Hitman: Agente 47 (2015)

Quando um título deve ficar apenas nos videogames

Saímos da época dos filmes de super-heróis e animações (pelo menos durante o restante de 2015) para entrar na época dos filmes de ação e espionagem. Eu não sei se Hollywood fez um planejamento para soltar esses filmes todos ao mesmo tempo e criar uma disputa sadia, ou se todos eles ficaram prontos na mesma época. Enfim… vamos ao que interessa.

Hitman é uma franquia de sucesso no mundo dos games. A indústria de jogos para videogame cresceu tanto que alguns títulos parecem verdadeiros filmes. Tanto é que hoje se fala bastante que a indústria dos games superou, e muito, a indústria cinematográfica – tanto em produções quanto em lucros.

Mas nem sempre o efeito da cauda longa ou o conceito de transmídia dá certo quando o assunto envolve uma produção cinematográfica. Hitman já teve um filme, em 2007, que não foi bem sucedido, então resolveram fazer um reboot – seguindo a onda hollywoodiana. Selecionaram os mesmos roteiristas do primeiro filme, Skip Woods e Michael Finch, ou seja, tiveram uma nova chance de fazer tudo diferente e melhor, mas resolveram repetir a dose.

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Hitman: Agente 47 conta a história de um assassino de aluguel (Rupert Friend) criado através de uma experiência genética, onde suas suas habilidades foram alteradas para níveis sobre-humanos. Essa experiência foi realizada por um geneticista visionário chamado Litvenko (Ciarán Hinds) nos anos 70, com o intuito de criar assassinos que não tivessem nenhum problema na hora de cumprir uma missão, ou seja, seres humanos programados apenas para cumprir ordens, seja vigiar, perseguir, prender ou exclusivamente MATAR.

Mas como toda experiência genética, isso com certeza traria efeitos colaterais imprevisíveis se fosse executada em larga escala. Devido ao grande potencial para a formação de um exército de agentes programados para matar, a pesquisa é encerrada, Litvenko desaparece e todo material é destruído.

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Anos mais tarde surge a filha de Litvenko, Katia Van Dees (Hannah Ware), uma moça meio perdida, sem saber onde está indo e por que sente tanto medo. Ela é procurada pelo Agente Jonh Smith (Zachary Quinto), uma espécie de Hitman reverso, ao mesmo tempo que o próprio Agente 47 a procura também. A partir daí começa a derradeira história de perseguição, tiros, assassinatos, reviravoltas e a busca pela exterminação do programa criado pelo pai de Katia.

O esforço do diretor estreante Aleksander Bach, do responsável pela edição Nicolas de Toth e do responsável pela fotografia Óttar Guðnason, foi alto. Não é fácil transformar um jogo em um filme com as cartas que ambos tinham na manga.

As cenas de ação são boas, muito disso por causa da edição e de sua fotografia. As coreografias das lutas foram mascaradas pela edição, com alguns movimentos parecendo duros e desajeitados. Não sei se o intuito era trazer o efeito similar das cutscenes do jogo ou se o foi o que deu para fazer.

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Os diálogos de Hitman e a sua postura é são clichês puros e todas as entradas e saídas de cena são triunfais. Eu sei que ele é assim no jogo, mas é necessário reforçar que para um filme não existe a necessidade de fazer isso em todas as cenas em que ele aparece ou vai dialogar com alguém.

Hannah Ware tenta se encontrar com a personagem durante todo o longa, mas a química com Katia Van Dees não acontece. Quem assistiu a atuação espetacular de Rebecca Ferguson em “Missão Impossível” vai sentir falta da mesma entrega e do mesmo carisma em Hannah.

O roteiro tem muitas pontas soltas e leva a trama de forma razoável e pouco interessante. Por fim, não é um filme de ação que deve chamar a atenção diante dos concorrentes de mesmo gênero. Contudo analisando isoladamente, ainda sim, é um filme muito melhor do que foi o primeiro, de 2007. Se você é fã da franquia, é uma boa dar uma conferida no filme, justamente para ter uma noção do que poderia ser melhorado, o que foi legal e o que poderia ter ficado de fora.

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Se você não é fã da franquia ou nunca jogou Hitman, as cenas de ação compensam o deslize que ele comete em outros setores. Mesmo assim a indústria cinematográfica precisa melhorar, e muito, nas adaptações de filmes oriundos de jogos de videogame. Certos títulos como esse, por exemplo, e tantos outros que estão por vir deveriam permanecer onde estão… Nos consoles da minha ou da sua casa.


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