Curiosidades sobre o filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” (2001)

2 anos atrás ( 10/02/2016 )

Quando Jean-Pierre Jeunet lançou, há 15 anos, “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain“, jamais poderia imaginar que seu destino, assim como o de sua adorável protagonista, também seria fabuloso. O êxito de Amélie transcendeu o puramente cinematográfico para 1) Converter-se no paradigma do que o gosto popular concebe como cinema francês (ou mesmo “espírito francês”), 2) Definir a imagem que, hoje, habita o imaginário coletivo sobre a capital francesa e 3) Estabelecer-se como um fenômeno, conquistando uma legião de fãs ao redor do mundo, que se identificam com sua heroína, querem fazer os outros felizes e imaginam que a trilha sonora de suas vidas é composta por Yann Tiersen.

Ame ou odeie, “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” marcou a história do cinema mundial e do cinema francês, e saber os segredos por trás da criação desta película é, no mínimo, bastante divertido. Pegue o crème brûlée e se delicie:

– O roteirista e diretor do filme, Jean-Pierre Jeunet, começou a selecionar dados, eventos e memórias para criar a história de Amélie em 1974.

– O diretor confessou que muitos detalhes do filme são de origem autobiográfica. Como, por exemplo, as coisas que os personagens gostam e não gostam. Algumas recordações que aparecem no decorrer da história também vieram da vida do diretor.

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– Jean-Pierre Jeunet escreveu o roteiro, em francês, especialmente para a atriz inglesa Emily Watson. A personagem principal, inclusive, se chamava “Emily”. Quando Jeunet percebeu que a atuação de Watson era prejudicada pelo francês não ser sua língua nativa, ele revisou o script para fazer com que Emily tivesse crescido na Inglaterra. Contudo, Watson acabou desistindo do projeto, pois não queria ficar seis meses longe de casa (Ela fez “Assassinato em Gosford Park” no lugar). Com isso, Jeunet e o co-escritor Guillaume Laurant mudaram novamente a personagem, que voltou a ser totalmente francesa, recebendo o nome de “Amélie”.

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– Vanessa Paradis foi considerada para o papel de Amélie.

– Jeunet encontrou Audrey Tautou num pôster. Logo depois de Emily Watson desistir do papel, o diretor estava vagando pelas ruas de Paris, se perguntando como poderia salvar seu novo projeto. Foi quando virou uma esquina e viu um cartaz do filme “Instituto de Beleza Vênus” (1999). Nas palavras do próprio Jeunet: “Fui surpreendido por um par de olhos escuros, um flash de inocência, um porte incomum. Eu arranjei uma reunião e ela audicionou para o papel. Depois de 10 segundos, eu sabia que ela era a escolha certa.”

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Veja também: Top 10 – Audrey Tautou | Muito além de Amélie Poulain

– Jean-Pierre Jeunet originalmente queria Michael Nyman para a trilha sonora do filme, mas não conseguiu contratá-lo. Alguém, então, deu a ele um CD de Yann Tiersen, que compõe em um estilo minimalista semelhante, mas com uma peculiar mistura eclética de instrumentos. Jeunet se apaixonou pela música e sonorizou grande parte do filme com temas de Tiersen, as quais ele comprou os direitos. Além disso, Tiersen escreveu um tema original principal, “La Valse d’Amélie”, que foi gravado em inúmeras variações e utilizado em todo o filme.

– A atriz que fez o papel de Amélie criança é brasileira. Bem, na verdade, metade brasileira. Flora Guiet nasceu em Paris e é filha de pai francês e mãe brasileira. Com apenas com 5 anos foi escolhida depois de testes para o papel da Amélie na fase infantil. Hoje mora em São Paulo e estuda design de interiores.

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– Na cena de abertura, em que a equipe está sendo exibida na tela, a jovem Amélie está representando o trabalho de cada membro com origami.

– As cenas de abertura foram filmados em 35mm, mas foram quimicamente e digitalmente tratadas e para obter o efeito da filmagem em Super 8.

– Antes de gravar as cenas externas em Paris, Jean-Pierre Jeunet e sua equipe limpavam toda a área que seria utilizada, retirando detritos, sujeira, lixo e até mesmo graffiti. Esta tarefa foi extremamente difícil quando chegou a hora de gravar na enorme estação de trem. “Nós tiramos todos os carros das ruas, limpamos o graffiti das paredes, substituímos cartazes por outros mais coloridos, etc.”, disse Jeunet. “Digamos que eu tentei exercer tanto controle quanto pude sobre a qualidade estética da cidade.” A pós-produção digital ajudou consideravelmente para que Jeunet alcançasse a visão que queria que o filme transmitisse.

