Birdman (2014)

A crítica das críticas

Birdman (ou A Inesperada Virtude da Ignorância) conta a história de Riggan Thomson (Michael Keaton),Birdman | A crítica das críticas um ator de Hollywood famoso por ter interpretado, há algumas décadas, o super-herói Birdman e sua tentativa de salvar sua carreira escrevendo, dirigindo e estrelando sua própria peça na Broadway. Parece simples? Parece. Mas é apenas uma isca para fisgar o público. No momento em que se sentar na poltrona do cinema, você não assistirá “apenas” um filme, mas se deparará com uma das críticas mais bem construídas acerca das pressões do estrelato em Hollywood.

A perspectiva da câmera é profundamente intimista ao longo do filme, o que inclui o expectador em cada cena como se, em vez de assistir, estivesse participando. O equilíbrio se mantém no pequeno elenco que esbanja grandes atuações – das quais, destacam-se Michael Keaton e Emma Stone. O ritmo de Birdman é rápido e se você não acompanhar cada diálogo, cada movimento e cada atitude dos personagens principais, corre o risco de perder o detalhe que fará diferença no final de tudo. Esqueça o personagem de Zach Galifianakis nos filmes “Se Beber Não Case“, porque aqui seu personagem sério e moderado é imprescindível para o desenvolvimento da trama e do protagonista. Edward Norton está desequilibrado e exigente como nunca, conseguindo roubar a cena em alguns momentos com suas explosões inadequadas e comportamento extravagante que poderiam colocar tudo a perder.

Birdman | A crítica das críticas

Falando das duas melhores atuações do longa, Emma Stone definitivamente consegue prender toda atenção do público em si cada vez que aparece na tela como a filha e assistente pessoal de Thomson, recentemente liberada da reabilitação por causa de vício em drogas. A primeira impressão – de uma garota imatura e indiferente – logo revela-se ser muito mais profunda, conturbada e pensativa. Cada uma de suas cenas tem uma intensidade única, seja ela forte ou fraca. Seus olhos enormes tornam-se verdadeiramente cativantes e a (já mencionada) perspectiva intimista da câmera fez com que até as menores expressões faciais de Stone fossem mostradas ao público, as quais se comunicavam ainda mais do que as palavras da personagem.

Birdman | A crítica das críticas

Michael Keaton dá tudo de si e faz com que público e crítica caiam de joelhos. Ele grita, chora, ri, explode, acalma, sangra e voa. A atuação de Keaton faz com que os delírios de grandeza, a batalha psicológica, bem como a esquizofrenia aparente do personagem, levem você a se questionar sobre o que realmente está acontecendo do primeiro minuto até o último. O filme é pontuado magnificamente com grande ênfase na percussão – e um baterista que esporadicamente aparece ao longo das cenas. Os tambores acompanham as batalhas internas de Keaton, e funcionam como um guia sonoro para o público entender os altos e baixos de sua personalidade errática e indomável.

Birdman | A crítica das críticas

Antes de sentar e escrever, li e reli muitas resenhas e críticas escritas sobre o filme no Brasil e no exterior. O que não me deixa em paz é ter assistido o mesmo filme que essas pessoas, mas ter encontrado uma mensagem diferente – uma mensagem a mais – daquela citada por aí. “É um bom filme para quem já se encheu dessa onda de super-heróis no cinema.” é o que dizem. Mas há um problema nisso…

Qual o legado de Birdman?
Birdman é uma crítica aos filmes de super-heróis. Birdman é uma crítica à “crítica especializada” que condena os blockbusters. Birdman é uma crítica ao público que consome apenas efeitos especiais e não se importa com a arte. Birdman é uma crítica ao pensamento retrógrado de que blockbusters, efeitos especiais e atores Hollywoodianos não são ou não tem capacidade de fazer arte. Birdman é uma crítica ao público que não assiste um filme independente porque o protagonista é um ator que interpreta ou interpretava um super-herói.

ENFIMBirdman | A crítica das críticas: Birdman é uma enorme crítica a tudo e todos que querem determinar qual o melhor produto para você consumir dentro desta cadeia alimentar chamada arte.

Será que é necessário ir até o extremo para que as pessoas enxerguem o que realmente importa?

Viva a liberdade.


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Por Louise


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