Liga da Justiça: Ponto de Ignição (2013)

A formidável complexidade de uma realidade distorcida

Liga da Justiça: Ponto de Ignição é um filme animado responsável por iniciar e, ao mesmo tempo, rebootar o universo de animações da DC Comics. A animação é uma adaptação da história em quadrinhos “Flashpoint Paradox”, escrita por Geoff Johns e Andy Kubert, que foi responsável por rebootar todo o universo em quarinhos da editora norte-americana. Assim como nas revistas, o filme apresenta uma temática certamente incrível: as consequências de se mudar a linha do tempo.

Todos nós queremos – ou já quisemos – uma chance de voltar no tempo e mudar algumas coisas. Para o herói Flash, essa oportunidade é algo real. Quando garoto, Barry Allen teve sua vida despedaçada quando sua mãe foi vítima de um violento crime que resultou na prisão de seu pai. Contextualizando aos tempos atuais, no aniversário da sua já falecida mãe, Barry Allen decide cruzar a linha espaço-temporal usando sua super-velocidade para tentar e conseguir mudar aquele trágico dia. E assim surge o incrível enredo que move animação.

Liga da Justiça: Ponto de Ignição (2013) | A formidável complexidade de uma realidade distorcida

Barry Allen é apresentado e desenvolvido de forma constante e agradável. Suas intenções de mudar o passado, apesar de serem boas, geram repercussões consideravelmente desastrosas. É incrível como o personagem expressa de forma nítida suas motivações, de forma a impactar quem assiste a animação. Digno de nota que, para quem não possui o costume de acompanhar os títulos em quadrinhos do Flash, as reais motivações do personagem podem ser inicialmente confusas e voláteis, já que o resultado do arco Flashpoint Paradox deriva dos eventos do arco O Dia Mais Claro.

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Em uma nova realidade distorcida, a introdução do destemido e violento Batman enfatiza o quanto um sutil ato – o fato do Flash ir para o passado – pode complicar e desestabilizar todo um universo. O personagem Batman se mantém sombrio e sem senso de confiança em qualquer pessoa que seja, algo já característico do personagem. Entretanto, seu nível é bem mais extremo e brutal em comparação a que sua versão habitual, o tornando tão agradável quanto tal versão. Sem contar que o fato deste Batman ser Thomas Wayne, pai de Bruce Wayne, só torna evidente que no fim das contas, justiça é o real negócio da família Wayne.

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A feroz guerra vigente entre os Atlantes e as Amazonas se desenvolve com maestria. Ter dois dos mais poderosos membros da Liga da Justiça em confronto por territórios e até mesmo direto, acabou por acrescentar o tom certo de realidade distorcida e caótica. E de fato, a animação em si não procurou estabilizar esses dois personagens, Aquaman e Mulher Maravilha, como sendo antagonistas ou não. Afinal, como implacáveis e brutais líderes de dois grandiosos povos, suas ações foram exercidas naturalmente.

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A animação, assim como nos quadrinhos, se preocupa em referenciar diretamente personagens do universo habitual, apresentando, mesmo que sem muito desenvolvimento, suas versões distorcidas. É possível testemunhar um Superman fraco, um destemido Hal Jordan que nunca chegou a ser digno de se tornar um Lanterna Verde, um Shazam que precisa de mais de uma criança para ser despertado, além de habituais vilões sendo membros heroicos da nunca formada Liga da Justiça.

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O Flash Reverso teve um desenvolvimento formidável, mesmo que tendo uma participação relativamente fraca em questão de aparições. Seu lado psicótico manipulador, de ódio verdadeiro e obsessivo para com seu nêmesis é evidenciado durante todo o seu desenvolvimento, o tornando impactante e demonstrando como um verdadeiro antagonista não teve responsabilidade alguma nos eventos ocorridos.

Sua presença na animação como alguém que simplesmente estava apreciando o caos e a distorção criada pelo seu próprio heroico adversário é algo que faz jus à formidável reputação do personagem no universo do Flash e, até mesmo, no universo DC como um todo.

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Liga da Justiça: Ponto de Ignição possui um roteiro admirável, explorando de maneira agradável questões físicas e meta-físicas dos personagens envolvidos. Assim como a resolução de ideologia e combates impactantes envolvendo reviravoltas e apresentando a dose de ação corretamente.

Apesar de boa parte do conteúdo do arco de quadrinhos não ser explorado, a animação se manteve fiel resultando em um longa prazeroso de se assistir e acompanhar a cada frame, tendo um desenvolvimento impecável à medida que os sentimentos de agrado e satisfação permanecem no decorrer e finalização da mesma.


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