Divergence

Entenda o futuro da DC Comics de forma descomplicada

No início de fevereiro a DC Comics fez um anúncio oficial sobre seus planos editoriais para 2015, que envolvem cancelamentos de títulos, rodízio de equipes criativas, novas revistas, novos personagens e um direcionamento diferente para alguns de seus grandes ícones.

Imediatamente e sem muito critério ou avaliação, surgiu uma avalanche de notícias provenientes de fontes duvidosas usando o temido termo “reboot”. Isso causou pânico, raiva e muitas dúvidas nos leitores, fãs ocasionais e na comunidade nerd em geral.

Após ler cuidadosamente os pronunciamentos oficiais da editora e estudar com calma a nova linha de títulos da DC Comics, resolvemos fazer este artigo para tentar sanar as dúvidas mais frequentes com os FATOS que até agora foram apresentados oficialmente pela editora.

O conteúdo abaixo não contém especulações, portanto, muitas perguntas ainda ficarão sem resposta até que finalmente chegue a metade do ano e esta nova linha editorial seja lançada.

O que diabos é DIVERGENCE?

Até o presente momento, a única informação oficial que cita o termo DIVERGENCE é o título da revista “DC Comics: Divergence” que será distribuída no “Free Comic Book Day” (FCBD), em Maio de 2015.

Divergence | Entenda o futuro da DC Comics de forma descomplicada

A capa de “DC Comics: Divergence”

Segundo anúncio oficial da editora, a revista será um preview das próximas edições das revistas “Batman”, de Scott Snyder e Greg Capullo – mostrando o novo status-quo no universo do Cavaleiro das Trevas pós-Endgame; “Justice League”, de Geoff Johns e Jason Fabok – mostrando uma prévia da aguardada saga “Guerra de Darkseid” e, por fim, uma prévia de “Superman” com o novo roteirista Gene Luen Yang e o artista regular John Romita Jr.

Podemos concluir, portanto, que Divergence é somente o termo usado para um preview dos próximos lançamentos da editora no segundo semestre de 2015 – o que é bem comum, se tratando da indústria de quadrinhos.

Mas Divergence não é “O fim dos Novos 52”?

Para entendermos o que seria o polêmico “Fim dos Novos 52”, primeiramente, precisamos entender o que significa o termo “Novos 52”:

“Novos 52” é o termo utilizado pela DC Comics para classificar a sua fase editorial pós-Flashpoint. Muito mais do que uma referência a um mero número de publicações, esta nomenclatura define o UDC que vale atualmente.

Portanto se você está lendo as aventuras do Superman sem as cuecas e com armadura, do Flash como Barry Allen e um Wally West afro-descendente, do Ciborgue na Liga da Justiça e a Mulher-Maravilha como Deusa da Guerra, você está lendo a cronologia atual da DC Comics.

Durante os quase 4 anos de “Novos 52”, a quantidade de títulos publicados pela editora variou e nem todo mês tivemos exatamente 52 revistas sendo publicadas.

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A nova “Justice League of America” de Bryan Hitch

Podemos concluir que o temido “Fim dos Novos 52” só pode ser determinado, de fato, se a editora anunciar que haverá uma redefinição de toda a sua cronologia e de seus personagens a partir do zero, como já ocorreu no passado. Não houve nenhum anúncio desta natureza até o presente momento, portanto, o termo “reboot” fica fora de cogitação.

Mas e os cancelamentos e novas revistas que serão lançadas este ano?

Vamos por partes. Muito antes de se falar em Divergence, a DC Comics já planejava finalizar vários de seus títulos, seja por seus respectivos arcos estarem chegando ao fim, ou por decisões editoriais baseadas em vendas, estratégia de marketing, etc.

Esses cancelamentos foram divulgados através dos anúncios de solicitações de varejistas de quadrinhos para Março de 2015 e não estão relacionados com “reboot” ou algo deste tipo. É válido lembrar que Março é o mês que precede a super saga multiversal da DC deste ano, denominada “Convergence”, mas não vamos nos adiantar.

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A Guerra de Darkseid se aproxima

Conforme reportado anteriormente aqui no Proibido Ler, segue a lista dos cancelamentos de títulos DC Comics:

Primeiramente temos as três revistas semanais da editora – Batman Eternal, New 52: Futures End e Earth-2: World’s End – que finalizam seus arcos em Março de 2015 e serão descontinuadas.

