O Pequeno Príncipe (2015)

O essencial sendo visível aos olhos e cativando corações

Adaptar uma obra literária de sucesso para o cinema é uma tarefa desafiadora. Ainda mais se essa obra for O Pequeno Príncipe, história que foi – e continua sendo – um sucesso mundial, com pouco mais de setenta anos de lançamento.

Você não precisa ter lido o clássico para conhecer a história, fragmentos dela estão por toda a internet. O Pequeno Príncipe é o segundo livro mais traduzido do mundo, disponível em mais de 250 idiomas.

No cinema, a história teve uma clássica adaptação – altamente recomendável – dirigida por Stanley Donen, em 1974, que contou com nomes como Bob Fosse e Gene Wilder. Na TV, fomos contemplados com “As Aventuras do Pequeno Príncipe” uma série de animação japonesa lançada no final da década de 70.

Como nem só de coisas boas vivem as adaptações… Existe uma continuação (daquelas que ninguém pediu): “O Retorno do Jovem Príncipe”, um livro de Alejandro Guillermo Roemmers. A trama aborda o retorno dele à Terra, com um ar bem religioso.

Direto ao ponto

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O Pequeno Príncipe (2015) nos transporta ao coração da obra original. A animação aborda o impacto dessa história cativante em nossa vidas.

Dirigida por Mark Osborne, diretor de “Kung Fu Panda”, com roteiro escrito por Irena Brignull e Bob Persichetti, O Pequeno Príncipe traz vozes de famosos como James Franco (raposa), Marion Cotillard (a rosa) e Benício Del Toro (a cobra). E não peca na versão brasileira, onde as vozes ficam por conta de ótimos atores: A menina (Larissa Manoela – Maria Joaquina da novela Carrossel), Marcos Caruzo (o Aviador) e Mattheus Caliano (O Pequeno Príncipe).

Se você está pensando que vai ver mais do mesmo, saiba que o personagem principal da animação não é o Pequeno Príncipe, e sim uma adorável garotinha.

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O diretor inventa uma história ao redor do conto e decide que o aviador sobrevive para contar sua história. Em forma de crítica à sociedade moderna e consumista, que esquece o verdadeiro valor das coisas para possuir coisas sem valor emocional. A animação O Pequeno Príncipe é uma verdadeira metáfora que nos mostra que nunca devemos esquecer a criança que fomos um dia.

O livro ganha vida com maestria

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A menina e sua mãe são apresentadas no mais avançado estilo de animação CGI. Mas é de encantar os olhos a riqueza do história original sendo preservada, incluindo as ilustrações do próprio Saint-Exupéry. Quase 250 pessoas trabalharam na animação, onde foram usadas duas técnicas: as imagens em 3D produzidas por computação gráfica e stop-motion, onde pequenas figuras de papel são filmadas e animadas quadro a quadro.

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Segundo os produtores, foi utilizada uma técnica mais tradicional, permitindo assim fidelidade ao texto e aos desenhos de Saint-Exupéry. A animação é um espetáculo visual que mistura simplicidade e profundidade. O uso de stop-motion com personagens realmente feitos de papel, dá vida a nossa imaginação e ao livro que adoramos.

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A música do filme é composta por Hans Zimmer. Destaque também para o belíssimo cover de Lily Allen da música “Somewhere Only We Know”, canção que embala perfeitamente o sentido que somos conduzidos pela história.

A história

Inicialmente conhecemos uma garotinha determinada e estudiosa. Filha de uma mãe solteira e autoritária, que deseja mais que tudo que a filha se torne uma mulher bem sucedida. Para isso ela é capaz de fazer tudo, inclusive traçar um plano de vida para a menininha. Elas acreditam em um essencial diferente, baseado em sucesso. Alguma semelhança com nossa atual sociedade? Inúmeras!

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A história realmente começa quando elas mudam de residência, em busca de uma chance em uma das escolas infantis mais conceituadas do lugar. Elas acabam indo para um bairro nobre, pela condição financeira elas só conseguem alugar um imóvel ao lado de uma casa bem peculiar, infestada por pássaros.

Logo no primeiro dia, os planos de tranquilidade e estudos vão por água abaixo quando elas conhecem o novo vizinho. Ou melhor, quando ele “aterrissa” o avião no quarto da menininha. Já consegue captar quem ele é? O senhor atrapalhado, que não consegue decolar e invade a casa? O aviador, narrador do livro O Pequeno Príncipe.

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A história começa a se encaixar, e encaixar a história de O Pequeno Príncipe dentro dela. Na animação, o aviador apresenta a história do livro para a menina, gerando um impacto profundo em sua forma de ser e agir. Fazendo ela questionar os valores essenciais. Se a mensagem principal do livro é que nunca devemos esquecer a criança interior, a da animação só contempla isso.

O aviador passa seu tempo livre observando as estrelas com seu telescópio. Até notar que sua pequena vizinha não faz nada além de estudar em seu quarto. Ele envia um avião de papel no qual escreve as primeiras linhas de uma história, e assim como conhecemos o livro e nos encantamos, a menina devora as páginas – a princípio com certa relutância – se apaixona pelo princepezinho e cria um laço forte com o novo amigo.

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Se você acha que isso é o suficiente, pode esperar muitas surpresas.

A história não se prende apenas aos acontecimentos do livro ou a descoberta da história pela protagonista. Em determinado momento, ela se revolta com o livro – assim como muitos leitores – e com o aviador. Desta forma, o filme toma um rumo inesperado, decola em sua própria aventura, com um final que deixou meus olhos cheios de ciscos. Sabe como é?

Se você quer saber o que aconteceu, eu é que não estragarei a surpresa te contando toda a trama. 


“Difícil de adaptar, ela é íntima e frágil e a inteligência de Mark Osborne foi inserir o romance em uma história mais ampla”, explicou Dmitri Rassam, o coprodutor francês do filme com Anton Soumache.

O diretor declarou que se aproximou do filme como um enigma a ser resolvido. “A grande questão era como você pode fazer uma experiência cinematográfica paralela ou igual à experiência emocional muito profunda da leitura do livro?”

A animação custou 57 milhões de euros e sua ideia surgiu há 10 anos na cabeça de Dimitri Rassam, que levou mais 5 anos para concluir o projeto e resolver os acordos legais da obra.

Muitos se deixaram cativar pela história de O Pequeno Príncipe ao longo da vida. E essa animação nos conta exatamente isso: o momento em que somos cativados por ele.

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A animação O Pequeno Príncipe, está sendo distribuída pela Paris Filmes. E chega aos cinemas brasileiros, dia 20 de agosto de 2015.

Se eu fosse você, correria para assistir. Essa é minha aposta ao Oscar de melhor animação do próximo ano. E mesmo se não levar o prêmio para casa, pode apostar que ela vai cativar você.


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