Proibido Ler Entrevista

Mark Millar – Autor de Kick-Ass, Guerra Civil, Authority e mais!

Se você já leu Guerra Civil, Os Supremos, Authority, Kick-Ass, Superman – Entre A Foice e O Martelo, entre outros, sabe que todas essas obras saíram de uma das mentes mais inovadoras no mercado de quadrinhos das últimas duas décadas.

Mark Millar, o premiado autor de histórias em quadrinhos que fez história na Marvel, DC, e agora cria seus próprios super-heróis no MillarWorld, conversou com o Proibido Ler sobre suas criações, suas ideias, as adaptações cinematográficas das suas obras e mais um pouco. Abaixo, uma das entrevistas mais espetaculares que este site já conseguiu, confira:

PROIBIDO LER: Você pode descrever “O Serviço Secreto” para um público não familiarizado? Qual é a principal diferença entre os roteirosProibido Ler Entrevista | Mark Millar - Autor de Kick-Ass, Guerra Civil, Authority e mais! da HQ e do filme?

MARK MILLAR: A revista em quadrinhos e o filme têm tramas idênticas. A ideia é muito simples… O que aconteceria se o maior espião britânico pegasse um jovem desprivilegiado dos guetos de Londres e o treinasse para ser um cavalheiro e um agente secreto? É tipo “Minha bela dama” ou “Uma linda mulher”, com dois homens, eu acho. É muito divertido e uma declaração de amor aos filmes de espiões divertidos que crescemos assistindo, ao contrário desses filmes sérios terríveis atuais, nos quais Bond, ou seja lá quem for, tem que ser incrivelmente responsável, não pode fumar, não tem bugigangas divertidas, sem piadas quando ele mata pessoas e tudo isso. Assim como “Starlight” e “Superior” são declarações de amor aos meus filmes favoritos quando criança, este é mais ou menos no mesmo tom.

PL: Qual foi o seu grau de envolvimento na adaptação de “O Serviço Secreto” para o cinema?

MM: Eu não escrevi nada do roteiro. Como produtor executivo, conversei com Matthew (Vaughn) todos os dias durante 18 meses e ele é muito generoso em termos de discussão e debate. Eu fui lá a cada uma ou duas semanas, assisti muitas cenas na pós-produção e nós três ou quatro (produtores) nos sentávamos e dávamos ideias, sugestões e assim por diante. Mas o roteiro foi basicamente escrito por Jane (Golman), com Matthew lá, é claro. Ele e Jane formam um time incrível. Eu sempre digo que Jane é como Batman, no sentido de que quando ela aparece, nós podemos nos sentar e relaxar, porque ela vai cuidar de tudo. Ela nunca falha.

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PL: Como é a sua rotina de trabalho? Você consegue escrever todo dia? Como seria um típico dia de trabalho na vida de Mark Millar?

MM: Por eu ter crianças pequenas, começo cedo. Levantar por volta das 5h da manhã não é incomum, mas em alguns dias, eu consigo dormir até às 6h. Minha parceira alimenta as crianças durante a noite, então ela dorme das 6h às 8h. Nesse tempo, eu preparo as crianças, faço desjejum, assisto um filme com elas, brincamos, etc. Então começo a escrever às 8h, almoço em 5 minutos, e volto a escrever até às 15h. Eu continuo escrevendo até às 17h, mas sou muito mais lento no final do dia e esta é a hora em que começam as ligações, também. Eu tento não atender ligações após às 18h, porque gosto de manter a noite livre para a família e amigos, mas se for uma emergência eu atendo. A questão das 8 horas de diferença entre a Escócia e Los Angeles deixa uma brecha muito pequena para ligações.

PL: Você sempre trabalhou com grandes ilustradores, especialmente nos seus trabalhos autorais. Como você seleciona estes artistas? Você geralmente tem um artista em mente e desenvolve as ideias em parceria, ou você cria tudo e depois decide quem irá desenhar?

