Capitão América 2: O Soldado Invernal (2014)

Um filme para agradar fãs de cinema e quadrinhos

A construção de filmes sobre super-heróis não é algo fácil. A galera que não acompanha quadrinhos, se vê extasiada, mas os fãs de hqs sofrem muitas decepções e não economizam nas críticas. É difícil agradar a gregos e troianos, mas quem lê hqs quer ver seu herói brilhar nas telas de cinema assim como brilha nos quadrinhos, e o filme que melhor desempenhou este papel, até agora, é Capitão América 2: O Soldado Invernal.

Steve Rogers vive uma dura batalha contra sua própria mente, que tenta se adaptar ao mundo moderno depois de ter crescido em 1930, lutado na Segunda Guerra Mundial, perdido seu grande amor, ficado congelado por mais de 60 anos (além de ser um ancião que ainda não perdeu a virgindade) e, ainda por cima, ter uma puta decepção no trabalho. Essa batalha é elevada ao extremo quando ele dá de cara com Bucky, seu amigo de infância e parceiro de batalhas, cuja morte não tinha sido superada pelo Capitão.

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O Capitão América ama o Soldado Invernal com todas as forças de seu coração.

Capitão América não é um super-herói, ele é um soldado. Ele cedeu o próprio corpo pelo país, arriscou sua vida em batalhas e se tornou o porta-voz de sua nação, mas sempre com a personalidade do soldado: cumprir ordens, proteger seus parceiros e lutar pelo bem maior. O que fez dele um super-herói, foram os grandes feitos que ele executou, mas ele mesmo não se vê como herói. Ser um eterno soldado e veterano da Segunda Guerra Mundial é o que torna ele o líder dos Vingadores.

Aliás, falando em Vingadores, a linha do tempo dos filmes é:

1) Capitão América: O Primeiro Vingador
2) Os Vingadores
3) Capitão América 2: O Soldado Invernal

Fazendo uma análise baseada no personagem dos cinemas, acredito que a Marvel esteja devendo algumas respostas. Se não tivesse Os Vingadores, eu entenderia perfeitamente a depressão de Steve Rogers, mas como explicar a mudança drástica de comportamento dele? Em Os Vingadores, Steve está confuso, logo na primeira cena ele derruba um saco de areia com socos, pensando no passado. Mas, bastou entrar na nave da S.H.I.E.L.D. que ele voltou a ser o soldado que sempre foi, tendo até alguns momentos cômicos. Logo depois, assume a liderança do time e salva o planeta, terminando o filme aparentemente de boa. Seria a falta de batalhas que deixou o Capitão triste? NÃO! Ele tá trabalhando com a Natasha Romanoff pra S.H.I.E.L.D., digamos que batalhas não faltam, né? Afinal, o que deixou o Capitão TÃO abatido de um filme pra outro?

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Voltando ao Soldado Invernal, o roteiro do filme eleva o nível de todos os personagens. Nick Fury mostra, de uma vez por todas, o motivo de ser o grande nome por trás da S.H.I.E.L.D. A Viúva Negra, que se tornou uma das favoritas desde sua estreia nos cinemas em Homem de Ferro 2, está sarcástica, absurdamente inteligente e exuberante, mas também mostra seu lado humano e até mesmo algumas fragilidades inesperadas em certos momentos. O Falcão, que divide com o Capitão a mentalidade de soldado, a experiência em batalhas e a dor de perder um parceiro, não pensa duas vezes na hora de ser o braço direito que Steve Rogers precisa, como se um tentasse completar o outro, compartilhando emoções e se esforçando na luta.

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Nem sei por onde começar a falar sobre o Soldado Invernal. Bucky é uma máquina mortífera, o assassino perfeito: sem voz, sem sentimentos, sem lembranças e sem dó. Nos momentos que ele aparece, você tem um mini ataque cardíaco. A força, a luta, a habilidade com armas de fogo e armas brancas, a frieza e a obscuridade fazem dele um dos maiores vilões do cinema, podendo ser comparado ao Coringa de Batman: O Cavaleiro das Trevas. Você torce pra ele aparecer. Você quer vê-lo em ação, quer que ele tome conta do filme, mas ele só vai aparecer nos momentos exatos.

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Um ponto que li em várias resenhas já feitas é a exaltação da seriedade do filme, em comparação aos outros. A maior característica dos filmes da Marvel é o humor, que é facilmente compreendido pelo público das hqs e adorado pelo público do cinema: é a personalidade dos caras. Não existe possibilidade de haver um filme do Homem de Ferro onde Tony Stark seja um cara sério, não seria ele. Os filmes do Thor também adotam uma postura mais engraçada, mas é exatamente o que faz de Loki um dos vilões preferidos do cinema. Os Vingadores não poderia ser diferente, já que temos Tony Stark no elenco, Viúva Negra naturalmente sarcástica, Loki tentando se auto-afirmar como deus, mas virando uma piada. Mas, se você acredita que Capitão América 2: O Soldado Invernal é o único filme sério da Marvel, talvez esteja perdendo algumas histórias, porque lá em 2008 tivemos o filme solo do Hulk, que não teve NADA de humor. REPITO: não dá pra mudar a personalidade dos personagens.

Capitão América 2: O Soldado Invernal é, sem dúvida, um dos melhores filmes do Universo Marvel, com boas referências das hqs e as modificações necessárias para o cinema. Muita luta, muitas explosões, muitos conflitos e emoção. Não esqueça das cenas pós-créditos, que são o beijo de despedida nos fãs, preste atenção na cena do Stan Lee (não façam como o Rodox que foi no banheiro EXATAMENTE na hora da aparição do bom velhinho) e aproveite os easter eggs do filme, para refletir sobre o que vem pela frente.


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Por Louise


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