Homem Irracional (2015)

O existencialismo de Woody Allen

Aos 79 anos, Woody Allen não cansa de fazer cinema e questionamentos através dele. A última empreitada do diretor foi o filme Homem Irracional, um filme de 2015, com uma história envolvente e repleta de filosofia.

O diretor que costuma lançar pelo menos um filme por ano, dessa vez apostou em uma abordagem mais séria e crua sobre a existência humana. Com jazz moderno, cinismo, filosofia e base literária a história de Homem Irracional nos envolve de forma lenta, mas assim como em um bom livro, nos faz querer devorar mais páginas.

A fotografia é do iraniano Darius Khondji e mostra a bela cidade estadunidense de Newport, Rhode Island, onde o filme foi inteiramente gravado. Joaquin Phoenix é o protagonista da trama, mas não deixamos de notar a presença da bela Emma Stone.

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Em Homem Irracional, conhecemos Abe (Joaquin Phoenix – Her) um professor de filosofia que faz muito sucesso entre os alunos e professores com sua postura contestadora e despojada no meio acadêmico.

Oposto da realidade; Visto de fora um homem admirável, repleto de conhecimento e de sabedoria sobre a vida, sobre o certo e o errado. Na sua mente, onde o álcool e o suicídio são tentadores, também existe a depressão e a apatia. Uma verdadeira morte em vida.

Passando pelo existencialismo teórico de Kant, Beauvoir e Sartre, que são citados em sua aula nada formal, onde na maioria das vezes ele contesta pensamentos e justifica atos repulsivos com a necessidade humana de entender o certo e o errado. Afinal, se você faz algo ruim por um motivo maior, tudo bem. Não é?

O cinismo da trama é absurdo, como não poderia faltar em um filme de Woody Allen. Entretanto, somos embalados por um jazz moderno, que casa com a vida e angústia de Abe.

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Abe Lucas é admirado por duas mulheres; A professora Rita Richards (Parker Posey, Superman – O Retorno) e a estudante Jill Pollard (Emma Stone – Birdman) mas essa história não é sobre um triângulo amoroso, como algumas tristes sinopses informam. Ela envolve seus casos, de fato. Mas aborda muito mais do que isso.

Rita é uma mulher casada, intensa, já Jill é a típica aluna, que namora sério mas se encanta pelo intelecto do professor. Abe está desiludido com a vida, nem mesmo seus casos fazem com que ele se sinta vivo. Nem mesmo essas mulheres o motivam a nada. Ele não tem sede de nada.

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Homem Irracional é um filme sobre moral e ética. Mesmo não abordando explicitamente o assunto, em alguns momentos ficamos cientes disso. Quando não esperamos nada além do desânimo de Abe, o filme nos surpreende.

Em determinado momento da trama, ele toma uma decisão após ouvir uma conversa de estranhos; Ele decide matar um homem. E isso dá um novo significado para sua vida, planejando cometer aquilo que considera um ato existencial.

Existencialismo, literatura e Woody Allen. 

Homem Irracional foi claramente baseado em Crime e Castigo, clássico da literatura escrito por Fiódor Dostoiévski. Essa não é a primeira vez que o diretor nos surpreende inspirando-se em um clássico literário, ele já fez filmes inspirados em Guerra e Paz e Leon Tolstói.

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Joaquin Phoenix se mostra absurdamente ligado ao personagem, com barriga saliente e olhos que beiram ao vazio, ele interpreta Abe como se fosse sua própria trama. Enquanto Emma Stone, está absurdamente linda e jovial. Jill é a personagem certa de que a vida lhe reserva muitas coisas, inclusive um amor intenso e transformador.

Feito de angústia, por meio de uma narração pessoal de Abe; onde entendemos seus motivos e até compartilhamos de sua vontade de matar. nos tornamos seus cúmplices. Sua história foca principalmente no que é certo e errado para cada um. Até mesmo o ato de matar.

Uma trama que casa perfeitamente com os dias atuais, em um mundo violento, ganancioso, mesquinho e cheio de heróis da justiça com as próprias mãos, cheio de proibições e suposições sobre a vida do outro. Uma história que questiona:

Será que temos o direito de decidir quem vive ou morre?
Será que sabemos tudo sobre quem admiramos?

Assista e tire suas próprias conclusões sobre essa obra com tons filosóficos. Depois me conte o que achou, é claro. *Evite spoilers nos comentários, caso queira falar sobre insira uma tag para identificá-lo. 

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