Boneca Inflável (2009) | A Amaldiçoada Consciência Humana

7 dias atrás ( 16/06/2017 )

A consciência, afinal, é uma dádiva ou maldição?

Boneca Inflável (2009) conta a história de uma boneca sexual chamada Nozomi (Bae Donna, Sun Bak em Sense8) que repentinamente “encontra um coração”, isto é, passa a ter consciência de si.

A partir deste momento, Nozomi passa a conhecer, aos poucos, o mundo em que vive. A medida em que conhece o mundo, ela vai se tornando cada vez mais e mais real, sempre mantendo sua inocência. Ela passa a admirar as pequenas coisas e adentrar em relações humanas.

A boneca Nozomi descobre a chuva.

Em certos momentos, a lembrança de filmes como Ela (2013) e Amelie Poulain (2001) é emanada, isso nos faz pensar sobre como a inocência consegue sobreviver ao mundo corrupto, enquanto que a descoberta é em si, viver. Afinal de contas, por que nascemos? Esse tremendo vazio que existe em todos nós, realmente pode ser preenchido por outros?

É realmente aceitável que sejamos substitutos uns dos outros?

Nozomi e seu dono, enquanto ela tenta manter seu papel de boneca vazia.

Tendo nascido para suprir as necessidades sexuais de seu dono, muitas vezes a alegoria da mulher como objeto é tratada aqui. Seu proprietário é um homem solitário, que tem ela como amiga e amante, pelo fato de que ela não possui personalidade alguma, e apenas aceita seus caprichos – pelo menos enquanto ela se anula por ele, para cumprir seu “papel”.

O longa é tocante e belo, além de conseguir transpor toda a melancolia solitária de uma cidade vazia. Por vezes a boneca, em sua inocência, mostra mais humanidade que os humanos.

Humanos superficiais, que querem ser como bonecas, humanos solitários, que não podem preencher o vazio que outras pessoas lhe deixaram, que não podem “curar suas feridas com um Durex”, humanos que não podem ser mais do que humanos.

Seres aproveitadores, seres carinhosos, as diversas facetas de realidade. A aceitação de si.

A boneca Nozomi encontra seu criador

A busca pela individualidade, da vontade de ser realmente única (o) e insubstituível.

A solidão multifacetada.

“Ter um coração foi devastador”

A boneca Nozomi e a morte.

O papel intrínseco humano de formar famílias, ter filhos, morrer. A morte como uma dádiva, por dar valor à vida.

A melancolia, a leveza das palavras, a inocência infantil. O calor humano, a chuva, o toque, o sopro de vida. Ar.

Poesia.

Boneca Inflável é um filme que cresce aos poucos em uma brisa de sentimentos pesados. Um tornado melancólico de emoções agradáveis e desagradáveis. Onde ter um coração é motivo para tentar protege-lo. Onde ter um coração é se obrigar a lidar com o outro.

A objetificação da mulher, o querer anular sua personalidade para que ela possa servir e só.

É realmente complicado falar sobre este filme sem trazer algum Spoiler, visto que sua ambiguidade metafórica pode, por vezes, obrigar a isso. Eis que encerro esta resenha aqui, e espero que você, leitor (a) tenha para si o desejo de assistir esta obra incrível. É um filme que inicialmente choca, de forma até mesmo bizarra, mas que aos poucos acalenta – e destrói.

Baseado no mangá homônimo, Boneca Inflável (2009) é dirigido por Hirokazu Koreeda.

Obs: Penso ser valido ressaltar que esta obra precede Ela (2013).


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