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Acima das Nuvens (2014) | Um filme para quem gosta de saborear belas atuações

O que esperar de um filme que une a tão criticada Kristen Stewart, com a elogiadíssima Chloë Grace Moretz? O diretor Olivier Assayas consegue reunir esses dois talentos, explorar os pontos certos de cada uma e guiá-las à sua mentora, Juliette Binoche (O Paciente Inglês) neste retrato fascinante sobre o estrelato e o tempo, que é “Acima das Nuvens (2015)”.

Um fato importante sobre esse filme, é que a resenha só funcionará depois que você assistir pelo menos um trailer. Então, antes de continuar a leitura, por favor, aperte o play:

“Acima das Nuvens” gira em torno de Maria Enders (Juliette Binoche), uma atriz cuja atuação numa peça intitulada “Maloja Snake”, há duas décadas atrás, fez dela uma estrela mundialmente conhecida. A peça (mais tarde adaptada para o cinema) conta sobre uma menina jovem e ambiciosa, Sigrid – interpretada por Maria – cuja beleza seduz uma mulher mais velha, Helena, e a leva ao suicídio.

Vinte anos depois do sucesso da peça, Maria conhece um jovem diretor que quer trazer “Maloja Snake” para os palcos de novo, em Londres. A ideia do rapaz é desafiadora: Maria retornaria à peça que fez dela quem é, mas vivendo o papel oposto daquele que viveu anos atrás. Agora a atriz daria vida a Helena, e seu papel original – de jovem e sedutora – é dado a uma atriz americana que vive nos tabloides, Jo-Ann Ellis (Chloë Grace Moretz).

Acima das Nuvens | Um filme para quem gosta de saborear belas atuações

A troca de papeis faz com que Maria entre em crise consigo mesma. Insegura, a atriz começa a temer por sua capacidade artística e pensar demais sobre os anos que passaram. Logo esse medo se transforma em raiva, e ela ataca a indústria, os filmes recentes e os jovens atores que, aos olhos dela, não são aptos de dar vida à arte. Com a ajuda de sua assistente pessoal, Valentine (Kristen Stewart), Maria tenta lidar com a realidade, sem perceber que seu relacionamento com Val se torna mais uma camada na complexidade do momento que está passando. Em certo ponto, este filme torna-se um estudo inteligente da personagem, com uma abordagem psicológica surpreendentemente convincente.

Acima das Nuvens | Um filme para quem gosta de saborear belas atuações

Enquanto a história se desenrola, o público mergulha na metalinguagem do roteiro. Em primeiro lugar, a sinopse da peça “Maloja Snake” pode ser considerada, também, uma descrição de “Acima das Nuvens”. Em segundo, através de diálogos e situações, os detalhes da relação entre Maria e Valentine vão, aos poucos, se espelhando no teatro. Mas é a chegada do próprio reflexo de Maria, Jo-Ann, que acrescenta mais detalhes sobre como “Maloja Snake” tem sua própria versão na mente de Maria.

Juliette Binoche está fantástica em todos os momentos e, embora eu não esperasse nada menos do que uma atuação espetacular, consegue transferir toda a complexidade das mudanças de humor de sua personagem para o público. Chloë Grace Moretz vem para reforçar tudo o que já é dito sobre ela: um talento incrível, com um futuro brilhante e capacidade de se adaptar a papeis desafiadores. Kristen Stewart realiza uma performance diferente, forte e encantadora. Embora eu acompanhe sua carreira há muito tempo e saiba que as coisas ditas sobre ela após sua atuação como “Bella” na saga “Crepúsculo” não passam de bobagens, acredito que nesta atuação ela conseguiu dar o passo que tanto almejava – deixar a famigerada saga para trás, de uma vez por todas. Por sua atuação em “Acima das Nuvens”, Kristen foi a primeira atriz americana na história a ser contemplada com o troféu de Melhor Atriz Coadjuvante no César Awards, considerado o prêmio mais importante do cinema Francês – e foi mais que merecido.

Acima das Nuvens | Um filme para quem gosta de saborear belas atuações

“Acima das Nuvens” não é um filme para assistir em qualquer ocasião. O longa não deixa de ser uma grande homenagem, bem como uma sátira inteligente para a indústria do entretenimento. Se você estiver com a cabeça no lugar e disposto a não apenas assistir, mas interpretar personagens complexos numa trama elegante e inteligente, gostará do que verá. Caso esteja procurando apenas entretenimento, diversão ou um passatempo, receio que esta não será a melhor escolha. O trabalho dessas mulheres e do diretor Olivier Assayas merece ser saboreado. Junto com Crepúsculo dos Deuses (1950) e Mapa Para as Estrelas (2015), este longa dá uma aula sobre os desafios de uma carreira em Hollywood.


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Escrito por Louise

Amo, respiro e me alimento de quadrinhos, acho completamente normal se envolver emocionalmente com personagens de séries e filmes, e já vou avisando: NÃO MEXA COM MEUS HERÓIS!

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