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– As cenas no interior do apartamento de Amélie foram gravadas em um estúdio na Alemanha. Mais especificamente na cidade de Colônia (em alemão Köln) em Renânia do Norte-Vestfália, oeste da Alemanha. Jeunet filmou lá em vez de continuar na França por causa dos incentivos fiscais.

– As principais cores (vermelho, verde e amarelo) foram inspiradas pelas pinturas do artista brasileiro Juarez Machado.

– A arte que faz parte da decoração do quarto de Amélie (o cão com o cone, o pássaro branco) e seu amigo imaginário crocodilo foram criados pelo artista Michael Sowa.

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– Jeunet utilizou uma cafeteria verdadeira, realmente chamada “Café des Le Deux Moulins”, para ser o local de trabalho de Amélie e, também, onde se passa grande parte do filme. É claro que depois do lançamento (e do sucesso) do filme, a cafeteria se tornou uma atração turística. O lugar é decorado em estilo Art Deco e fica no endereço “15 Rue Lepic”, esquina com a Rue Cauchois, em Montmartre. O café ainda se parece bastante com o que é mostrado no filme, exceto que possui bastante pôsteres e o crème brûlée ganhou um nome especial em homenagem a Amélie.

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– O gnomo viajante foi inspirado por uma onda de brincadeiras semelhantes que aconteceram na Inglaterra e na França na década de 90. Em 1997, um tribunal francês condenou o líder do “Front de Libération des Nains de Jardins” (Frente de Libertação dos Gnomos de Jardim) por roubar mais de 150 gnomos. A ideia foi, mais tarde, utilizada em uma campanha de publicidade de uma agência de viagens na internet.

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– O gnomo utilizado no filme era de Jean Marie Vives, um dos membros da equipe, que o fotografou e elaborou as montagens com imagens tiradas durante suas próprias viagens.

– Com a exceção de um breve telefonema, onde Amélie dá instruções para Nino (que, por sua vez, simplesmente escuta e não responde verbalmente) e a resposta na cafetaria, os dois protagonistas não conversam nenhuma vez durante todo o filme.

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– Hipólito é uma referência ao personagem Hippolite Terentyev, um filósofo azarado do romance “The Idiot” (1869) de Fiódor Dostoiévski. O personagem principal do romance é uma pessoa ingênua e gentil, assim como Amélie. Muitos fãs teorizam sobre o filme ter sido inspirado no livro, mas nunca foi confirmado por Jeunet.

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– O funeral no documentário imaginário em preto-e-branco que Amélie assiste na TV é composto de filmagens de um segmento noticiário de 1923 sobre a morte da atriz Sarah Bernhardt.

– O sobrenome de Nino é “Quincampoix”. Quincampoix é, também, uma aldeia que fica cerca de 60 milhas a noroeste de Paris. É um sobrenome raro na França e, provavelmente, sua presença no filme não é uma coincidência. Em Quincampoix está o enterrado o campeão de ciclismo Jacques Anquetil, que por muitos anos foi um grande concorrente de Federico Martín Bahamontes – o mesmo Bahamontes cuja vitória na ’59 Tour de France é aplaudida pelo jovem Dominique Bretodeau no filme (Anquetil ficou em terceiro na mesma corrida).

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– O filme que está passando quando Amélie está no cinema é “Jules e Jim – Uma Mulher para Dois” (1962), longa pertencente ao movimento Nouvelle Vague, co-escrito e dirigido pelo cineasta François Truffaut.

– Jeunet escolheu o quadro “O Almoço dos Remadores” de Pierre-Auguste Renoir por sua relação com o bairro Montmartre, pelos personagens da pintura oferecerem uma ampla gama de possibilidades para serem relacionados com os personagens do filme e pela obra estar livre de copyright.

– O diretor admitiu que a ideia da caixinha de memórias que Amélia descobre no banheiro de sua casa, e que um dos personagens encontra em uma cabine por causa dela, foi roubada do filme “No Decurso do Tempo” (1976) de Wim Wenders.

