Homem-Aranha: Entre Trovões

O que acontece quando o sentindo-aranha começa a falhar?

O sentindo aranha foi uma das coisas que Peter Parker “ganhou” após ser picado por uma aranha geneticamente modificada. Além, claro, de todas as outras coisas que qualquer fã do herói já sabe de saber e salteado.

O sentido-aranha é fundamental para o Homem-Aranha ser o que ele é, é esse sentido que faz o alerta toda vez que ele corre algum perigo. É ele também, que faz o Homem-Aranha se antecipar a golpes e poder traçar a estratégia para derrotar seus inimigos. Pois bem, agora imagine se esse sentido começasse a falhar? Imagine se ele começasse a apitar quando não existe perigo e literalmente falhar quando o perigo é iminente? Como será que o Homem-Aranha se viraria para resolver essa parada?

Esse é o mote principal de Homem-Aranha: Entre Trovões, livro escrito por Christopher L. Bennett e lançado no Brasil pela Novo Século. Antes de mais nada, eu deixo claro que não é necessário que o leitor tenha um conhecimento da vida do Homem-Aranha nos quadrinhos ou que seja necessário ler alguma HQ do herói antes. Mas se você conhece um pouco da vida dele, essa história se passa depois que Mary Jane começou a sua carreira teatral e pouco tempo antes do Cabeça de Teia entrar para os Vingadores. E caso você seja um exímio conhecedor da saga do herói nos gibis, essa história também se passa antes da transformação sofrida pelo Aranha em “O Espetacular Homem-Aranha 15-20 (A Queda).

Homem-Aranha Entre trovões.minJ. Jonah Jameson sempre usou o Clarim Diário para atacar o Homem-Aranha, mas por mais que o Cabeça de Teia se esforce para fazer o bem, as pessoas sempre o verão como uma ameaça á população. Porém, a vida de Peter vira de cabeça pra baixo quando pessoas próximas á ele acabam sofrendo as consequências.

Enquanto Homem-Aranha tenta proteger Manhattan de frequentes ataques de robôs acompanhados de seu arqui-inimigo Electro, ele também deve ir atrás de respostas com algo que está acontecendo consigo mesmo. Seu sentido-aranha está aparentemente falhando, afinal, ele aponta que Mary Jane e sua tia May são uma ameaça para ele. Isso nunca aconteceu com o sentido-aranha antes e ele se vê obrigado á ir em busca de respostas. Essa busca o leva á J.Jonah Jameson, mas o Aranha verá que isso poderá custar não só sua vida, mas também a vida da humanidade.

Homem-Aranha: Entre Trovões tem uma narração simples e bem fácil de ler, não são usados termos difíceis, nem algo que possa atrapalhar a vida daquele que está vivendo a experiência de ler uma história do amigão da vizinhança pela primeira vez. O ponto de vista da história obviamente é de Peter Parker, o Homem-Aranha, a narrativa é em terceira pessoa e os  diálogos entre os mais variados personagens costuram e dão a forma necessária para a trama fluir. Christopher L. Bennett soube exatamente captar a essência do herói, suas dúvidas, sua perspicácia, a teimosia de vez em quando, o jeito brincalhão de encarar os vilões e alguns problemas da vida e também o poder x responsabilidade.

O Homem-Aranha sempre foi um herói que carrega um lado humano incrível, ele é sempre o cara que mais se fode, o cara que faz de tudo para pensar nos outros primeiro e só depois passa a pensar nele. É o tipo de herói que não desiste diante de um problema, e mesmo quando tudo indica que a única saída é a derrota, ele acha um jeito de dar a volta por cima e fazer tudo certo numa próxima vez. Neste livro, Bennett trouxe a essência de cada um dos personagens à tona. Tia May está inspiradora e faz uma crítica ferrenha ao comportamento da sociedade imediatista atual. Mary Jane pela primeira vez faz alguma coisa além de pensar na sua carreira ou no seu próprio umbigo. Aqueles que amam Gwen Stacy tem a mania de não achar tudo isso da Mary Jane. E talvez eu tenha essa birra com ela, por ter um conhecimento muito prévio de tudo aquilo que vi nos filmes do Sam Raimi e um pouco das versões sexualizadas em algumas HQs soltas por aí. Dessa vez, Mary Jane,  é fundamental na vida do Cabeça de Teia.

Mas o ponto alto desta obra está em J. Jonah Jameson. Você vai passar metade do livro com raiva do que o fundador do Clarim Diário faz. Mas a raiva é tanta, que a vontade que você tem é de socar a cara desse jornalista de araque. Eu tenho um pavor enorme de gente como J.J. Jameson, mas eu entendo que no final, gente como ele tem um grau de autenticidade altíssimo e ai, se você não é acostumado a ouvir verdade de forma nua e totalmente crua, vai ter um pouco de atrito com o seu temperamento. Mas sabemos que por trás desse arquétipo de um velho rabugento, existem grandes qualidades em J.J. Jameson que serão apresentadas ao longo do livro.

Os robôs que perseguem o Homem-Aranha durante todo a história, é um algo que não me agradou tanto. A única dificuldade de entrar na história que eu tinha era quando chegava nos ataques desses caras. O autor não soube descrevê-los bem, eu não sabia identificar a forma e as características que eles tinham de forma clara, não sabia se estava diante de um sentinela estilo aqueles dos X-Men ou se era algo mais próximo do Ultron. Só sei que minha cabeça criava uma confusão danada nessas partes.

O projeto gráfico do livro é bem interessante, carrega na capa um belo trabalho do mineiro Will Conrad, a diagramação e a fonte usada estão bem e deixam a leitura bem confortável. Os capitulos estão divididos em folhas pretas que contem pequenas ilustrações e não estão muito longos. Outra parte bem bacana é a quarta capa que carrega algumas aspas de J.J.Jameson.

Homem-Aranha: Entre Trovões é um livro que vai te cativar ao longo de cada página, suas reviravoltas e a forma como o autor deu vida ao Homem-Aranha nas 260 paginas , faz desta obra um item necessário para ocupar o seu acervo.

Homem-Aranha: Entre Trovões foi o segundo livro da coleção Marvel publicado pela editora Novo Século. Confira a lista completa de lançamentos para este ano aqui.

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