Me chame pelo seu nome

Uma história avassaladora de amor, tesão e descoberta

A resenha desta vez é sobre o livro Me Chame Pelo Seu Nome, livro que originou o filme homônimo que está concorrendo a três categorias do Oscar 2018: Melhor Filme, Melhor Ator para Timothée Chalamet e Melhor Roteiro Adaptado. Ouvi muita gente falando sobre ele, sobre como ele é um livro que quebra de paradigmas, de paixões fulminantes e quase um precursor da literatura LGBT. Com toda essa propaganda rolando eu simplesmente tive que lê-lo o mais rápido possível.

Me Chame Pelo Seu Nome conta a história de Elio e Oliver por meio da narrativa do primeiro. Um garoto italiano de 16 anos cuja família hospeda todo verão um novo escritor, que troca a hospedagem por serviços para o pai de Elio, professor universitário. Elio se encanta por Oliver, um jovem de 24 anos atraente que conquista todos os moradores da vila italiana. Com uma inicial impaciência e oscilações de humor de ambos, uma paixão começa a se desenvolver entre eles.

André Aciman consegue construir com muita sensibilidade e honestidade o enredo de Me Chame Pelo Seu Nome. A cada página acompanhamos as dúvidas, os questionamentos, e o crescimento da paixão avassaladora dentro de Elio. Nada soa forçado ou exagerado, nem mesmo o palavreado por vezes extremamente culto e até mesmo forte, cru e erótico. A narrativa funciona como um reloginho, uma parte amenizando a força da outra, complementando e construindo verdadeiras inquietações nos leitores.

Outro ponto interessante é que não tem como não se apaixonar pela ideia burguesa da vida na vila italiana (Que não é dado um nome real, chamando apenas de B. ou de N.). As conversas, as visitas, as grapas, literatura, música, praia, enfim, uma mescla de tudo isso que faz com que seja compreensível a predisposição à paixões de verão.

Me Chame Pelo Seu Nome é também um livro de descoberta, de aceitação de si mesmo, de amor carnal e de amor sentimental em todas as suas formas. Temos o jovem Elio descobrindo-se nessa paixão por Oliver, que por sentir ser tão avassaladora deixa pouco espaço para dúvidas e medos sobre a própria sexualidade, vemos ele completamente entregue a ela, diferente de tudo que já li sobre o tema. Mas também, após a consumação da paixão o acerta em cheio com um sentimento de culpa, de asco e de dúvidas, que é tão real que chega a nos fazer sentir as mesmas sensações que ele descreve. E é interessante perceber que todos esses sentimentos são inerentes a todos nós, não só ao homem ou mulher homossexual, mas a todos nós que estamos descobrindo nossa sexualidade, descobrindo as paixões e o amor.

Tem também momentos ao longo da leitura que nos deixa em choque, pela linguagem usada e pela crueza e transparência em que é descrito as partes mais sexuais. E isso mexe demais com o leitor. Mesmo as partes que podem soar grotescas são tão bem escritas que apesar do choque inicial nos entregamos na leitura, imaginamos, desejamos e acima de tudo entendemos o que eles passam e sentem. É altamente erótico, mas também belo e estimulante de se ler e se entregar. Um dos pontos que demonstram muito isso, é a explicação do título do livro, o desejo tão absoluto e a ideia de “Me chame pelo seu nome”, fustiga nossa imaginação, nosso sentimento, e até mesmo nosso tesão.

O amor entre Elio e Oliver faz com que pensamos se já tivemos um amor assim, avassalador, que nos fez nos encontrar na vida, que nos cegou e nos fez fazer joguinhos de conquista, de desinteresse, mas que nos transformou em quem somos, assim como acontece com Elio. Arrisco dizer que esse amor e essa história não acontece com todos nós, apenas os muito sortudos tem essa experiência. Ou melhor, apenas os corajosos a tem, os que não tem medo de se entregar a sentimentos, os que não tem medo de amar, e de se machucar e porque não, de aceitar seus medos e anseios. Me Chame Pelo Seu Nome cutuca isso em nós, põe o dedo na ferida, te faz pensar se você está se permitindo viver da mesma forma que Elio se permite. Chega até a dar inveja disso nele, da coragem dos 16 anos de ser quem é ou de pelo menos se permitir descobrir sem qualquer amarra. Que sorte e que capacidade dos que se permitem!

O único ponto que podemos citar como negativo não é pela construção da história nem dos personagens. Mas há momentos em que os pensamentos de Elio se alongam um pouco mais do que precisaria. É compreensível em todo caso, pois ele é um garoto que lê os clássicos italianos, que é culto em todos os sentidos acadêmicos (até mesmo Oliver fala isso a ele diversas vezes), então faz sentido de acordo com a construção dele. Sem contar que é uma forma de quebrar o sentimento de sufocamento que o livro gera por conta da paixão que é muito bem expressa e sentida por nós leitores. Mas para quem está lendo pode se tornar cansativo demais.

Não é um livro para qualquer um, isso é uma certeza, mas é um livro sobre todos nós, sobre amor de todas as maneiras. O amor incondicional de pais, o amor fulminante de uma paixão, o amor de amigos, de irmãos e o amor próprio e pela vida em si. E por ser tão rico nisso nos faz terminar a leitura e ficar horas olhando para o teto preso a todas essas sensações, se permitindo apenas sentir todos esses sentimentos (amor, tesão, medo) sem amarras e sem bloqueios, exatamente como o livro mostra.

Para concluir esta Óde ao sentimento fica o conselho: Leia Me Chame Pelo Seu Nome e permita-se amar como Elio e Oliver se permitiram.

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