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– O álbum de fotos de cabine sobre o qual gira a maior parte do filme realmente existe. Ele pertence a um amigo de Jeunet, um escritor francês chamado Michel Folco, e que, segundo o diretor, é um obsessivo que durante anos procurou de cabine em cabine por fotos descartadas. Uma vez, Folco disse a Jeunet que se um dia quisesse incluir o álbum em algum projeto, lhe emprestaria. Além disso, a história sobre o estranho que acaba por ser o reparador das máquinas, é verdade. Folco encontrou-o, assim como acontece com Nino.

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– Entretanto, apesar da história ser real e Jeunet ter se baseado nela para o roteiro, foi necessário criar um álbum falso para usar no filme. Isso porque para usar o real, seria preciso obter a permissão de todas as pessoas cujas fotografias estão no álbum. O diretor contou que para criá-lo, uma cabine de fotos foi colocada na sala de casting e, durante um dia inteiro, a equipe se dedicou a tirar fotos de 80 figurantes.

– A história do saco perdido dos correios que Amélie usa para alegrar sua vizinha viúva também é verdade. Ou, pelo menos, baseada numa história real. Nos anos 50, um avião alemão caiu no Mont Blanc e um saco dos correios foi arrastado pela geleira. A polícia o encontrou muitos anos depois.

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– O diretor afirma ser um grande fã de jogos, principalmente do tipo que é preciso seguir pistas para resolver um mistério. Ele usou essa predileção para conceber a cena em que Amélie guia Nino até o álbum pelo parque de diversões. O próprio Jeunet afirma que já fez jogos semelhantes com sua esposa.

– Audrey Tautou não consegue fazer com que pedras saltitem na água. Quando Amélie atira pedras no Rio Sena, o efeito é realizado digitalmente.

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– A cena final, onde Nino e Amélie passeiam por Montmartre de moto foi feita de forma similar como são gravadas cenas com carros, onde os veículos são colocados em cima de uma estrutura de madeira e uma câmera fixa acompanha os atores. Jeunet disse que eles passaram a maior parte do dia caminhando ao redor do bairro para filmar essas imagens.

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– Há um musical na broadway de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain“. O musical foi anunciado em agosto de 2013, escrito pelo dramaturgo Craig Lucas (An American in Paris e Prelude to a Kiss) e pelos compositores Daniel Messé (da banda Hem) e Nathan Tysen (The Burnt Part Boys). A peça estreou em 2015, no Berkeley Repertory Theatre, em Berkeley, Califórnia. Saiba mais clicando em Amélie, O Musical.

– Ainda sobre o musical, Jean-Pierre Jeunet disse que se sentiu “enojado” apenas pela simples ideia do mesmo, porque ele odeia musicais.

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– Muitas bebês foram batizadas “Amélie” depois do filme. Em 2000, um ano antes do filme sair, haviam 12 bebês na Inglaterra e no País de Gales com o nome de Amélie. O número subiu para 250 em 2002 e, em 2007, haviam cerca de 1.100 novas Amélies por ano. O número tem se mantido estável desde então. A tendência foi semelhante nos EUA, onde Amélie não figurava a lista dos 1.000 nomes mais populares até 2003, quando, de repente, saltou para o lugar 839 e foi subindo cada vez mais a partir daí.

– Se tivesse a oportunidade de filmar de novo, Jeunet disse que mudaria apenas uma pequena parte do filme. “Nada é perfeito, quando o filme termina, está terminado e você começa já a pensar no próximo. Mas exceto uma tomada, eu gostaria de retirar a cena em que ela faz o Z de zorro. Não sei por que nunca gostei dessa cena, queria cortá-la na edição, mas o meu editor não deixou na época.”

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– “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” ganhou diversos prêmios, entre eles, dois BAFTA Awards de Melhor Roteiro Original e Melhor Desenho de Produção; Prêmio da Audiência no Festival Internacional de Edimburgo; Prêmio do Público no Festival de Cinema de Toronto; Prêmio César Award de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Trilha Sonora e Melhor Cenografia;


“O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” encanta, diverte, apaixona e comove qualquer um que assista. É uma obra atemporal que foge da realidade de uma capital poluída, para apresentar o universo colorido e gentil que existe aos olhos de uma pessoa que insiste em acreditar na bondade apesar de tudo. Quantas Amélies você conhece? Seria você, uma Amélie? Por que não ser mais Amélie?

Definitivamente, uma obra cinematográfica que tem valor.


Veja também: Curiosidades sobre o filme “Labirinto – A Magia do Tempo” (1986)


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