MM: É uma combinação das duas formas. Eu sou amigo desses caras e, eventualmente, trabalhamos em outras coisas. Então, conversamos sobre fazer algo e eu sempre tenho algumas ideias, depois eu tenho que pensar e ver qual ideia funciona com eles. Algumas vezes eu acabo trocando eles entre si. Eu falei com Goran (Parlov) sobre um prólogo de “Jupiter’s Legacy” e também com Sean Gordon Murphy, mas no final, acabamos fazendo trabalhos diferentes. Dave Gibbons, em algum momento, desenharia “Superior”, mas eu não sei se alguma vez disse isso em voz alta ou se foi somente na minha cabeça. Eu sei que Vin (Deighan, nome verdadeiro do artista Frank Quitely) seria o artista em “O Procurado” quando eu estava falando em fazer esta HQ na Wildstorm, anos atrás, de uma maneira diferente. É como os atores, eu acho como DeNiro quase foi Michael Corleone, mas acabou interpretando o papel de Vito. Eu tento escolher alguém que se encaixe no material.

PL: Eu acho a sua dinâmica de trabalho com John Romita Jr. perfeita. Alguma chance de vocês dois trabalharem juntos novamente?

MM: Definitivamente. Johnny é um Siciliano e fizemos um pacto de sangue. Nós trabalharemos juntos para sempre. Eu amo ele.

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PL: Nós vivemos no Brasil, onde quadrinhos da Marvel e DC podem ter atrasos de publicação de até dois anos e, em alguns casos, HQs independentes muitas vezes nem são publicadas. Você tem algum feedback de publicações traduzidas aqui para o Brasil?

MM: Não, mas estou muito disposto a ver uma maneira de como melhorar essa situação. Eu visitarei o Brasil nesta primavera ou na primavera de 2016, pois é um país que sempre quis visitar e eu realmente quero reforçar meus quadrinhos nestes países digitalmente, traduzindo-os eu mesmo, se necessário.

PL: Talvez não seja o momento, mas você já pensou em transformar o MillarWorld em uma editora de quadrinhos e lançar novos escritores e artistas?

MM: É. É um pouco cedo ainda, mas definitivamente é algo que vale a pena se pensar a respeito. Eu estava desconfortável sobre isso no passado, mas imagine se o Superman tivesse ficado somente com Siegel e Shuster? As pessoas gostam destes personagens, então, quem sabe?

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PL: Eu não sei se você pode falar sobre isso, mas há algum tempo atrás, algumas notícias reportavam que você estava trabalhando como consultor para a Fox em relação aos personagens da Marvel. Você pode explicar as suas atribuições trabalhando para a companhia?

MM: Claro. Eu assinei um contrato de 4 anos no final do verão de 2012, e isso é o mais próximo de um emprego de verdade que eu já tive, no sentido de que eu me visto direito e me sento em reuniões longas com executivos da Fox. Eu adoro esses caras, então não parece um trabalho muito duro, na maior parte do tempo conversamos sobre quais roteiristas e diretores são legais, quais arcos valem a pena dar uma olhada, quais personagens devem ser introduzidos em seguida. É o trabalho dos sonhos de todo o fã, na verdade.

PL: Atualmente o MillarWorld continua expandindo, tanto nos quadrinhos quanto no cinema. O Procurado (2008) foi seu primeiro filmeProibido Ler entrevista | Mark Millar - Autor de Kick-Ass, Guerra Civil, Authority e mais! adaptado, depois tivemos Kick-Ass (2010) e agora teremos Kingsman: O Serviço Secreto (2015). Você já tem planos para uma próxima adaptação? Vi que você tem trabalhado em Nemesis e Starlight, podemos esperar algum anúncio?