Em seguida temos a lista de cancelamentos:

  • AQUAMAN AND THE OTHERS
  • KLARION
  • SECRET ORIGINS
  • STAR-SPANGLED WAR STORIES FEATURING G.I. ZOMBIE
  • TRINITY OF SIN
  • WORLDS’ FINEST
  • ARKHAM MANOR
  • BATWOMAN
  • GREEN LANTERN CORPS
  • GREEN LANTERN: NEW GUARDIANS
  • RED LANTERNS
  • SWAMP THING
  • INFINITY MAN AND THE FOREVER PEOPLE

Outra revista que chega a seu fim é “INJUSTICE: GODS AMONG US YEAR THREE”.

Nos meses de abril e maio, a DC Comics entra no evento Convergence e, além da saga principal, temos 40 títulos com histórias em duas partes mostrando várias Terras diferentes no Multiverso da editora.

A partir de junho de 2015 a configuração da linha editorial da DC Comics muda bastante. Primeiramente temos a estreia de 24 novos títulos com o número 1 na capa:

  • “Robin, Son of Batman” Escrita e ilustrada por Pat Gleason
  • “Black Canary” Escrita por Brenden Fletcher e desenhada por Annie Wu
  • “Martian Manhunter” Escrita por Rob Williams com os desenhistas Ben Oliver e Paulo Siqueira
  • “Earth 2: Society” pelo escritor Daniel H. Wilson e o artista Jorge Jimenez
  • “Midnighter” Escrita por Steve Orlando e desenhada por ACO
  • “Bat-Mite” Escrita por Dan Jurgens com desenhos de Corin Howell
  • “Batman Beyond” também por Dan Jurgens com Bernard Chang nos desenhos
  • “Cyborg” Escrita por David L. Walker e com desenhos dos artistas Ivan Reis e Joe Prado
  • “Dark Universe” por James Tynion IV desenhada por Ming Doyle
  • “Doomed” escrita por Scott Lobdell e desenhada por Javier Fernandez
  • “Harley Quinn/Power Girl” pela equipe de roteiristas Jimmy Palmiotti, Amanda Conner e Justin Gray com desenhos de Stephane Roux
  • “Red Hood/Arsenal” por Scott Lobdell e Denis Medri
  • “Starfire” escrita por Jimmy Palmiotti e Amanda Conner e desenhada pela artista Emanuela Lupacchino
  • “We Are Robin” escrita por Lee Bermejo e desenhada por Rob Haynes e Khary Randolph
  • “Justice League of America” escrita e desenhada pelo astro Brian Hitch
  • “Bizzaro” escrita por Heath Corson desenhada por Gustavo Duarte
  • “Prez” escrita por Mark Russell com arte de Ben Caldwell
  • “Omega Men” escrita por Tom King e desenhada por Barnaby Bagenda
  • “Mystic U” (título provisório) por Alisa Kwitney e Mauricet
  • “Section Eight” pela aclamada dupla Garth Ennis e John McCrea
  • “Dr. Fate” escrita por Paul Levitz e desenhada por Sonny Liew
  • “Green Lantern: Lost Army” por Cullen Bunn, desenhada por Jesus Saiz e Javi Pina
  • “Justice League 3001” escrita por Keith Giffen e J.M. DeMatteis e desenhada por Howard Porter
  • “Constantine: The Hellblazer” por Ming Doyle e Riley Rossmo
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Capa de “We are Robin”

Analisando cuidadosamente esses novos títulos, podemos notar que muitos deles são derivados de títulos pré-existentes. Como fica claro em “Justice League 3001” (que inclusive tem a mesma equipe criativa de Justice League 3000), “Earth-2: Society” (derivada de Earth-2), “Constantine: The Hellblazer” (que só ganhou um subtítulo) e “Green Lantern: Lost Army” (que vem substituir a enorme quantidade de títulos atuais das Tropas dos Lanternas).

A prova cabal que desmente todos os boatos de um “reboot” na DC Comics é a manutenção de 25 títulos recorrentes, com a numeração atual e com suas equipes criativas praticamente intactas.

