Sempre Vivemos no Castelo

Sutileza e terror da vida real

A Editora Suma lançou um segundo livro da famosa escritora de terror Shirley Jackson, o Sempre Vivemos no Castelo. Foi o ultimo livro escrito por Shirley e depois da leitura de A Assombração da Casa da Colina, não podíamos deixar de ler e atestar o crescimento da escritora.

Sempre Vivemos no Castelo nos traz a história sombria da família Blackwood. Merricat, a irmã Constance e o Tio Julian vivem reservados na mansão da família após anos antes o resto da família ter morrido envenenado com arsênico no pote de açúcar. Acusada e depois inocentada, Constance volta para casa e passa a cuidar da irmã mais nova e do tio que sobreviveu ao envenenamento. Os três vivem isolados, mas felizes até que o primo Charles aparece e acaba bagunçando o equilibro das irmãs. Merricat é a única que percebe o perigo que é o primo Charles e não vai medir esforços para proteger a irmã.

No livro, acompanhamos a história pela visão de Merricat, que aparenta ser mais jovem do que a idade dada a ela. Percebemos logo de inicio, que a vida isolada da família tem sua razão: o preconceito e fúria do vilarejo, ao qual apenas Merricat vai e apenas duas vezes por semana, o mínimo possível. Vemos então todos os personagens com sequelas do fatídico acontecimento e nos guia acima de tudo a curiosidade de saber o que realmente aconteceu, porque elas vivem desse jeito e porque são como são. Merricat é uma personagem que podemos chamar de bizarra, com pensamentos, manias e lógicas bem particulares e que nos faz nos apaixonar por ela. Nos apaixonamos também por Constance e seu jeito maternal e querido e por Tio Julian com todas as suas complicações. São personagens que nos conquistam.

A narrativa toda é envolvente, ainda que não pareça existir nenhum mistério claro que nos prenda à leitura, é um livro que não conseguimos parar de ler. Isso se deve à capacidade de Shirley Jackson de criar uma atmosfera gostosa com personagens que amamos, e odiamos ao mesmo tempo e com sua escrita fluida e de fácil entendimento. A escritora consegue ao mesmo tempo manter suas características super conhecidas dos demais livros como também aprimorar a qualidade e a fluência que pode podíamos sentir em seus outros livros.

Novamente, é um livro fácil de ler, gostoso, com escrita simples mas sem tornar a história medíocre, pelo contrário, é o que dá poder à história e às vozes das personagens. Não é um livro de terror ou suspense com monstros e assombrações, e sim com pessoas reais, com fanatismos e preconceitos reais e é isso que o torna chocante e assustador. E o plot twist do livro é inesperado e ao mesmo tempo tão obvio que não podemos acreditar que não pensamos nisso antes. É um horror e um mistério realmente sutis.

A única coisa que senti falta no livro foi uma explicação melhor do porquê, ela está lá mas assim como todo o livro que é trabalhado na sutileza, o porquê fica à caráter de analise e não é explicito. Te força a pensar e analisar os personagens e como eles agem para entender o porque de tudo. E essa análise pode acabar fazendo o leitor parar a leitura e ficar confuso no meio do caminho. Mas não é nada que atrapalhe a história, somente quem realmente for mais apegado à lógica e explicações muito mais que à história é que vai sentir essa necessidade.

Sempre Vivemos no Castelo é uma obra final maravilhosa da vida de Shirley Jackson. Definitivamente é um livro que vale a leitura, tenha você lido outras histórias da escritora ou não. E não pense que é um daqueles livros que se lê apenas uma vez. Mergulhe nele, releia, e você vai descobrir sempre novas explicações escondidas na sutileza e no humor e vigor de Sempre Vivemos no Castelo.

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