MM: “Nemesis” e “Kindergarten Heroes” (meu livro infantil) tem rascunhos finalizados pelos roteiristas. “Starlight” e “Superior” estão sendo escritos neste momento. MPH tem um roteirista, mas ainda não foi formalmente anunciado. Lorenzo Di Buonoventura está produzindo este e ainda tenho “Jupiter’s Legacy” preparado para ser produzido. “O Procurado 2” tem sido cogitado por anos, pois o primeiro teve a mesma arrecadação que um filme dos X-Men com menos da metade do orçamento, mas matar a Angelina acho que atrasou um pouco as coisas. Ela foi o principal atrativo comercial do primeiro, e acho que isso acabou dificultando uma sequência. Um rascunho foi recentemente entregue à Universal pelos roteiristas do primeiro filme, no Natal passado, mas acho que a Universal já teve uns 4 roteiristas nos últimos 5 anos e ainda não fez nada, então não acho que isso vá para frente.

PL: As pessoas aqui no Brasil são loucas pelo Superior, alguma chance de uma adaptação?

MM: Sim. Matthew Vaughn está produzindo “Superior” pela Fox.

PL: Suas passagens tanto pela DC quanto pela Marvel sempre causaram séries consideradas os melhores trabalhos das editoras. Atualmente você está focado em expandir o MillarWorld mas, você escreveria novamente como freelancer para alguma delas para escrever um personagem?

MM: Ah, sim. Definitivamente. Eu sou mais fanboy que qualquer um. Superman e Batman, particularmente. Eu estou ocupado atualmente, mas assim que eu tiver tempo eu farei isso com certeza.

Proibido Ler entrevista | Mark Millar - Autor de Kick-Ass, Guerra Civil, Authority e mais!PL: Você nunca teve medo de “balançar” o universo dos quadrinhos, o que você espera do futuro na indústria?

MM: Crescimento. Eu acho que estamos em uma época muito excitante. Guerra e recessão são sempre um “boom” para os quadrinhos e, infelizmente, temos ambos atualmente. Olhando pelo lado bom, todos nós queremos escapar para realidades fictícias no momento.

PL: Já li várias vezes sobre escritores que tem suas melhores ideias nas horas mais inapropriadas. Isso acontece com você também?

MM: É uma ideia bonitinha, mas escrevi muito lixo quando não tinha dinheiro e vários quadrinhos ótimos quando não tinha que me preocupar com dinheiro. Eles dizem que as melhores coisas são escritas com o estômago vazio, mas ao mesmo tempo você fica o tempo todo olhando pela janela, esperando o cobrador vir pegar seu computador.

PL: Lembrando a sua época de 2000 AD, você vê quais são os principais desafios para novos autores entrarem na indústria de quadrinhos naquela época e agora?

MM: Naquela época? O desafio era conseguir ser publicado. Agora é definitivamente mais fácil por causa dos meios digitais você ser visto escaneando suas páginas e fazendo um upload. Auto publicação naquela época era muito caro, mas muitas vezes era a única rota para ser notado quando eu estava no colegial pensando nesta carreira.

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PL: Quais são seus planos para o futuro, especialmente a respeito de novos quadrinhos autorais?

MM: Escrever da melhor maneira que puder, manter os direitos sobre minhas criações e deixar aqueles americanos legais de Hollywood continuarem produzindo estes anúncios de centenas de milhões de dólares para os meus livros.

PL: Qual é seu conselho para os jovens escritores por aí que tem medo de entrar nesta indústria?

MM: Não há nada a temer. Este é, literalmente, o trabalho mais divertido do mundo, e se você for bom, você será descoberto. Também, se eles me virem em um bar, eles devem me pagar uma bebida (risos).

Esse foi nosso papo com o grande Mark Millar. Ele tem planos de vir para o Brasil em 2016/17, vai que a gente se junta num bar pra beber umas cervejas e falar sobre quadrinhos? Quero deixar um agradecimento especial ao Pedro e ao Igor que foram fundamentais para a pauta desta entrevista.

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Por Louise


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