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Dying Light 2 | Muita missão para pouca ação

Nem todo bom jogo ganha uma sequência salvadora

Dying Light foi uma surpresa em 2016, sendo uma sobrevivência no apocalipse zumbi diferenciada, em que o parkour é essencial para escapar dos infectados que habitam a cidade. Em 2018 já tínhamos teaser e anúncio da sequência do título, porém atrasos existiram e tivemos sua data oficial para 2022. 

“Dying Light 2 Stay Human” era uma expectativa para o público gamer, trazendo seu diferencial novamente com um novo protagonista e 15 anos após o primeiro game. A Techland, desenvolvedora do game, soube fazer isso lindamente com seu título inicial, porém influências para sua sequência podem ter sido o elefante da sala após seu lançamento e jogatina de alguns.

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+ Assista ao trailer abaixo dando play.

Controlamos o personagem, Aidem um peregrino que está sobrevivendo e em busca de sua irmã. Ambos fizeram parte de experiências genéticas na infância, o que tornou ele mais forte para sobreviver a tudo aquilo. E não apenas sua irmã, mas encontrar o cientista Waltz que pode ser a esperança para encontrá-la ou apenas atrapalhar sua jornada.

O universo em que iremos explorar novamente se torna dividido, em que iremos viajar pelo metrô para atravessar, já que um ácido toma boa parte dessa passagem, tornando assim possível atravessar. Ambos os mapas contêm um ótimo tamanho, dando oportunidade de exploração bem diversificada por conta dos ambientes, mas quando entramos em alguns lugares vemos claramente um ctrl + C + V que dá até dor. Entendo quando são as bases militares de pesquisa são semelhantes, mantendo o mesmo estilo, mas alguns apartamentos e lojas serem idênticos acabam estragando um pouco.

Durante uma boa parte da minha campanha só conseguia pensar que DL2 passou pelo filtro Ubisoft, em que temos figurantes falando sobre tudo ao fundo, missões secundárias sem significado e ambientes sem variedade. Sem contar na customização que lembra games como “The Division” e “Assassin ‘s Creed”. O protagonista poderia trazer algo interessante, mas infelizmente se tornou aquele ponto chave para tudo, já que claramente antes dele chegar na cidade ninguém sabia fazer nada sozinho, então como eles sobreviveram por 20 anos em um apocalipse antes do Aidem chegar?.

Mesmo com uma ambientação absurdamente grande e os dois mapas, não consegui sentir vontade de pensar em fazer 500 horas de gameplay que foi divulgada pelo diretor do game. Qual a vantagem de ir buscar um lenço perdido pela senhora do acampamento ou buscar açúcar em uma corrida de parkour?. Claramente  nenhuma vai trazer algo dignificante para a história, mas existe para encher linguiça e dar um pouco de XP. Não sentia empatia por certos personagens secundários que estavam ali presentes, normalmente sentia mais raiva do que empatia. 

O terror deixa a desejar, já que no primeiro game sentimos pavor em fazer missões durante a noite, mas em Stay Human tudo era muito fácil mesmo jogando na dificuldade hardcore. Os voláteis quase não aparecem no mapa, talvez  pelo fato de quererem explorar mais novos infectados que foram  anunciados na história. Isso não seria um problema se pelo menos eles tivessem um bom tempo de aparição também, coisa que acaba não acontecendo também. Dying Light sem volátil correndo e gritando atrás de você a noite não é Dying Light.

O ponto alto, de maneira positiva, durante a campanha continua sendo o parkour que se mantém fiel – tirando a parte de pular de lugares muito altos e sobreviver – de maneira muito  interessante. Os pontos de habilidades ajudam a conseguirmos os movimentos mais dinâmicos e fluidos do personagem durante  nossa aventura pela cidade, tornando as missões e escapadas mais fáceis. Acho que o único problema aí de fato foram os bugs que às vezes ocorriam, principalmente quando queríamos fazer uma ação e a mistura de comandos faziam outro. Então se queríamos escalar e se pendurar, às vezes o personagem simplesmente se jogava para trás do nada, por conta de uma de suas habilidades ativas. Acabei morrendo algumas vezes por isso, principalmente fugindo de alguns corredores, o que acabou atrapalhando e dando uma certa raiva.

A árvore de habilidades tem de tudo, dando uma incentivada em fazer muitas missões para conseguir pontos de xp e liberar cada um deles, porém pelo fato de tudo ser muito repetitivo e às vezes insignificante para história acaba trazendo uma certa preguiça de continuar o esforço, liberando aquelas que realmente vão te ajudar a chegar ao final da campanha. 

O multiplayer sempre foi um ponto diferencial e divertido na campanha de Dying Light, principalmente no primeiro game em que completei o game todo com dois amigos juntos. Porém em Stay Human a experiência foi bem frustrante, trazendo uma série de problemas de carregamento de ambientes, bugs de conexão e até uma hora que ao passar para o segundo mapa várias coisas começaram a ser liberadas sem termos feito a missão para isso, parecendo que alguém tinha entrado no nosso save e colocado outro no lugar enquanto estávamos jogando. Foi uma cena bem bizarra de ver ocorrendo na tela, que só vendo para entender a situação.

Tive a chance de experimentar a campanha no PS4 e Xbox Series S, dando uma perspectiva do game em um console da nova e antiga geração. A diferença é nítida, principalmente texturas e luz, sendo mais falho no PS4 e bonito no Series S. Mas em ambos não tive problema algum ao jogar o modo campanha de maneira single, enquanto os problemas foram mais nítidos mesmo no multi, principalmente no PS4 que tudo era mais lento, enquanto no Series S o carregamento era mais rápido e os personagens não ficavam com textura de ZBrush ao entrar no mapa.

“Dying Light 2 Stay Human” me deu expectativas que não deveriam ter sido criadas, mas isso claramente é culpa apenas minha, já que tive uma ótima campanha no primeiro game e achava que seria assim em sua sequência. Mas o efeito Ubisoft foi grande e a maneira como tudo ficou mais fácil me tirou daquele mundo assustador de infectados, em que a ação do parkour foi o único ponto positivo, enquanto a história principal e o terror parece que foram jogados de lado para agradar os gamers leite com pera que não querem nada difícil e desafiador, trazendo algo mais genérico que inovador.

Vale a pena jogar? Claro que sim. Porém se possível vá com a mente aberta e sem criar expectativas, talvez dessa forma sua decepção seja melhor e o game seja mais bem aproveitado.

“Dying Light 2 Stay Human” se encontra disponivel para Xbox Series X, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e PC. O game deve chegar ainda esse ano para Nintendo Switch.

E aí, curtiu?

Escrito por Guta Cundari

Do cinema para o jornalismo. Amante de filmes e games, fã filmes de terror trash e joguitos que duram meses. As Premiações pelo mundo todo que me aguardem e os noobs que sofram.

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