O universo de Sandman e o Sonhar

Sandman é uma série extremamente relevante para os quadrinhos. Inspirou séries de TVs e filmes. A obra criada por Neil Gaiman e Sam Kieth é um dos grandes trabalhos que nasceram e mudaram a forma de como uma boa parte do público enxergam os quadrinhos. Sandman era conhecido como o gibi indicado para quem não gostava de HQs. Depois de tantas séries e minisséries, a DC Comics resolveu fazer algo diferente e criar um selo totalmente dedicado a criação de Gaiman e ele se chama Sandman Universe.

O selo de Sandman Universe conta com curadoria do próprio Neil Gaiman e aproveita de ganchos que o autor deixou quando escreveu a série “Morpheus”. Porém, existe apenas uma limitação nessas histórias, o roteirista Si Spurrier não pode escrever novas aventuras no mundo dos sonhos e para isso ele nos apresenta o vasto “Sonhar” (local onde mora o perpétuo do dono das areias que levam ao sonho).

Nesse local, ainda existe uma biblioteca que detém todas as histórias que foram e serão contadas, Caim, Abel, Mathew (O corvo gótico), Marvin, Eva, Lucien e vários outros personagens de apoio que vemos em Sandman – a história é sobre a população que reside nesse lugar.

Para quem nunca ouviu falar de Sandman, ela é uma série criada em 1988, com roteiros do jornalista e roteirista Neil Gaiman, com artes de Sam Keith e capas do incrível Dave McKean. A série durou 75 edições e foi encerrada em 1996. Junto com “Monstro do Pântano” de Alan Moore e “Patrulha do Destino” de Grant Morrison, são os embriões do selo Vertigo chefiada pela maravilhosa Karen Berger.

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Esse título se tornou best seller rapidamente por fugir da linguagem de quadrinhos comum, pois seu autor coloca referencias de romancistas, poetas e artistas dos mais variados nichos, além do fato dessa HQ ter aberto discussões interessantes sobre feminismo, transexualidade e racismo. Colocando esses assuntos na boca das personagens e fazendo uma gigantesca desconstrução de quem pertence à raça chamada Perpétuos. Uma grande dica para os leitores de que tudo pode e deve evoluir.

Voltando ao novo gibi, a ideia é explorar o quanto o Sonhar ainda é um local incrível e como os personagens são tão carismáticos que não precisam do chefe para ter histórias divertidas, trágicas e cheia de aventuras. Ao ponto de conhecerem uma ladra de comida que vive em uma árvore de lembranças, um juiz que nasceu de uma caixa de pesadelos, seres brancos que chovem do céu. Um texto que assim como da série principal, brinca demais com lirismo do inglês e dança conforme os quadros vão passando à frente dos olhos.

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O primeiro arco da história fala sobre revolução vinda de um ser que é visto como um ser desprezível dentro da sociedade do sonhar. Uma garota com orelhas aladas e que pode se mover para qualquer lugar do universo sem barreiras. Esse ser está atrás de algo que a torne real, um sentimento que a faça se sentir completa, porém ela se sente enganada, pois Morpheus nunca deu uma resposta ou um caminho para conseguir encontrar seu objetivo. A parte interessante desse gibi, é como ele fala de resistência ao governante de mão pesada, algo vindo dos habitantes do Sonhar que não aceitam ser coagidos por alguém que incrimina, julga e executa (eu não estou falando de nenhum ministro do governo, juro).

Agora devemos falar de Bilquis Evely! Essa moça é o maior acerto desse gibi, a artista brasileira simplesmente faz tudo que você imagina em uma grande obra e sobra no quesito qualidades. Além do fato de encher de easter eggs nos textos, ela aparece na história como um certo tipo de pesadelo. Seu trabalho é o ponto alto do Sonhar. A arte casa quimicamente com os textos de Si Spurrier e fazem a leitura ser bastante agradável. Ainda longe da genialidade de Neil Gaiman, mas com certeza acima de muitos dos gibis mensais que encontramos nas bancas brasileiras e norte-americanas.

A série de Sandman foi anunciada pela Netflix e enquanto ainda não temos Morpheus, Morte, Destino, Desejo, Desespero, Delírio e Destruição, nas telinhas, notebooks e smartphones, podemos se deliciar com o quadrinho que nos lembra o tempo inteiro que no Sonhar sempre vai existir histórias para todas as pessoas que lá quiserem habitar.

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