter criado para não machucar mais ainda o público. Na cena, saída de um filme de gore, ele é arremessado como lixo para o banheiro da escola e violentado com um cabo de vassoura por Monty. Chega a dar ânsia de vômito de tanto nervoso.

Após receber muitas críticas pela cena onde Tyler é violentado, o criador Brian Yorke afirmou que ela foi feita para chocar e gerar debate. O que não torna ela menos nociva, já que a série era pra ser sobre prevenção, sobre buscar ajuda e já havia abordado mais de uma vez abusos sexuais.

FONTE

Se fosse preciso ter tantos exemplos antes de debater um assunto, várias séries não existiriam.  

Monty é um personagem que se vinga pelos outros, apenas por maldade. Criado para ser ruim. Tyler é a maior vítima da segunda temporada de 13 reasons why, onde a violência gratuita não acaba. Mesmo que digam que a história foi feita para conscientizar. 

O final da segunda temporada foi absurdo. Foi forçado. Foi desnecessário.

TW: Tyler depois de humilhado e estuprado, volta para casa, busca suas armas e chega pronto para atirar nos alunos que estavam no baile da escola. 

É nessa hora que você quer ver sangue mesmo, mas a coisa mais idiota acontece: Clay o impede. Não que eu quisesse um atirador, mas se construíram um personagem assim, era isso que eu esperava. Mas isso não é apenas sobre Tyler… É sobre Clay, que entrou na frente dele armado pedindo para que ele não cometesse um massacre.

NOVAMENTE, BEM SAUDÁVEL ESSA SÉRIE.

TW: Precisamos parar de romantizar Clay Jensen

Se no começo ver o interesse de Clay (Dylan Minnette) por Hannah, foi bonitinho ou romântico. Começou a ser doentio a partir do momento que ele viu o fantasma dela. Parece o sexto sentido, mas é só forçação de barra mesmo. Mas antes fosse contato com espíritos o único problema de Clay, nessa temporada ele foi completamente autodestrutivo e egoísta.

Outros absurdos de Clay:

Ele tirou Justin, um viciado, das ruas mentindo que Jéssica queria reatar com ele. Ele abandonou a namorada (skye) para se apegar ao fantasma da Hannah. Ele se isolou dos pais que davam apoio à ele, na série que diz que quer influenciar o jovem a pedir ajuda. Ele confrontou um estuprador. Ele postou as fitas de Hannah na internet, mesmo depois de um amigo próximo tentar se matar por culpa delas. Ele julgou Hannah por ter tido uma vida, foi possessivo e fugiu do que importava: a dor dela. Mas ao meu ver, a pior atitude de Clay foi entrar na frente de Tyler armado e dizer “vá em frente se quiser” e colocar uma arma na cabeça, influenciado pelo “fantasma de Hannah” que estava repetindo a fita sobre o abuso na sua mente.

QUE OS FÃS DA SÉRIE ME PERDOEM, MAS ISSO É ROMANTIZAR SUICÍDIO SIM!

Esse garoto precisa de ajuda, só não procura. Primeiro ele aprende a atirar com Tyler, usa a arma para tentar matar Bryce e pensa em se dar um tiro. Depois, ele entra na frente de Tyler armado e diz que não quer ver ele morrer.

Uma pessoa que se coloca em tantas situações ruins, não é nem de longe um protagonista digno. Clay é tão perturbado quanto Justin, a diferença é que ele parece ser o mocinho da história, quando na verdade ele está se destruindo, mesmo sem usar drogas.

Quantos casos de atiradores vemos nas escolas, a solução não é alguém entrar na frente deles e falar “não quero ver você morrer”. Isso é burrice e chega a ser ofensivo para os pais e amigos de vítimas de massacres, ou até mesmo para os pais dos atiradores que não tinham nada a ver com o que os filhos fizeram.

Nem Tyler como atirador, nem Clay como super herói

Se a construção de um é errada, a de outro é pior. Quando uma pessoa chega no limite de querer matar todo mundo, das duas uma:  ou ela não sente nada ou ela sente tudo. Não é ali que ela deve ser impedida, é muito antes. E Clay teve poder de fazer isso, de avisar alguém sobre as armas de Tyler. Mas esteve ocupado demais sendo o centro das atenções. Ele pensa que é Deus, controlando atiradores e falando com os mortos

Como num passe de mágica, ele veste sua capa de super-herói e se sente a prova de balas fazendo Tyler desistir de matar todo mundo, deixando uma arma nas mãos dele. Para novamente ser o centro das atenções na próxima temporada, que desejo com todas as minhas forças que não exista.

É muito pesado abordar uma série sobre o suicídio de alguém e criar um protagonista que praticamente implora para ser morto. Fora que o suicídio da Hannah é sádico, deixando a culpa nas costas de quem também é vítima como ela.

Com a premissa de uma próxima temporada mais forçada ainda, mais perigosa ainda, mais desnecessária ainda. 13 reasons why, apela e não mede esforços. Violência gratuita, drogas, abuso sexual, bullying, relacionamentos abusivos, armas, personagens destrutivos, tudo isso de uma vez, sem de fato trazer relevância nenhuma. A história que deveria ter parado na Hannah, agora segue sem sentido. Se o intuito é chocar, parabéns. Mas é só isso mesmo, não ajuda em nada. APARECE ATÉ PADRE NA SÉRIE MAS NÃO APARECE UM PSICÓLOGO. 

Alguns dos meus seguidores no twitter opinaram sobre a série:

A construção dos personagens força, alguns não conseguem convencer que deveriam estar ali. O roteiro deixa buracos, a história não faz sentido em alguns pontos, mesmo acertando em outros. A segunda temporada, que tinha tudo para corrigir os erros da primeira, foi lá e jogou mais merda no ventilador. Não tem salvação!

“Tava ruim, tava bom, mas parece que piorou.”

Não existem mais porquês para uma nova temporada, mas aposto que ainda vai ter uma. 

Me arrependi amargamente de ter dado uma segunda chance para essa série e queria recuperar as horas que perdi. Se eu puder poupar alguém de assistir a segunda temporada, deixo aqui a minha crítica. Se você quiser ver mesmo assim e passar nervoso, tudo bem.

Eu não tô aqui pra criticar o fã, eu tô aqui pra criticar a abordagem mais falha que eu já vi nos últimos tempos. Não é porque o público é jovem, que o conteúdo de 13 Reasons Why deveria ser tão forçado e ruim.


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