HQ do Dia

São Paulo dos Mortos Vol. 1

São Paulo dos Mortos foi mais um projeto do Catarse que não só atingiu a marca desejada pelo seu idealizador, que foi de R$11 mil reais, como ultrapassou e bateu a casa dos R$16 mil reais e uns quebrados arrecadados.

A HQ conta cinco histórias ambientalizadas em São Paulo vivendo um apocalipse zumbi. Uma delas se passa no Palácio dos Bandeirantes, outra no Itaquerão, estádio do Corinthians, em algumas estações do Metrô e até na Cracolândia, considerada a “Raccoon City” brasileira.

Daniel Esteves é o quadrinista responsável deste projeto e, em sua primeira parte contou com este time de ilustradores: Al Stefano, Alex Rodrigues, Jozz, Ibraim Roberson , Lucas Perdomo, Laudo Ferreira , Omar Viñole , Samuel Bono, Wagner de Souza e Wanderson de Souza.

O segundo volume dessa história nós já resenhamos em HQ do Dia | São Paulo dos Mortos Vol. 2 , e tudo que achamos sobre o primeiro volume você encontra a seguir.

Logo de cara, eu percebi que o primeiro volume é muito superior ao segundo. Porém isso é totalmente explicável. Obviamente esse projeto teria que vir com uma qualidade superior para ir bem tanto de crítica quando de público e assim, gerar bons frutos como foi com o segundo volume e como será com o terceiro que vem por ai (vamos falar dele mais para o final).

Uma HQ com a temática de apocalipse zumbi em uma grande cidade como São Paulo, foi uma ideia e tanto. Dividi-la hq-do-dia-sao-paulo-dos-mortos-vol-1-4em cinco histórias diferentes também. E nesse aspecto de dividi-las, é possível agradar mais o leitor do que se fosse contar uma unica história ao longo de 96 páginas.  Os momentos de tensão da primeira história chamada “Próxima Estação”, por exemplo, deixa você sem saber o que está acontecendo em relação ao protagonista e isso rola até os momentos finais da história. Esse mistério foi um ponto muito positivo para prender o leitor logo de cara  mesmo com um tema tão explorado quanto esse. Em um momento que todos falam de zumbis, você pegar uma HQ que foi publicada em 2013 e essa HQ ainda se manter atual, e te jogar direto na trama da história em poucas páginas é sensacional. A arte de Al Stefano casa bem com o roteiro, mesmo não sendo um estilo que me agrada.

Já a segunda história deste volume chamada “Com você no fim do mundo”, foi totalmente ao contrário. Apesar de carregar uma trama mais trash e cômica, regada ao som de Odair José, segue uma premissa muito comum em histórias de zumbis. Que é aquela do protagonista não conseguir se desvincular de algum ente querido. Seja um filho, esposa ou os pais, por exemplo. Você sabe o tempo todo o que pode acontecer, porém houve uma sacada diferente do Daniel Esteves, que foi de deixar o final interessante e menos tedioso. Os desenhos de Laudo Ferreira com a arte final de Omar Viñole, me agradaram mais do que na primeira história. Com traços mais delineados e mais puxado ao old school, fez a história que é fraca ter um tom a mais.

Partindo para as próximas histórias, o volume marca pela grande aventura realizada dentro do Estádio do Corinthians em Itaquera, e isso demonstra uma coisa muito importante: o Corinthians é tão grande que ocupa até as páginas de quadrinhos independentes do Brasil. Se o “Vai Corinthians” já esteve em páginas do Demolidor do Mark Waid, por que não estaria nas páginas de um autor da zona leste de São Paulo, não é mesmo? Carregada no humor, o roteiro de “Itaquerão” me lembrou muito o jogo Left for Dead 2. Um lugar gigante, zumbis presos em espaços diferentes e sangue voando para tudo que é lado. Sem falar na surpresa que foi ver os jogadores mais importantes do clube naquela época em suas versões zumbis. O Romarinho e o goleiro Cassio ficaram sensacionais.

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A história que se passa na Cracolândia e a “Carona para o Governador”, são histórias com uma pegada mais séria e que fazem uma crítica social importante. A primeira é sobre valores humanos, que independente de como você encontra o mundo, seus valores não vão mudar. Você não vai deixar de ser uma boa pessoa por estar vivendo em um apocalipse zumbi, mas com certeza pode potencializar seu grau de filha da putice dependendo de quão egoísta você for em um momento como esse. Já a história que fecha o volume, traz uma grande reflexão e crítica sobre como os governantes olham para o povo em situações adversas. Enquanto o senhor da guerra está vivendo os horrores dela sentado na poltrona do seu gabinete, o povo sempre está na linha de frente tomando bordoadas e tiros provenientes de qualquer direção. Mas quando tudo está fora de controle, o senhor da guerra se torna apenas mais um no meio da multidão.

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O primeiro volume de São Paulo dos Mortos no geral, foi muito bem produzida. Apesar de aproximar mais leitor paulistano trazendo para as páginas em quadrinhos lugares comuns para os habitantes da cidade cinza e uma linguagem muito comum dos paulistanos, não vejo que atrapalhe ou deixe de ser menos atraente para os leitores de outras cidades. São Paulo dos Mortos mostra diferentes perceptivas de personagens lidando com uma praga que ninguém sabe como surgiu e nem como se alastrou país afora. Além, é claro, de retratar com bom humor e com seriedade quando necessário, os problemas sociais encontrados neste latifúndio.

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E agora que você já tem a resenha do primeiro e do segundo volume, chegou a hora de falar do terceiro volume que pode surgir em breve. Mas para isso acontecer, o Daniel Steves e seu time de ilustradores vai precisar da sua ajuda. A São Paulo dos Mortos volume 3 encontra-se com companha no Catarse. Falta bem pouco para eles baterem a meta, portanto se você curtiu os dois primeiros volumes, com apenas R$20,00 você apoia o projeto e contribui para o sonho do terceiro volume se tornar realidade. Saiba mais e apoie clicando aqui.


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