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Black Dog: Os Sonhos de Paul Nash

Não há nada comparado com o que eu já li a vida inteira. Black Dog: Os Sonhos de Paul Nash traz uma visão surreal e única sobre os acontecimentos da Primeira Guerra Mundial. Conhecido por sua colaboração com Neil Gaiman, em Sandman, e com Grant Morrison, em Batman – Asilo Arkham – Uma Séria Casa em um Sério Mundo, Dave McKean une arte e narrativa como ninguém.

Baseada na vida de Paul Nash, pintor inglês surrealista que combateu na Primeira Guerra Mundial, Black Dog: Os Sonhos de Paul Nash aborda sobretudo esse período delicado e determinante na vida do pintor. Que marcou profundamente sua produção artística posterior, e compõe, através de suas lembranças, um painel multifacetado e tocante sobre como a guerra e situações extremas nos modificam e como lidamos com toda a dor, a perda e o trauma que ela provoca.

120 páginas dividas em 15 capítulos que remontam de forma unica, a trajetória e os devaneios de Paul Nash como artista de guerra. Toda reação adversa adquirida durante e depois de um momento derradeiro na vida de um combatente, também estão aqui. Nash foi recrutado em setembro de 1914, passou dois anos em treinamento, e seis meses depois que a Primeira Guerra Mundial começou, ele foi enviado para ser mais um dos homens a compor as tropas britânicas. Infelizmente ele não teve muita sorte no campo de batalha e acabou fraturando uma costela ao cair em uma trincheira. Paul Nash teve que ser enviado de volta a Londres e pouco tempo depois, todo os seus parceiros de batalha foram mortos pelos alemães. Isso mexeu com a vida dele, com a sua cabeça e nunca mais a vida do então combatente de guerra seria a mesma.

Paul Nash passou a pintar durante a sua recuperação em Londres, e acabou voltando a servir o exército britânico como observador e artista de guerra. As obras que saíram durante esse período estão entre as mais importantes representações da Primeira Guerra Mundial.

Publicada pela primeira vez em 2016, Black Dog: Os Sonhos de Paul Nash chegou ao Brasil graças a DarkSide Books. Numa edição em capa dura que, por meio de um cachorro preto, nós somos conduzidos aos sonhos do protagonista que foram retirados de seus mais diversos escritos e transportados pelas mãos de Mckean para as páginas desta graphic novel.

Numa primeira leitura, Black Dog: Os Sonhos de Paul Nash é uma colcha de retalhos, uma viagem, algo que transcende o momento de tensão da guerra para uma visão unica e contemplativa. Aqui, o uso da palavra sonho se confundi com pesadelo e te joga num misto de sensações que você jamais saberá descrever o que se sente ligado ao que se vê em cada página. Esqueça a leitura por um momento, atente-se apenas a bela releitura de Mckean. Elas te conduzirá para além daquilo que traz a narrativa, e esse momento será apenas seu. Por mais que as palavras por vezes soam como poesia e em outros momentos entram num diálogo convencional e direto, os grandes painéis (sim, é assim que eles devem ser encarados) de pintura do autor dizem muito mais.

O Black Dog te conduz, deixa de fazer parte das páginas dessa graphic novel, e passa a povoar a sua mente – assim como fez com a de Paul Nash durante toda a sua vida. Não se trata de uma leitura comum como a gente faz com as histórias em quadrinhos com narrativa linear, ela é mais complexa e profunda. Requer um pouco mais de reflexão para seu entendimento.

Black Dog: Os Sonhos de Paul Nash é unica e a experiência que você terá após terminá-la será indescritível. Pode apostar!

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