HQ do Dia

Doctor Fate #1

Em suas múltiplas encarnações no multiverso DC Comics, o Senhor Destino quase sempre foi tratado como um ícone de altivez e fantasia super heroica e comumente inserido em equipes e tramas com o objetivo de acrescentar nuances de misticismo nos títulos que figurava.

Muitas vezes encarado pelo leitor mais desatento como uma contraparte do Doutor Estranho da editora concorrente, este personagem teve fases marcantes na editora seja pelas mãos de J.M. DeMatteis no final da década de 1980 ou em uma mais recente aparição escrita por Steve Gerber.

Com o advento da nova linha de quadrinhos da DC Comics (que já foi dissecada aqui) e a proposta de aproximar oHQ do Dia | Doctor Fate #1 leitor casual da toda a sua linha de personagens (incluindo os mais obscuros), a editora nos apresenta pela primeira vez uma versão muito mais “pé no chão” do Senhor Destino em Doctor Fate #1 de Paul Levitz e Sonny Liew.

Em uma análise muito simplória Doctor Fate é uma resposta da DC Comics ao sucesso absoluto da concorrente direta com a publicação Ms. Marvel. Nas primeiras histórias publicadas recentemente vemos o jovem estudante de medicina do Brooklyn de origem egípcio-americana, Kalhid “Kent” Nassor que subitamente se vê envolvido com o Elmo do Destino e o deus da morte, Anubis.

A divindade da mitologia Egípcia pretende submeter a humanidade a seus anseios de danação e cabe ao improvável protagonista se virar para impedir o desastre que sucede.

O roteiro de Levitz em Doctor Fate é super amistoso com jovens leitores. Se você nunca ouviu falar no personagem, ótimo. Não tem problema algum. Para antigos leitores também não há problema algum, tendo em vista que os poderes do personagem são de natureza transferível.

A história de Levitz segue a cartilha indie super heroica que temos visto pipocando em títulos das grandes editoras nos últimos anos: Um jovem herói  com seus problemas de auto confiança e/ou familiares, geralmente de alguma etnia diferente da caucasiana e envolvido em alguma atividade acadêmica.

Subitamente o protagonista se vê envolvido em algum universo fantástico do qual nunca ouviu falar e tenta conciliar sua nova realidade com seus problemas prévios. Diálogos com vozes bastante humanas e um roteiro linear de fácil compreensão no qual fica claro quem é quem logo de cara.

Excepcionalmente em Doctor Fate #1, Levitz vai direto ao ponto do Elmo do Destino. Na terceira página da primeira edição já temos o protagonista em contato com o artefato e tudo meio que já entra em movimento com bastante agilidade. É uma origem muito rápida, apesar de bastante conturbada para esta encarnação do heroi. Mérito para o autor que em uma edição aparentemente já “resolveu” algo que comumente os roteiristas enrolam por um arco inteiro.

A arte de Sonny Liew definitivamente não é o que você espera de um título de super herói. O ilustrador tem um estilo próprio indie esquisitinho que encaixa muito bem com as cenas familiares e pessoais do protagonista. A caracterização cartunesca do elenco faz um bem danado para este gibi e de fato para toda a linha de quadrinhos da DC Comics que carecia de revistas com esta pegada visual mais despojada e leve antes de Convergence.

O visual do Senhor Destino com seu indefectível casaco de moletom e o elmo é simbólico demais para ser ignorado e as cenas de ação fantásticas não são nenhum delírio visual, mas atendem às necessidades do roteiro na primeira edição.

Doctor Fate #1 é a DC Comics se arriscando. Mesmo que seja uma tentativa que não dê em nada é um milhão de vezes melhor tentar algo novo e fracassar do que repetir encarnações passadas de um personagem só para completar uma linha de publicações.

Fica cristalino que foi dada muita liberdade para esta equipe criativa e que há um incentivo editorial em tornar esta franquia algo relacionável e amistoso para o grande público jovem. O resultado é um gibi muito humano com uma arte distinta entre as publicações atuais da editora e um protagonista que pode se tornar um ícone de uma nova geração de leitores.


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