Chrononauts é a mais recente criação do premiado escritor Escocês, Mark Millar. Na história somos apresentados a dois amigos cientistas – Corbin Quinn e Danny Reilly. Os dois gênios tentam ser os pioneiros na viagem no tempo e a mini série em quatro partes publicada via Image Comics descreve esta primeira aventura temporal do Doutor Quinn que literalmente surta com as infinitas possibilidades oferecidas por uma ferramenta tão útil como um traje que lhe permite transitar pela quarta dimensão. No universo de Chrononauts a viagem no tempo é um evento científico e cultural altamente significativo com acompanhamento intenso da mídia e com direito a coletivas de imprensa e transmissão ao vivo da primeira viagem. Então quando o principal ícone cultural e científico associado a esta prática revolucionária resolve tirar proveito de sua invenção descaradamente é lógico que existem consequências bem perigosas e divertidas.
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Já a arte do senhor Sean Gordon Murphy é um caso completamente diferente. O ilustrador tem um desafio aterrorizante neste roteiro de Mark Millar. A quantidade de cenários, elementos de cena, ação, conceitos manjados que PRECISAM ser apresentados de forma original e principalmente o ritmo de quadros muda o tempo todo tornam Chrononauts uma tarefa ingrata para qualquer artista. Isso tudo tornaria a mini série um verdadeiro pesadelo gráfico para um artista que simplesmente estivesse pegando este trabalho de maneira oportunista para se promover e ganhar uns trocados às custas de um escritor aclamado como Millar. Não é o caso aqui e isso transparece claramente em todas as edições de Chrononauts. O empenho em buscar referências gráficas com acurácia e precisão de Murphy é louvável. A caracterização e design do elenco não foge de seu estilo meio “rabiscado”, mas tem personalidade, carinho e um cuidado de um verdadeiro criador. O ritmo acelerado do roteiro é exposto de forma irretocável pelo ilustrador e a todo momento o leitor sente a interação entre escritor e artista por conta das inúmeras referências visuais nos quadros. Murphy novamente entrega um produto de alto nível em termos gráficos sem em momento algum comprometer seu estilo único de fazer quadrinhos.
Chrononauts é um tributo de Mark Millar às histórias de ação e aventura protagonizadas por uma dupla de personagens masculinos. (PONTO) Esta é sua maior virtude e também seu único defeito. Por focar muito em uma premissa que não é nem um pouco original embrulhada com uma embalagem menos original ainda (a viagem no tempo) o autor correu o risco de produzir algo divertido, bem feito, saudosista, porem raso. E foi exatamente o que aconteceu aqui. Apesar disso a leitura em momento algum torna-se enfadonha, pedante ou infantil. Muito longe disso. Estamos lidando com um roteiro movimentado, bem construído e envolvente, mas novamente simples e que em momento algum vai te surpreender. Sean Murphy por sua vez aproveita o imenso desafio que é uma história abarrotada de referências visuais diferentes e nos mostra muito de seu talento e versatilidade com ilustrador. Tudo neste roteiro conspira contra o artista e o sujeito olha na cara do perigo, ri e nos mostra porque é um dos profissionais mais competentes do mercado sem em momento algum fugir de seu estilão mais “rock `n roll” de desenho. Isto tudo torna a mini série uma obra que tem seu valor sim, no entanto é preciso ter cuidado com as expectativas para que não haja decepção ao final de sua leitura.


