A Zona Morta

Um suspense tão bem construído que poderia ser a vida real

Cometi o deslize de sair de férias e não levar um livro a tiracolo, em apenas dois dias eu não aguentei e tive que comprar um para me acompanhar. Porém esse pequeno erro se tornou num grande acerto quando me dei conta que acabei comprando A Zona Morta, mais um clássico do mito Stephen King.

A Zona Morta conta a história de John Smith (um nome super comum para os americanos, como um José da Silva para nós brasileiros), um professor que tem certos poderes paranormais de vidência do passado e futuro. John recebe esses poderes após sofrer um acidente na infância, onde ele bate a cabeça e então começa a ter visões toda vez que encosta em alguém. Através dessas visões, ele descobre coisas sobre a vida da pessoa, seu passado e seu futuro. Para piorar ainda mais, John, agora mais velho, sofre mais um acidente que o deixa em coma por quatro anos e, após acordar, ele se depara com diversas mudanças e dificuldades. Muitas delas com relação a seu poder psíquico que fica ainda mais forte agora, levando John a um destino totalmente inesperado.

John acorda para um mundo totalmente diferente do que era quando sofreu o acidente, a menina que ama já seguiu a vida, a mãe que sempre foi muito devota, se tornou uma maníaca religiosa que acredita até que alienígenas virão buscar os bons cristãos. E seu poder que ele não tem total controle, está afastando as pessoas ao mesmo tempo que vira um lance midiático revoltante. 

Não dá para não se imaginar na pele de John, em como seria acordar quatro anos depois de um acidente e ver tudo tão mudado, o sentimento de não pertencer a mais nada e de ter perdido tanto tempo e tanta vida. Essa confusão toda ajuda a consolidar o caráter de John, um cara que quer fazer o que é certo, que é justo e que até mesmo acredita nas loucuras de Vera, sua mãe, sobre ele ter acordado milagrosamente para seguir um plano divino.

Ao mesmo tempo que temos toda essa maluquice da vida de John, acompanhamos outros dois personagens bem controversos. Frank Dodd, um maluco criminoso, que estupra e mata suas vítimas e que sofreu abusos da mãe autoritária a vida toda e Greg Stillson, um político sociopata que faz tudo pelo poder. Ambos os personagens terão as vidas afetadas pelo contato com John, de formas absurdamente surpreendentes para nós leitores.

A construção de A Zona Morta é primorosa, essas histórias diferentes e simultâneas, a forma orgânica com que se mesclam quando menos esperados e com conclusões inesperadas faz do livro mais um dos sucessos de Stephen King. Com um destaque para o final, que é tão diferente do que se pode imaginar lendo o livro e ao mesmo tempo tão poético (não vou contar spoiler, mas é magnifico!). Com tudo que foi revelado e esperado de John – considero um dos melhores finais de todos os livros do mestre King.

Outra coisa que é muito bacana do livro, é que ele se passa no começo dos anos 70. Temos então uma baita aula de política americana, com citações e personagens como o presidente Jimmy Carter e vários deputados e congressistas reais. Mesmo para quem não conhece bem a política de lá, é uma construção que traz proximidade da vida real à história do livro, além de ser superinteressante. E não é só a política dos anos 70 que chama a atenção, mas coisas como os carros da época que são citados, os toca discos, as bandas, e toda a cultura da década é de emocionar até quem nem estava vivo na época.

A Zona Morta é mais que um livro de terror ou suspense, ele tem apelos de drama, romance e de política muito fortes nas suas páginas, e essa soma é tão natural que não dá para separar ficção da vida real, pois a história de John parece demais que poderia acontecer com qualquer um de nós. O final, super poético e até bem triste e chocante é o ponto final certo nessa construção perfeita.

A Zona Morta, de Stephen King, é uma publicação da editora Suma das Letras. Se você se interessou pelo livro, pode comprar um exemplar AQUI!


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