Bohemian Rhapsody (2018)

Um filme do tamanho do Queen

Falar por falar da banda Queen é algo comum, mas dificilmente você vê alguém comentando sobre uma das maiores bandas de todos os tempos sem estar travestido de amor. É comum ver em qualquer pessoa falando da banda, um pouco de emoção impostas nas palavras, seja sobre as canções ou apenas pela trajetória do ícone Freddie Mercury.

Agora, pensa na responsabilidade que Bryan Singer teve ao retratar numa cinebiografia em pouco mais de duas horas de duração, tudo o que o Queen representa para o universo em que vivemos. Não é fácil, não foi fácil, e acredito que neste filme ele conseguiu emular de forma satisfatória todos os pontos mais importantes da trajetória da banda e também da vida de quem mais chamava a atenção nela.

Com roteiro de Anthony McCarten e Peter Morgan, Singer mostrou o inicio da vida de Freddie (Rami Malek) trabalhando em um aeroporto, os momentos em que ele parava para compor, a forma como ele conheceu  Brian May (Gwilyn Lee), Roger Taylor (Ben Hardy) e John Deacon (Joseph Mazzello); e como mudaram o mundo da música para sempre ao formar a banda Queen, durante a década de 1970. Assim que alcançam o auge, aparecem os conflitos e o declínio da vida de Mercury. Os exageros no uso de álcool e das drogas, a descoberta de ser soro positivo, seus momentos de resignação e a retomada da carreira até a chegada do Live Aid. O momento histórico do Queen, da vida de Mercury e da ajuda humanitária envolvendo artistas de todo o mundo.

Desde as primeiras imagens divulgadas das filmagens de Bohemian Rhapsody, os espectadores foram alimentados por um expectativa fora do comum. Rami Malek estava a cara do cantor, aliás, digo mais, parecia que era o Mercury incorporado. E a constatação se deu apenas observando algumas poucas imagens. Com a chegada do primeiro trailer, veio a certeza de que tinha tudo pra ser um filme grandioso. Afinal, tudo que carrega cancões do Queen é maravilhoso. O trailer de Esquadrão Suicida (2016) explica isso muito bem. Bohemian Rhapsody conseguiu manter a expectativa onde eu a deixei, lá em cima. Ele mostra de uma forma bem ampla, tudo o que precisamos saber do Queen e de Mercury (se é que quem foi a sala de cinema já não sabia muita coisa da vida do cara), mas trouxe também aquelas curiosidades que gostamos como a construção das músicas mais importantes, como era a cabeça pensante de Freddie, como ele se relacionava com a banda e como ele deu inicio ao que viria ser seus últimos dias de vida.

Rami Malek está grandioso, quem o acompanha em Mr. Robot, poderá vê-lo em outras nuances aqui. Sua entrega, seus trejeitos, a aparência, e a forma como se apresentou diante das câmeras era a da rainha. Em dado momento, você esquece que é ele ali, e passa a imaginar que sim, se tratava de Freddie Mercury o tempo todo. Gwilyn Lee está tão igual ao Brian May, que achei que em todo o tempo de filme, quem tocou no Queen desde 1970 era o ator.

Com muita sutiliza, Singer conseguiu abordar os momentos mais polêmicos da vida de Mercury. Ficou tudo muito subentendido quanto ao uso de drogas e bastante delicado como abordaram a sua bissexualidade. Não foi preciso ir além do mostrado em tela. E, apesar de pequenos problemas, como um ritmo muito acelerado no começo e algumas situações um pouco caricatas, Bohemian Rhapsody consegue praticar o verbo cinema.

Bohemian Rhapsody é um filme do tamanho do Queen. E o que é o Queen? Até hoje ninguém sabe responder ao certo. Mas temos  certeza da sua grandiosidade e dos sentimentos e sensações que ela desperta em cada um dos seus.


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