Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas (2018)

A melhor equipe dos desenhos animados nas telonas

Não deveria vir como um choque a ninguém que a DC Comics é uma absoluta bagunça nos cinemas. Com a recepção negativa e decepcionante para o universo cinematográfico iniciado por Zack Snyder em O Homem de Aço (2013), Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016) e Liga da Justiça (2017), a Warner Bros corre desesperadamente para tentar salvar sua valiosa franquia, e os fãs aguardam ansiosamente por uma melhora. Enquanto Aquaman (2018) não chega, o estúdio não tinha outra opção senão recorrer a uma de suas propriedades mais elogiadas: as animações produzidas diretamente para o mercado home video, como é o caso de Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas (2018), animação que é bem sucedida em parodiar as próprias convenções do gênero.

Completamente metalinguística, a trama nos apresenta ao grupo composto por Robin (Scott Menville), Ravena (Tara Strong), Mutano (Greg Clipes), Ciborgue (Khary Payton) e Estelar (Hynden Walch), que são vistos pelo público e outros super-heróis do grande escalão como heróis menores e insignificantes. Com Batman, Superman e todos os membros da Liga da Justiça ganhando filmes um atrás do outro, Robin está obcecado em ganhar seu próprio longa-metragem, mas precisa satisfazer a diretora Jade Wilson (Kristen Bell) e encontrar um arqui-inimigo à altura, que se manifesta na figura do mercenário Deathstroke (Will Arnett).

Um mundo de super-heróis

Primeiramente, é preciso deixar algo bem claro sobre Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas: isto não é um filme. Não foi pensado como um filme, tampouco planejado para ser lançado no circuito de cinemas, e isso transparece durante a sessão. O roteiro de Michael Jelenic e Aaron Horvath é praticamente um episódio estendido do desenho animado que fora exibido no Cartoon Network, povoado de esquetes e cenas que não oferecem um propósito narrativo, apenas preenchendo lacunas e oferecendo uma minutagem que possa considerá-lo como um longa-metragem, ao contrário de sua duração (de 84 minutos) que definitivamente era muito mais curta. Também não chega nem perto do brilhantismo técnico e a sofisticação de um LEGO Batman: O Filme (2017), que também era consideravelmente mais bem resolvido.

Porém, que isso não ofusque o quão insanamente divertida é a experiência desta animação dos Jovens Titãs. A impressão que fica é que a Warner Bros. deu uma carta branca implacável para os diretores Peter Rida Michail e Horvath, que literalmente disparam para todos os lados nas piadas e referências ao atual estado do cinema blockbuster e sua obsessão com super-heróis. Figuras como Batman e Superman (que tem voz de Nicolas Cage, por si só uma piada interna genial) ganham um destaque hilário, com as piadas levando em conta os inúmeros filmes dos heróis, sua popularidade e até a controversa solução de “Martha” em Batman vs Superman, que rende boas tiradas dos protagonistas.

A ousadia atinge níveis de brilhantismo quando o grupo resolve voltar no tempo (com direito a usar o tema icônico de Alan Silvestri da trilogia De Volta para o Futuro) e impedir a criação de todos os heróis da DC, envolvendo salvar Krypton da destruição, impedir o assalto dos pais de Bruce Wayne e até mesmo afogar Aquaman com a poluição dos oceanos – isso para não estragar o que acontece depois, quando os heróis precisam reverter a situação ao perceber que a Terra se tornou uma zona de guerra sem os outros super-heróis.

Até mesmo o plano do vilão do filme – cuja identidade secreta é incrivelmente previsível – traz um comentário ácido sobre como o público está praticamente sendo escravizado pelo cinema de heróis, sendo até irônico que seu plano envolva um serviço de streaming dos heróis da DC; não é exatamente o melhor tipo de publicidade para o vindouro DC Universe que a editora lança ainda este ano, e que curiosamente traz uma versão radicalmente diferente e sombria dos Titãs. E ver Will Arnett no papel da voz de Deathstroke (ou “Slaaaaaaade”) garante um bom peso ao filme, especialmente após sua versão cômica do Cavaleiro das Trevas na franquia LEGO.

Boa dinâmica e saudosismo

A dinâmica dos protagonistas também garante muitas risadas. Confesso que nunca havia assistido a qualquer desenho dos Jovens Titãs, nem mesmo durante minha infância, mas rapidamente me vi apegado e envolvido nas conversas e conflitos dos carismáticos personagens. O próprio drama central de Robin, que nada mais é do que um desejo narcisista de aparecer, ganha um bom arco de amizade e superação com o apoio de Ravena, Estelar, Mutano e Ciborgue; é a profundidade de um desenho animado do Cartoon Network, e que definitivamente não se esquece do público-alvo infantil ao trazer inúmeras piadas com flatulência e outras escatologias bestas, mas que acaba funcionando.

Por mais que seja uma animação 2D sem qualquer tipo de inovação tecnológica, é nostálgico ver um traço tão tradicional e clássico em uma grande tela de cinema. E a animação da dupla Michaeil e Horvath consegue encontrar momentos criativos onde possa fazer experimentos, como o filme caseiro feito pelo grupo para Robin, que envolve stop motion e dobraduras de papel, ou quando o antigo parceiro do Batman tem um sonho impagável que serve como sátira a O Rei Leão, com toda a animação assumindo o traço e os movimentos da clássica animação da Disney – sem falar que ver Flash comendo lixo como um antílope foi histérico.

No fim, Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas consegue trazer uma bem-vinda leveza à DC, que cada vez mais vai saindo das sombras. Pode não ser algo tão estimulante como LEGO Batman: O Filme, e que também não traz nenhum tipo de inovação em sua animação, mas que revela-se uma diversão rápida e extremamente divertida.

Obs: No melhor estilo Pixar, há um curta-metragem animado com a Batgirl que antecede o longa, e também funciona pela leveza e humor.


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