Hércules (2014)

Resenha

Mais uma história sobre o tão famoso filho de Zeus, aliás muita gente só conhece ele mesmo, por isso o “famoso” no início da frase. Quando se fala de Hércules eu lembro de duas coisas: O desenho da Disney e a série dos anos 90, aquela que passou no SBT e na TV Record.

Mas eu fui ver qual era desse novo Hércules, mais um filme, pois neste mesmo ano tivemos o “The Legend of Hercules” com Kellan Lutz, filme que foi mutilado pela crítica.

Nesta quinta(05-09) estreou o filme da vida do Dwayne Johnson mais conhecido como “The Rock”. Sim, este filme é o papel que ele sempre quis interpretar, tanto é que o próprio diretor, Bret Ratner (X-Men: O Confronto Final, franquia a Hora do Rush) em uma declaração à Rádio Jovem Pan disse, “ele entrou na minha casa, sentou-se no sofá, me olhou nos olhos e disse: ‘nasci para interpretar Hércules’”. Então, ele deu o sangue e o suor pra viver o herói grego nas telonas.

Ele até fez isso muito bem, mas o roteiro não ajudou. Esse era para ser um filme contando algo um pouco além dos 12 trabalhos de Hércules(ou Héracles), mas no filme mau se vê dois, são eles:

1- Matar o leão de Nemeia – Hércules o estrangulou.

4- Acabar com um javali selvagem gigantesco – Hércules capturou vivo o javali de Erimanto.

E um terceiro que fez da sua vida um grande pesadelo por todo o filme:

12- Capturar o cão de três cabeças Cérbero, guardião dos portões do inferno – Hércules capturou o cão, que, além das três cabeças, tinha cauda de dragão e pescoço de serpente.

Dali em diante nós vemos um Hércules mercenário, um herói desacreditado que tem uma fama propagada por seu sobrinho marketeiro, Iolau (Reece Ritchie), essa fama é tão propagada que acaba tendo efeito de telefone sem fio.

Hércules (2014) | Resenha

Eu achei uma verossimilhança enorme entre os dois

No início, eu tive que me acostumar com o The Rock de cabelo grande e naqueles trajes, confesso que nas primeiras cenas eu lembrava muito de “Hermanoteu na Terra de Godah”, comédia da cia “Os Melhores do Mundo”. Pode dar risada, mas infelizmente era o que eu conseguia lembrar nos primeiros momentos do longa. Isso se deve ao fato de todos os filmes, o cara ser aquele brutamonte careca que dá porrada em todo mundo. Tudo bem que neste filme ele também faz isso, mas ele está diferente do que costumava ver, então fica difícil mesmo! Depois de algumas cenas eu consegui tirar essa coisa da minha cabeça e tudo transcorreu normalmente.

Hércules (2014) | Resenha

Hércules e sua gangue

O filme é baseado na minissérie em quadrinhos chamada, Hercules: The Thracian Wars que mostra a vida de Hércules depois dos seus 12 trabalhos. Por causa dessa fama propagada por muitos, ele foi chamado pelo rei de Trácia para acabar com o exército inimigo em troca de ouro, esse era a motivação dele. Hércules andava em bando, algo que eu achei muito bacana, pois o foco não era só nele, mas também nos outros 6 guerreiros. Eles eram um time, o que fazia de Hércules algo mais humano ainda, ou seja, não precisavam apenas dele para decidir tudo, era necessário ter um time para ganhar o que estivesse em jogo. Em muitos momentos esse time é que salva o filme, todo alívio cômico estão nas cenas com todos eles trabalhando em conjunto. Detalhe para seu braço direito Tydeus (Aksel Hennie), um guerreiro que luta com dois machados e é tão insano que precisa ser acorrentado à noite. Ele consegue dar um outro tom ao filme também.

Mas tem muita gente que acha, que alívio cômico em filme épico é bom e outros acham que muita piadinha faz o filme perder a seriedade. Confesso que eu prefiro o alívio, ele serve justamente para isso, dar a quebrada no gelo para todo mundo seguir adiante mais leve que o ar.

A fotografia do filme principalmente nas cenas escuras são ruins, tive que me forçar para distinguir as coisas nessas tomadas, mas em relação as cenas de ação seguiu muito bem. O filme tem um 3D bem legal, logo no começo dá pra perceber que investiram muito neste artifício.

As cenas de combate não são as melhores de um filme épico, mas, pelo menos, é bem melhor se compararmos ao filme Pompeia. Hércules e seu time tem um bom sincronismo, eles deram o “Q” a mais desse épico.

Hércules (2014) | Resenha

Mas em relação ao herói grego, a ênfase que deram foi o lado mais humano, mostraram como ele carrega mais a questão do “semi” do que do “Deus” dentro de si durante todo o filme. Muito disso está relacionado ao fardo que ele carrega por consequências de suas escolhas no passado, além do fardo ele vive certas vezes atordoado por pesadelos e visões do seu próprio medo, deixaram as fraquezas dele muito exposta para tentar dar o ar de humanidade ao mito. E muito nos faz pensar que ele é como qualquer outro ser humano que carrega seus problemas, suas mágoas, pesadelos e claro, o fardo de suas escolhas. E tudo isso fica pequeno perto dos 12 trabalhos, parece que a provação maior é ele acreditar nele mesmo, acreditar que ele não faz parte de uma lenda e sim da realidade. Como qualquer outro ser humano que muitas vezes não consegue atingir determinado objetivo por não acreditar em si mesmo.

Hércules (2014) | Resenha

Tirando o viés das dificuldades em ser um semideus, o filme é previsível e não empolga em certos momentos. Tanto é que o orçamento esteve na casa dos 100 milhões de dólares e até o momento arrecadou apenas 68 milhões em bilheterias, o que torna o filme um “fracasso”. Muitos culpam o diretor e o roteirista, outros acreditavam que por ter o “The Rock” como protagonista seria um atrativo para o público, mas como diz o ditado, uma andorinha só não faz verão. Ou seja, por mais que a atuação dele tenha sido ótima, para se ter sucesso precisa de um todo e não de alguém para “salvar” uma produção.

O filme entrega bem a premissa do mito, mas fica nisso. Vale o ingresso? Se você for ao cinema sabendo que o que você vai ver um blockbuster, sim vale. Mas se você for esperar muito de referências mitológicas e de algo mais aprofundado é melhor ficar com os livros de mitologia.


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