Proibido Ler Entrevista

Paolo Rivera – O ilustrador que deu nova vida ao Demolidor chega a Valiant

Da faculdade para a Marvel. Das pinturas e esculturas para os quadrinhos sequenciais. A carreira do jovem Paolo Rivera parece ser permeada por transições surpreendentes e desafiadoras, no entanto se você perguntar a qualquer fã da Marvel uma lista rápida de melhores artistas a desenhar o Demolidor nos últimos 10 anos o nome do ilustrador com certeza aparecerá entre os três primeiros. O jovem desenhista, pintor, colorista, escultor e roteirista ganhou imensa popularidade aqui no Brasil ao ilustrar a fabulosa fase mais recente do protetor da Cozinha do Inferno na Marvel escrita por Mark Waid.

O trabalho com o Chifrudo rendeu a Rivera e à equipe de Demolidor o prêmio Eisner (o Oscar dos quadrinhos para quem não está familiarizado) de melhor edição individual em 2012 (Daredevil #7), melhor série contínua de 2012 e um prêmio Harvey de melhor nova série em 2012. Então se você não leu este material trate de correr atrás. Além do magnífico trabalho em Demolidor, Paolo é responsável por edições memoráveis nos títulos do Homem-AranhaMotoqueiro FantasmaHulkX-Men além sua incrível colaboração com o autor Paul Jenkins na mini-série Mitos Marvel e seu imenso acervo de pinturas de divulgação para os filmes da empresa. Isso o torna um dos principais artistas trabalhando na Marvel  na última década.

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Demolidor e Homem-Aranha no traço de Paolo Rivera.

No meio de 2014 Paolo se juntou à dupla de roteiristas Matt Kindt Jeff Lemire para produzir a mini-série principal da editora Valiant em 2014 / 2015. Um arco épico envolvendo todo o elenco da editora singelamente chamado The Valiant que em breve chega ao Brasil através da editora HQM (que publica todo o material da Valiant no território nacional).

Após o final de seu trabalho em The Valiant, conseguimos um tempinho na agenda lotada do artista para conversar e aqui ele nos conta sobre o seu processo criativo durante este trabalho, sobre as diferenças entre as editoras em que trabalhou e sobre seus planos para o futuro.

PROIBIDO LER: Ok. Você pode descrever resumidamente a história em The Valiant para o público não familiarizado?

PAOLO RIVERA: A história envolve quase todo o Universo Valiant, mas o foco tende para O Guerreiro EternoBloodshotKay McHenry (A Geomancer), com um pouco de Ninjak. Todos se unem para combater o Inimigo Imortal, uma força da natureza que aparece a cada 500 anos mais ou menos e aterroriza o planeta.

PL: Você teve de desenhar um elenco imenso de personagens nesta mini-série, especialmente na terceira edição. Muitos artistas afirmam que elencos grandes são difíceis. Foi desafiador gerenciar um elenco grande assim?

RIVERA: Foi bem difícil pra mim, mas ainda consegui terminar (quase). É duro fazer esta quantidade de personagens desenhados da maneira correta, especialmente se você não está totalmente familiarizado com eles. Eu sempre acabava esquecendo algum detalhe nos uniformes e tinha que voltar e redesenhar.

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O design grotesco do Inimigo Imortal em “The Valiant”.

 PL: Você fez o trabalho de arte totalmente digital nesta edição, estou certo? Muitos artistas dizem que isso agiliza bastante o trabalho. Isso se aplicou a você?

RIVERA: Na verdade eu fiz (a arte) de maneira híbrida. Na primeira edição desenhei umas cinco páginas da maneira tradicional. Enquanto no restante da série foi mais ou menos 2/3 da maneira tradicional de desenhos. Eu colorizo tudo digitalmente, o que facilita na hora das revisões. Definitivamente é mais rápido, por isso algumas páginas eu fiz 100% digitalmente. Eu gasto mais ou menos o mesmo tempo desenhando e finalizando digitalmente do que desenhando da maneira tradicional. Então deixo a parte digital para as páginas particularmente mais complicadas: quadros abertos grandes, construções… Qualquer coisa que seja mais detalhada.

PL: Você está trabalhando com Matt Kindt e Jeff Lemire em The Valiant. Como esses caras se diferenciam em relação aos outros autores com os quais você já trabalhou?

RIVERA: Eu tive o prazer em conhecê-los em Nova York durante a metade do meu trabalho na série. Eles foram sensacionais de se trabalhar e bastante abertos a mudanças que eventualmente foram feitas. Quanto aos outros roteiristas, a experiência não foi assim tão diferente. Como artista, você quase sempre recebe um roteiro finalizado e parte daí em diante. E como é uma história já bem lapidada, não há muito o que fazer a não ser interpretar o roteiro que eles fizeram.

PL: O visual da forma final do Inimigo Imortal é absolutamente lindo, mas acho que Mr. Flay rouba as cenas quando aparece. De onde você tirou aquele design?

RIVERA: Eu basicamente só li o roteiro e desenhei o que eles me diziam ali: Um velhinho super assustador em um smoking com um rosto que se abre em dois e revela um crânio. A parte mais fácil é que ele é um transmorfo, então eu fui tendo ideias melhores de como representá-lo a medida em que a série avança e não precisei mudar o que eu já havia feito anteriormente. Eu gostaria que todos os personagens fossem transmorfos.

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Pintura dos Vingadores na série Mitos Marvel.

