HQ do Dia

Extraordinary X-Men

Olha… Se tem alguém que se fudeu de azul e amarelo (vibrantes) nessa “Nova e Completamente diferente Marvel” foi a raça mutante. A coisa já não andava muito boa no período pré-Guerras Secretas: Conflitos temporais, guerras espaciais, testamento de charles xavier, colapso nervoso de seu líder revolucionário – Scott Summers e aquele bom e velho ódio anti-mutante que nunca dá trégua para os homo sapiens superior.

Na nova Marvel no entanto, além disso tudo de ruim, os mutantes são acometidos por uma outra praga na forma das névoas terrígenas liberadas na atmosfera do planeta durante a saga “Infinito” (Lembra não? Então leia a resenha aqui). O fato é que a mesma substância que deu vida a uma nova enxurrada de novos super-seres no Universo Marvel é extremamente nociva para os mutantes. Além disso, as repercussões de um misterioso ato terrorista perpetrado pelo já vilanizado Scott Summers aumentou ainda mais o sentimento anti-mutante em âmbito mundial.

E foi esse presentão que a Marvel entregou ao autor Jeff Lemire em seu primeiro gibi de equipe na Casa das Ideias: Uma equipe devastada e uma situação deprimente no mínimo. Extraordinary X-Men já está em sua quarta edição lá fora e assim podemos fazer uma avaliação mais criteriosa do trabalho do roteirista no principal título mutante da Marvel.

HQ do Dia Extraordinary X-Men

Lemire em seu primeiro arco nos mostra os X-Men oito meses após o início deste novo universo Marvel (assim como todos os outros títulos da editora no momento). Ciclope fez alguma merda muito séria (de novo, né?) com os Inumanos e aparentemente morreu no processo queimando o filme da raça mutante de maneira épica. Atualmente na Marvel, um mutante não pode aparecer em público na rua sem ser hostilizado pela população e governos. Fora isso, todo mutante exposto à atmosfera terrestre sofre os efeitos degradantes das névoas terrígenas e está automaticamente estéril. Nesse contexto, Tempestade lidera o restante dos X-Men e com a ajuda de Illyana Rasputin, a Mágica tenta oferecer abrigo para todo e qualquer mutante em um lugar fora da Terra chamado X-Haven.

As quatro primeiras edições mostram Tempestade, Homem de Gelo, Forge e Mágica tentando reunir forças e recrutar mutantes desgarrados como Jean Grey, Colossus, Noturno e o Velho Logan remanescente das Guerras Secretas. O roteiro se divide entre a situação em X-Haven que desanda logo de cara e o resgate e interação entre esses novos velhos membros dos X-Men. Este talvez seja o elenco super heroico mais povoado e diversificado que Jeff Lemire já trabalhou e o sujeito tira de letra. A situação dos mutantes é deprimente, mas roteiro do autor está muito longe disso.

Aqui vemos os mutantes em uma situação extrema lutando para sobreviver e reunindo forças para se reerguer. Não há tempo para mimimi nem choradeira e Tempestade entende isso. Mesmo que isso esteja custando a sanidade da líder dos X-Men, Ororo é retratada como um exemplo de austeridade e o elenco disperso e cheio de sequelas recentes se complementa como em poucas fases dos mutantes na Marvel. Os X-Men funcionam no sofrimento, Lemire entende isso e usa estes limões para fazer uma saborosa limonada. Ogibi é permeado com diálogos curtos, objetivos e muito legais e a marca registrada do autor: Vozes distintas para cada um destes personagens. A revista ainda tem uma porção de lacunas, principalmente em relação a Ciclope, mas estas instigam e incentivam a leitura enquanto a história realmente caminha. Portanto você não vai se sentir enrolado como no run anterior de Uncanny X-Men.

O artista escalado para Extraordinary X-Men é Humberto Ramos. E como sempre em se tratando deste ilustrador, a apreciação depende muito do gosto pessoa do leitor. O traço híbrido com mangá remanescente do final década de 1990 ainda é predominante nos quadros de Ramos. Isso torna-se funcional e por vezes até bonito em cenas de diálogos, ou páginas com quadros amplos. O problema é que em cenas de ação e particularmente em cenas de ação em um gibi de X-Men o artista deve ser muito cuidadoso para não tornar as páginas initeligíveis. Ramos infelizmente nem sempre consegue transmitir claramente o que está acontecendo durante as lutas. Os poderes de alguns mutantes acabam parecendo um amontoado de rajadas disformes e sem direção (veja as cenas de ação com o Homem de Gelo ou Jean Grey por exemplo) e o excesso de gente em quadros pequenos deixa tudo com cara de improvisado. No geral existe uma inconsistência na arte em todas as edições até o momento, que varia entre o muito bom e o extremamente confuso.

Apesar da situação desesperadora na qual se encontram os mutantes, Extraordianary X-Men aparece com um raio de esperança para o retorno das boas histórias nesta franquia da Marvel. Jeff Lemire aborda a situação de forma objetiva e faz este elenco funcionar como há anos não se via. A arte de Humberto Ramos quebra um galho e até diverte quando não confunde a leitura. No geral o prognóstico para a raça mutante é horrendo, mas para suas histórias neste título é excelente.


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