HQ do Dia | Patsy Walker, A.K.A. Hellcat! #1

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Que me desculpem os fãs, mas tirando logo do caminho: Patsy Walker é um dos maiores exemplos de personagens restolhos do Universo Marvel. A moça, que originalmente estrelava o gibi adolescente no estilo “Archie” chamado “Miss America” na década de 1940 (quando a Marvel ainda se chamava “Timely Comics”) foi incorporada ao Universo super heroico da Marvel na década de 1960 em uma aparição no terceiro anual do Quarteto Fantástico, mas foi somente na metade da década de 1970 que a personagem foi reintroduzida como Vingadora e viveu algumas aventuras com a equipe sob o codinome “Felina”.

Muita coisa aconteceu de lá pra cá com Patsy: Uma treinamento na Lua, aventuras ao lado dos Vingadores e Defensores, um romance tórrido e devastador com um ser demoníaco, uma estadia em um manicômio que a levou ao suicídio, uma longa estadia no inferno da Marvel, ressurreição, Guerra Civil e a Iniciativa e recentemente aparições divertidíssimas no título da Mulher-Hulk como investigadora. A vida não foi nada fácil para a Felina e continua não sendo.Patsy-Walker-AKA-Hellcat-1

Agora, como parte da iniciativa pós-Guerras Secretas chamada “All-New All-Different Marvel”, temos um verdadeiro renascimento da personagem em um título solo escrito pela jovem autora Kate Leth e desenhado por Brittney Williams. “A.K.A. Hellcat” é o exemplo perfeito do que podemos chamar de gibi indie mainstream em editoras grandes no mercado americano. Desde sua introdução bem simples e “fofinha” abordando alguns momentos da carreira da heroína de modo despojado, passando pelo conceito proposto pela autora e finalmente na arte de Williams que é 100% voltada para o jovem leitor de quadrinhos.

Em “Hellcat” vemos Walker paupérrima, recém desempregada e a ponto de ser despejada do muquifo onde mora (uma despensa no prédio onde a Mulher Hulk trabalha). Ao impedir um assalto a um carro forte e em seguida fazer amizade com o ladrão (É isso mesmo!), a heroína tem uma ideia genial: Uma agência de emprego para pessoas com super poderes (Inumanos, Mutantes e etc) que não querem arriscar suas vidas como super heróis, mas precisam se sustentar e tem dificuldade para arrumar um trampo decente. Em meio a isso, fantasmas do passado de Patsy retornam na forma de seu constrangedor gibi antigo que está sendo re-impresso por uma antiga “inimiga” de infância. Leth lança a ideia da agência logo nas primeiras páginas de maneira hilária e logo em seguida retorna no tempo para contar de onde surgiu este conceito meio absurdo, além de apresentar toda a trama envolvendo o passado da personagem. Brilhante. E o pior é que tudo faz bastante sentido. O argumento é extremamente simples, temos a Patsy que figurava nos títulos da Mulher Hulk com uma profundidade que nunca vimos em nenhuma outra aparição da personagem. Não é um gibi de ação super heróica. Longe disso. O formato de “Hellcat” está mais para humor de situação e não há nada de errado nisso. Bons diálogos, um ritmo de leitura muito confortável, personagens secundários marcantes e uma protagonista com muita personalidade.

A arte de Brittney Williams aqui é totalmente indie / cartoon com leves toques de anime aqui e ali. Tudo neste universo é “fofinho” e o gibi lembra bastante a recente encarnação da Garota Esquilo visualmente. A ilustradora, alterna entre uma apresentação de Patsy adulta e versões ainda mais “cartunizadas” em determinadas cenas. O elenco tem silhuetas marcantes e os cenários são saídos de gibis baseados em desenhos animados. Visualmente é um título que se afasta diametralmente de todas as aparições da personagem na Marvel e isso faz um bem danado, apesar de ter o poder de alienar leitores mais tradicionais de gibis.

“A.K.A. Hellcat” está longe de apresentar a Patsy Walker que vimos recentemente no seriado “Jessica Jones” da Netflix. Aqui temos todo o passado da personagem (incluindo seu gibi da Timely e todas as desgraças sofridas como uma heroína) moldando uma personalidade muito distinta, humana e cativante. Patsy comeu o pão que o diabo amassou (talvez literalmente), está vivendo uma época muito difícil da vida, mas ainda é uma personagem positiva e determinada. Com um conceito bem diferente, diálogos divertidíssimos (Pelamor… A moça cita “Wicked”… DUAS VEZES!), um elenco cativante e uma arte bem peculiar, “Hellcat” é O título a ser lido pelo público de jovens leitores na nova Marvel e talvez alguns leitores antigos. Quem sabe?


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