Fora de Série (2019)

Um ‘Superbad’ com mulheres

Filmes colegiais sumiram do mapa, ainda mais aqueles no estilo de “Superbad – É Hoje” (2007), que além de feito grande  sucesso alavancou a carreira de muitos atores. Aguardava por outro filme que tivesse a mesma sintonia e do mesmo gênero, isso levou alguns anos, mas a surpresa veio por meio de “Fora de Série“, uma incrível homenagem que eleva o gênero ao novo patamar de perspectivas da juventude.

Apesar de ser lançado lá na gringa pela Netflix, o filme chegou a estrear  nos cinemas brasileiros com chance de atrair um público maior, uma aposta do estúdio.  Duas amigas, Amy(Kaitlyn Dever) e Molly(Beanie Feldstein), nerds de carteirinhas,  aquelas estudiosas de plantão durante todo os anos letivos no colegial, mas no último dia de aula quando percebem que seus esforçam não valeram de muito esforço pois os desajustados e relaxados do colégio também entraram em universidades renomadas, desacreditadas decidem extrapolar tudo em suas atitudes na última festa do ano.

Apesar de respirar a essência de “Superbad – É Hoje” (2007), aqui temos uma nova visão, dessa vez pelo olhar de duas mulheres, como antes a maioria desse gênero era focado no olhar masculino, isso traz um respiro como também proporciona um novo significado,  ao demostrar que ambos também têm suas esperanças, visões e desejam em algum momento explorar sua sexualidades em meio as oportunidades de algo que nunca viveram, pois estavam sempre na zona de conforto.

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A grande surpresa está nas atuações de Beanie Feldstein e Kaityln Dever, elas proporcionam ainda mais identidade em suas personagens, enquanto uma quer realizar as coisas sem pudor e espelhada no presente a outra ainda tem os pés presos e anseios das consequências, algo natural dessa idade, porém encontram um equilíbrio nas atitudes, o famoso Ying Yang.

Este é o primeiro trabalho de Olivia Wilde na direção, antes atuava na frente das câmeras, agora essa experiência é colocada em sua mãos ao comandar o filme com um olhar sentimental porém realista, que funciona também graças ao seu roteiro desempenhado pela visão de duas mulheres que compartilham essa sintonia. A profundidade está nos relacionamentos dos personagens, especialmente na perspectiva de trazer uma voz as mulheres, isso é perspectivo ainda mais no enquadramento das cenas sempre com o foque nos olhos para indagar questionamentos e surpresas do cotidiano.

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O visual do filme tem em sua marca o estilo dos anos 90 estampado, as situações são atuais, mas os lugares e cores perpetuam muita a nostalgia do passado.

Enquanto muitos do gênero focam em deixar ir e aproveitar a vida, “Fora de Série” é sobre evoluir e viver no presente, aceitar os caminhos e transparecer o amadurecimento e em descobrir a si mesmo. Este é aquele típico filme achado neste ano de 2019, mesmo tendo a comédia em sua identidade ainda explora novos horizontes, o que já o consagrada com um dos melhores do ano.

“Fora de Série” estreou nos cinemas do País em 13 de junho de 2019.


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