HQ do Dia

Poderosa Thor

Com o anúncio da nova fase do Marvel nos cinemas na San Diego Comic Con, muitos títulos foram anunciados, mas especialmente um deixou o público surpreso, Taika Waititi assumiu a direção de “Thor: Love and Thunder” e trouxe Jane Foster de volta como Thor, até a própria Natalie Portman subiu ao palco. Poucos sabem, mais isso já aconteceu nos quadrinhos, e sem dúvidas foi umas melhores fases do personagem.

Escrita por Jason Aaron e com arte Russel Dauterman, ambos comandavam o título do Deus do Trovão desde de 2012, Aaron usou a oportunidade da saga “Pecado Original”, também escrita por ele, para introduzir sua nova visão. Uma revelação bombástica que não agradou a maioria de fãs do personagem e causou um burburinho tremendo na época.

Jane Foster em “Poderosa Thor” #1

Na saga, Thor se torna indigno de portar o Mjölnir depois de ouvir palavras sussurradas em seu ouvido por Nick Fury, transtornado, ele mal consegue levantar o martelo, a confiante e digna Jane Foster, consegue levantar e empunhá-lo e recebe todos os poderes do Deus como havia sido escrito. Com posse da nova arma, ela escolha ser a nova Thor, no lugar do Thor, pois sempre precisaria existir um Deus do Trovão para manter o equilíbrio entre os dez reinos.

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Publicada inicialmente em 2014, a fase da “Poderosa Thor” durou quatro anos encerrado o título em 2018. Na história, Jane Foster portadora do novo poder divino, precisa manter sua missão de proteger e propagar a paz entre os dez reinos, especialmente agora que o elfo negro Malekith trava uma batalha com os elfos brancos, e uma guerra civil assola Asgard,  além de travar uma batalha interna contra o câncer. 

“Poderosa Thor”

O termo “Deus” é colocado à prova, seguido de seu significado, toda vez que Jane Foster faz uma escolha, abre portas, mas fechas outras, justamente com sua saúde, virar um Deus por pequenos momentos, mas morrer como humana pela eternidade, a linha tênue entre ter poderes, ser merecedora e se sacrificar por eles para alcançar um bem maior.

Jason Aaron coloca aqui um dilema do que é ser digno, ainda internamente, o que move nossas razões, o que o poder pode transformar, acreditamos ser especiais, mas somos frágeis na imensa verdade. Além de proporcionar essa discussão, ainda traz a visão distorcida que a sociedade possui de um figura, Odin nega essa nova Thor, enxerga como vírus, não somente ele como também os vilões clássicos do personagem, ninguém quer acreditar na Poderosa Thor.

“Poderosa Thor”

Mas Jane prova que mesmo com a essência de Thor, ainda é capaz de tomar um caminho, mesmo que seja diferente, o Mjölnir justifica plenamente sua escolha. Jason Aaron conseguiu calar a maioria dos críticos de plantão ao entregar uma ótima narrativa e motivações verdadeiras e colocando Jane Foster no patamar de deusa do trovão que ela sempre foi. 

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O coração que bate forte vem com a arte de Russel Dauterman e as cores de Matthew Wilson. O ambiente real e humano se traduz  nos quadros fechados, cores secas, na degradação humana pela doença, enquanto o divino e o poder de Thor nos mundo dos deuses, tem quadros imensos e duplos, com cores vivas com aquela de grandioso, um verdadeiro contraste entre os dois universos com pinturas vivas.

“Poderosa Thor”

Sem dúvidas, Jane Foster é a digna, por suas ações e especialmente por seu lado humano. “Poderosa Thor” traz dilemas nunca batidos, a verdadeira escolha de nossos poderes, de nossas razões para viver, em meio a conflitos pessoais e externos com um pouco de fantasia e realidade.  Uma repaginada com estilo por toda mitologia do personagem.


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