PL: A edição número três de The Valiant  meio que resume a mini-série para mim com as grandes cenas de batalha e os momentos mais pessoais entre Bloodshot e Kay McHenry. As expressões faciais são lindas em ambas cenas. Que tipo de cena é mais complicada de desenhar: As íntimas e mais pessoais ou as épicas cenas de batalha?

RIVERA: São “animais” completamente diferentes. Se eu tivesse que escolher eu diria que as cenas de batalha são mais fáceis pois elas são basicamente feitas para fazer tudo parecer legal ao invés de fazer sentido. Quando as coisas se acalmam (nas cenas mais pessoais), você tem que se concentrar no que realmente está acontecendo nos quadros. Eu definitivamente gosto dos dois tipos. Eu gosto de variedade.

PL: A Marvel foi seu primeiro trabalho na indústria, certo? Você pode comparar o trabalho na Marvel com a Valiant?

RIVERA: Tecnicamente meu primeiro trabalho foi com Jim Krueger e ele depois conseguiu um emprego para mim na Marvel. Meu primeiro trabalho profissional foi uma escultura de um busto da Mística para a Dynamic Forces (Empresa de colecionáveis). Isso (a escultura) levou um bom tempo para ficar pronto no entanto, então a Marvel foi o primeiro trabalho profissional que eu de fato consegui finalizar. Trabalhar para a Valiant é basicamente a mesma coisa que para a Marvel – eu inclusive trabalho com alguns dos mesmos editores em ambas empresas.

PL: Eu conversei com os editores que publicam o material da Valiant aqui no Brasil e eles perguntaram quando você vai desenhar uma mensal da editora? Todos gostam tanto do seu trabalho que gostariam que você ficasse em um título por três anos seguidos direto (risos)…

RIVERA: Eu lamento dizer isso, mas isso nunca irá acontecer. Fazer somente quatro edições já me desgasta muito. Eu adoraria fazer um novo arco para eles (Valiant) em algum momento, mas quadrinhos mensais não são para mim. Eu acho que muitas pessoas não se dão conta de como é duro o trabalho de quem desenha quadrinhos mensais. Não é algo que eu poderia fazer.

PL: Se você fosse trabalhar em outro gibi da Valiant você teria algum favorito? Por favor diga “Quantum & Woody” (risos)…

RIVERAQuantum & Woody. Ou talvez X0-Manowar. Eu sou vidrado em ficção científica.

PL: Sempre conto a sua história quando encontro novos artistas para encorajá-los. Eu digo “Esse cara foi a uma convenção em Orlando e conheceu Jim Krueger e Alex Ross e ele era um pintor tão bom que conseguiu construir um portfólio fazendo artes para esses caras e posteriormente arranjou um emprego na Marvel. Então trabalhem duro e tentem falar com as pessoas em convenções e eventualmente vocês conseguirão também”. Você conhece história similares a sua?

RIVERA: É bem difícil generalizar. Existe uma história diferente para cada artista, mas todos eles compartilham da mesma tenacidade. É sempre uma combinação entre fazer um bom trabalho, encontrar um jeito deste trabalho ser visto por alguém e ter um pouco de sorte.

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Poster promocional limitado de “Homem de Ferro 3” por Paolo Rivera.

 

PL: Ainda nos velhos tempos… Você se lembra de como foi a transição de pintor para desenhista de quadrinhos? O fato de seu pai (o arte-finalista Joe Rivera – que finaliza grande parte das artes de Paolo) trabalhar na área te ajudou nesta transição?

RIVERA: Isso se deu por necessidade. Eu era um pintor muito lento para me sustentar com esse emprego. Minha renda duplicou no momento em que mudei para arte-finalista. Meu pai na verdade não me ajudou diretamente naquele ano, mas me ensinou como finalizar com nanquim quando eu era criança. Eu tive sorte pois meu editor na época, Stephen Wacker, estava aberto a essa ideia e me ajudou durante o processo de transição. Eu acho que ele talvez tenha até sido a pessoa que me sugeriu (a começar a desenhar) após ver uma ilustração que fiz.

PL: Você escuta música para trabalhar? Que tipo?

RIVERA: Quase sempre. Todos os tipos de música. Minha tendência é acabar escutando algum tipo de música mais indie. Eu nem sei como classificar. Bandas tipo Blonde Redhead. Isso é Alternativo? (risos) Mas eu também gosto de hip-hop e coisas desse gênero. Para ser honesto eu passo bastante tempo escutando audiobooks.

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O Guerreiro Eterno é um dos protagonistas em “The Valiant”

PL: O que você faz quando não está trabalhando? Não diga “durmo” (risos)

RIVERA: Durmo (risos). Você pode olhar minha agenda. Eu estou tirando um final de semana de folga neste momento, mas isso é uma coisa muito rara. Eu raramente saio de casa.

PL: Então, após The Valiant (e um pouco de descanso) (risos) você planeja voltar a seu graphic novel de ficção científica? Ou você tem alguma outra coisa planejada?

RIVERA: Ufa! Vamos ver. Eu quero muito (voltar a escrever a graphic novel), mas existem muitas outras coisas na minha vida que tenho que balancear. Eu quero continuar fazendo capas, eu quero manter meu pai bastante ocupado e talvez fazer trabalhos com posters. Mas nunca há tempo o suficiente!

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Agradecemos a Paolo Rivera pela entrevista. Em breve a resenha completa de The Valiant aqui no PROIBIDO LER.

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