Unbreakable Kimmy Schmidt (2015) – 1ª temporada

Humor fora dos estereótipos

Unbreakable Kimmy Schmidt é uma série de humor de 2015, lançada pela Netflix. Divertida, rápida e deliciosa de se devorar; poderia resumir minha resenha nesta primeira linha, mas te darei muito mais motivos para assisti-la.

Criada por Tina Fey, criadora da obra icônica “Meninas Malvadas”, ao lado de Robert Carlock, a série conta uma história trágica que, ao longo dos 13 episódios, vai se transformando em uma comédia leve.

O roteiro conta a história, as aventuras e as desventuras de Kimmy Schimdt (Ellie Kemper), uma garota que foi sequestrada quando adolescente pelo líder de um culto apocalíptico. Depois de 15 anos, ela e suas colegas de cárcere são finalmente resgatadas do abrigo nuclear onde estavam presas pensando que o mundo havia acabado.

Unbreakable Kimmy Schmidt (2015) - 1ª temporada | Humor fora dos estereótipos

Kimmy é uma mulher inocente, que não tem nenhuma influência capitalista ou social (ao menos não da nossa época). Uma adolescente no corpo de uma mulher que é jogada num mundo de humanos devoradores de tecnologia, e por sua vez ainda se encanta com o brilho de outras décadas.

Estereótipos sendo quebrados com personagens que fogem dos padrões do humor. Muitos sites dizem que Unbreakable Kimmy Schmidt é uma das séries mais feministas de 2015, apresentando mulheres fortes e complexas, longe de estereótipos femininos de “loucas para casar” e fan service.

Assim como qualquer mulher, Kimmy é feita de carne, ossos e sonhos, e não desiste deles – mesmo tendo parte da sua vida roubada por um lunático. Ela volta à escola, arruma emprego, um lugar para morar e cativa todas as pessoas que a rodeiam.

Kimmy começa sua nova vida em Nova York, onde consegue um trabalho com Jacqueline (Jane Krakowski), uma personagem que enfrenta problemas em seu relacionamento e na aceitação de as suas origens.

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Além disso, ela divide a casa com Titus (Tituss Burgess) um personagem negro, gordo e gay, que ganha o público em pouco tempo com seu carisma e seu sonho em ser artista da Broadway.

Acima de tudo, esta é uma série sobre aceitar diferenças. Muito se fala, mas pouco se vê sobre aceitação nas séries, e em Unbreakable Kimmy Schmidt temos espaço para os gays, espaço para as mulheres, espaço para os negros e espaço para um humor incrivelmente inteligente, que não precisa ofender minorias para fazer seu público rir. Um espaço que é muito pouco aproveitado nas séries atuais.

Unbreakable Kimmy Schmidt (2015) - 1ª temporada | Humor fora dos estereótipos

Podendo ser interpretado de diversas formas, o humor de Unbreakable Kimmy Schmidt critica a sociedade de forma muito maior do que aparenta. Sendo erroneamente considerada racista, a série critica – com bom humor – a forma com que as pessoas negras são tratadas em diversas situações cotidianas.

Os críticos caem matando em toda oportunidade, principalmente pelo fato da série também falar sobre imigração ilegal com o personagem vietnamita Dong (Ki Hong Lee).

Recheada de polêmicas boas e ruins, essa não é uma série para todas as pessoas. É uma série de todas as pessoas. Um realismo no meio do absurdo que poucas vezes consegui enxergar. Inteligente e diversificada, arrancando risos sem precisar apelar.

Unbreakable Kimmy Schmidt (2015) - 1ª temporada | Humor fora dos estereótipos

Em meio à multidão de acontecimentos, Kimmy mantém o sorriso no rosto e aparenta ser infantilizada, assim como muitas mulheres que tiveram a infância roubada de diversas formas. Como as vítimas de relacionamentos abusivos, pais conservadores e fanáticos religiosos. Tudo que é visto com um toque de humor nessa série, pode ser visto dolorosamente em nossa sociedade. A diferença é que Unbreakable Kimmy Schmidt te conscientiza com sorrisos, enquanto a vida prefere usar pancadas.

Eu não vou dar spoilers sobre Unbreakable Kimmy Schmidt porque acredito que cada pessoa terá uma visão dos fatos e seria injusto estragar suas futuras gargalhadas.

Ao longo dos treze episódios, Kimmy se envolve em muitas bizarrices e alguns fatos, como por exemplo, ela não entender nem o que é uma selfie, tornam a série ainda mais divertida e “fora da casinha”.

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Cheia de referências cinematográficas e recheada de participações especiais, como a própria Tina Fey, Jon Hamm (o Don Draper de Mad Men) e o Dean Morris (Hank de Breaking Bad), Unbreakable Kimmy Schmidt não é só mais uma série do cardápio da Netflix. Originalmente o projeto pertencia à NBC, porém eles não levaram em frente por questões de orçamento. A plataforma online foi uma de suas melhores apostas, deu super certo e vai render a segunda temporada em breve, para alegria dos viciados (me inclua nessa lista).

Veja também: Imperator Furiosa ganha sua versão da abertura de Unbreakable Kimmy Schmidt

Se você gosta de normalidade, não assista, porque o convencional não tem espaço nesta série. Agora, se você é fã de humor na medida certa e críticas à sociedade de forma ácida, Unbreakable Kimmy Schmidt vai te representar, assim como me representa.

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