HQ do Dia

Feiticeira Escarlate #1

Wanda Maximoff é talvez a personagem feminina mais poderosa do Universo Marvel (logicamente excluindo entidades cósmicas e divindades). O fato é que a moça nos últimos anos sempre esteve ligada a alguma equipe de Vingadores ou à linhas narrativas associadas a seus laços familiares e ao contexto da raça mutante.

Com a estreia da nova linha de quadrinhos da Marvel (já comentada aqui) agora no final de 2015, a equipe editorial da empresa viu uma janela de oportunidade e lança um título solo da personagem escrito pelo veterano James Robinson (que entrou na nossa lista de melhores de 2015) com uma equipe de arte itinerante que deve contar com talentos como Marco Rudy, Steve Dillon, Annie Wu, Javier Pulido, Joelle Jones, Tula Lotay, Marguerite Sauvage, Chris Visions e a celebrada Vanessa Del Rey nesta edição de estreia.

O principal mérito da estreia de “Feiticeira Escarlate” é justamente desvencilhar a personagens das velhas amarras ” Vingadores/Mutantes” e torná-la dona de uma história própria e única. Aqui você não verá nenhuma aparição de Pietro Maximoff, Magneto, Visão ou qualquer outra figura masculina familiar comumente associada à Feiticeira Escarlate em sua longa carreira. E isso já é um alívio. Wanda está livre para viver sua própria vida. HQ do Dia | Feiticeira Escarlate #1

Mas nem tudo são flores… O roteiro de Robinson no entanto, carece de uma premissa um pouco mais atrativa. Aqui vemos a protagonista lidando com ameaças sobrenaturais que somente seres com este tipo de conexão com o oculto podem gerenciar. Beleza, mas o que diferencia este título de qualquer outro gibi solo com uma premissa mística? Nada.

Em “Feiticeira Escarlate” o mote “magia está quebrada” e “há alguma força oculta usando a magia da maneira incorreta” ou “existe um desbalanço nas forças místicas” é o feijão com arroz para contar as aventuras da moça. Isso você já leu inúmeras vezes em quadrinhos. E tirando o fato de que é um título protagonizado por Wanda Maximoff não há absolutamente nada marcante neste roteiro que é levemente sonolento.

Somado a isso, algumas mecânicas das habilidades da Feiticeira ficam um pouco obscuras. Quem tem conhecimento de seus poderes (que tem uma natureza bem vaga desde sua concepção) ainda ficará com a pulga atrás da orelha tentando entender como Wanda se tornou uma investigadora mística da noite para o dia e como esse seu “sentido” mágico funciona de fato. Talvez esta habilidade seja desenvolvida e explicada de forma mais clara por Robinson nas próximas edições, entretanto tanto para novos leitores quanto para os antigos, este aspecto dos poderes de Wanda aqui fica um pouco “solto” demais.

Vanessa Del Rey capricha no tom gótico e sombrio nesta primeira edição. O traço extremamente hachurado da artista cria belas silhuetas e dá um visual muito elegante para esta estreia. O clima noir místico é pungente e a ambientação de Nova York é consistente (apesar da cidade ter pouco espaço para aparecer). Vanessa tem um design de páginas sóbrio e uma caracterização bonita do elenco. No entanto as expressões faciais extremamente blasé e rígidas durante boa parte da história podem incomodar algum leitor que preza pela interpretação de diálogos.

Feiticeira Escarlate” é uma vitória pela desassociação de Wanda Maximoff de seu passado mutante e vingador. Já estava mais do que hora e convenhamos que a personagem não precisa disso para brilhar. O problema é que James Robinson não consegue ainda um gancho narrativo forte o suficiente para realmente cativar uma audiência específica na estreia. Tudo aqui soa morno ou recauchutado de outras histórias de investigação mística e não há nada atraente o suficiente para prender uma nova audiência ou “enfeitiçar” antigos fãs. A arte de Vanessa Del Rey cumpre seu papel, mas a sobrevivência do título vai depender muito da habilidade de Robinson em desenvolver algo além de somente um gibi solo de uma querida personagem da Marvel.


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