O Grupo Baader Meinhof (2008)

Um achado de extrema esquerda na Netflix

Em tempos capitalistas, onde uma nação vai as ruas por muito mais que centavos, é quase que irônico achar um filme desse tipo no Netflix. A utopia idealista de uma guerrilha de esquerda nos anos 60 e 70. Um protesto em forma de filme.

Uma Alemanha como você nunca viu.

A história de Baader Meinhof é verídica em suas raízes. Assim como no filme, ela começa oficialmente quando o xá do Irã visita Berlim ocidental em junho de 1967, e um grupo de estudantes, protestando contra violações dos direitos humanos no país árabe, é recebido pela polícia e pela claque do xá com violência em forma de massacre.

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O “vandalismo” começa. Você já pode imaginar do que estou falando. Diante de uma vertente imperialista do estado alemão, que consequentemente marginalizava ou apoiava a marginalização de minorias, muitas vezes dizimando as mesmas em conflitos armados, um pequeno grupo radical revoltou-se contra uma série de injustiças institucionalizadas. A opção foi o confronto direto através de atentados.fazer blog

A mídia começa a manipular as pessoas, exceto uma jornalista.

Então conhecemos a “Fração do Exército Vermelho” em alemão “Rote Armee Fraktion”, O Grupo Baader Meinhof (2008) Um achado de extrema esquerda no Netflixabreviado para RAF, também conhecida como “Grupo Baader Meinhof” foi uma organização guerrilheira alemã de extrema esquerda, fundada em 1970, na antiga Alemanha Ocidental, e dissolvida em 1998.

Um dos mais proeminentes grupos extremistas da Europa pós Segunda Guerra Mundial, seus integrantes se autodescreviam como um movimento de guerrilha urbana comunista e anti-imperialista, engajados em uma luta armada contra o que definiam como um “Estado fascista”.

Ataques com bombas, ameaça de terrorismo e o medo de um inimigo infiltrado estremecem as fundações da ainda frágil democracia germânica.

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A RAF foi formada no início dos anos 70 por Andreas Baader, Gudrun Ensslin, Ulrike Meinhof e Horst Mahler. Durante seus 28 anos de existência, nos quais contou com três gerações diferentes de integrantes, o popularmente assim chamado Grupo Baader-Meinhof foi responsável por inúmeras operações de guerrilha e atentados na Alemanha, especialmente os cometidos no segundo semestre de 1977.

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Os filhos de uma geração nazista, lutaram uma violenta guerra contra aquilo que eles denominam a nova face do facismo: o imperialismo americano apoiado pelo establishment alemão, sendo muitos dos seus membros com passado nazista. O objetivo do grupo é criar uma sociedade mais humana, mas ao empregar membros desumanos, sangue e terror pairam pelo ar, perdendo eles assim sua própria humanidade e liberdade.

Prós:

Um filme qO Grupo Baader Meinhof (2008) Um achado de extrema esquerda no Netflixue mostra que tanto Alemanha ocidental e oriental teve e tem seus problemas.

A cena do protesto no inicio é brutal, te marca e te prende até o final (apesar de ser meio massante os primeiros 30/40 minutos) você sente vontade de saber o que vai acontecer, e permanece até o final.

Todas as cenas de violência são bem trabalhadas, além disso, noticiários e reportagens mostradas no filme, a ambientação dos anos 60 mostrando protestos e com a trilha da época são grandes acertos. E a sonoplastia é um acerto por si só.

A dualidade e a dureza da luta revolucionária, e a manipulação da mídia para uma revolução não ganhar a população. Onde os revolucionários não são colocados como heróis, nem totalmente como vilões, onde as cabeças do grupo são mostradas de forma bem humanizada, tornando assim possível até mudanças comportamentais durante o decorrer da trama.

O Grupo Baader Meinhof (2008) Um achado de extrema esquerda no NetflixO jornalismo de vivência, a liberdade de imprensa e a repressão que um jornalista que toma frente de um partido sofre. Tudo mostrado de uma forma bem crua. Te sensibilizando a ponto de querer escrever sobre e indicar o filme.

Com a adesão da jornalista Ulrike Meinhof, a RAF ergueu seus dois pilares: o da teoria e o da prática. Cada discurso inflamado de Ulrike vem acompanhado de temas clássicos do período, de Janis Joplin à Jimi Hendrix.

Contras:

Uma das primeiras cenas foi a que mais me incomodou, totalmente desnecessária no contexto, onde eram exibidas duas crianças nuas, com zoom e tudo em suas partes íntimas. O que poderia ser considerado arte, ao meu olhar foi considerado DESNECESSÁRIO, assim como outras cenas onde as mulheres pareciam mais pedaços de carne do que personagens.

O filme peca em alguns diálogos sobre imperialismo americano, em vários personagens que entram e saem sem menor desenvolvimento, e em uma certa “enrolação” no meio da trama.

Os guerrilheiros e seus ideais parecem muito mais frios do que realmente são. E apesar dos pesares, os ideais e as intenções do grupo sempre foram nobres, pessoas que tinham extrema vontade de mudar o mundo, nem que fosse na base do vai ou racha. Independente ou não de você concordar com suas ações, esse lado dos guerrilheiros precisam ser mostrados e compreendidos.

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Se o filme era sobre o grupo Baader Meinhof, mesmo tentando ser imparcial, o diretor falhou nisso. Principalmente no final, que se você for inteligente (e sei que é) irá pesquisar a veracidade dos fatos.

Por que assistir?

Apesar da romantização, o filme tem sim seus méritos e vale a pena ser visto. Seu contexto histórico é inegável, em 2008, dez anos após sua extinção, o filme foi lançado mundialmente e concorreu ao Oscar e ao Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira, pretendendo jogar luzes sobre o grupo e sua história para as gerações presentes e futuras. E foi exatamente isso que aconteceu comigo ao assistir.

Para finalizar, deixo uma das minhas citações favoritas:

“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o oprimem”.
Bertolt Brechfazer blog.

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