Os títulos que continuam sendo publicados no UDC são os seguintes:

  • “Action Comics” por Greg Pak e Aaron Kuder
  • “Aquaman” por Cullen Bunn e Trevor McCarthy
  • “Batgirl” por Cameron Stewart, Brenden Fletcher e Babs Tarr
  • “Batman” pela dupla Scott Snyder e Greg Capullo
  • “Detective Comics” por Brian Buccelato e Francis Manapul
  • “Batman/Superman” por Greg Pak e Ardian Syaf
  • “Catwoman” por Genevieve Valentine e David Messina
  • “Deathstroke” escrita e desenhada por Tony Daniel
  • “Flash” por Rob Venditti, Van Jensen e Brett Booth
  • “Gotham Academy” por Becky Cloonan, Brenden Fletcher e Karl Kerschl
  • “Gotham By Midnight” por Ray Fawkes e Juan Ferreyra
  • “Grayson” por Tim King, Tim Seeley e Mikel Janin
  • “Green Arrow” por Ben Percy e Richard Zircher
  • “Green Lantern” por Robert Venditti e Billy Tan
  • “Harley Quinn” por Amanda Conner, Jimmy Palmiotti e Chad Hardin
  • “Justice League” por Geoff Johns e Jason Fabok
  • “Justice League United” com roteiro de Jeff Parker, Travel Foreman e Paul Pelletier
  • “Lobo” por Cullen Bunn e Cliff Richards
  • “Secret Six” por Gail Simone e Dale Eaglesham
  • “Sinestro” por Cullen Bunn e Brad Walker
  • “New Suicide Squad” por Sean Ryan e Carlos D’Anda
  • “Superman” por Gene Luen Yang e John Romita Jr.
  • “Superman/Wonder Woman” por Peter Tomasi e Doug Mahnke
  • “Teen Titans” por Will Pfeifer e Kenneth Rocafort
  • “Wonder Woman” por Meredith Finch e David Finch
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O novo título “Starfire” protagonizado por Estelar

Mulher-Maravilha, Flash, Batman, Lanterna Verde, Liga da Justiça, Esquadrão Suicida, Exterminador, entre outros, continuam com exatamente a mesma equipe criativa de antes. Segundo a editora, TODOS os títulos acima continuam com a numeração corrente e com as mesmas premissas anteriores. Portanto, fica impossível usar o termo “reboot” nessas condições.

Sobre os novos títulos com o número 1 na capa, o pronunciamento oficial do Co-Publisher e responsável pelas publicações da editora, Dan Didio, é de que “Nesta nova era narrativa, a história precederá a continuidade enquanto continuaremos a dar poder aos criadores para contar as melhores histórias da indústria”.

“Estamos enxergando uma audiência mais diversificada . Estamos vendo um público mais jovem. Estamos vendo pessoas realmente empolgadas com quadrinhos. Então o que estamos tentando fazer é abraçar toda a nossa audiência e criar um produto que acreditamos se comunicar com todo mundo”. – Didio completa.

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Imagem promocional da nova HQ da Canário Negro

O outro co-publisher da editora, Jim Lee, também se pronunciou em relação aos novos rumos da editora: “Mais do que antes, o fãs da DC Comics estão sendo expostos ao nosso rico portfólio de personagens através de múltiplas fontes, incluindo uma quantidade sem precedentes de programas de TV, videogames e filmes vindouros. Estamos tentando estender esta experiência nas publicações para garantir que haja uma revista em quadrinhos para todo mundo. Por exemplo fãs do seriado ARROW podem querer mais histórias sobre CANÁRIO NEGRO. Agora eles podem encontrar encarnações modernas dos personagens nas páginas de suas revistas solo nas lojas de quadrinhos ou digitalmente”.

Importante destacar que estes pronunciamentos se referem aos novos títulos da DC Comics que chegam às bancas em junho não se aplicando aos títulos recorrentes da editora.

O que Divergence tem a ver com Convergence?

Nada.

Divergence, conforme foi explicado no início do artigo, é somente o título da prévia dos novos títulos da DC Comics, que será divulgada em Maio no FCBD 2015.

Convergence é a super saga que reúne todo o Multiverso DC Comics este ano e será publicada nos meses de Abril e Maio. Durante Convergence, todos os títulos atuais da editora terão uma pausa e serão contadas histórias em duas partes relacionadas ao evento.

Após Convergence, em junho de 2015, a chamada reformulação da linha editorial da empresa se inicia e a DC Comics deixa de operar na Costa Leste dos Estados Unidos, mudando-se para a Califórnia.

Afinal, o que vai acontecer com o Universo DC este ano?

Esta é realmente a questão central a ser respondida. Pelas evidências apresentadas acima, podemos concluir que o rumo editorial da DC Comics em junho não aponta para o tenebroso “reboot”.

O que o futuro reserva para a editora são duas linhas distintas de publicações:

Uma delas mantendo um núcleo de personagens, cronologia e histórias que já vem sendo apresentadas desde o início dos “Novos 52”, sem alterações aparentes e mantendo a continuidade praticamente intacta, apesar de ter sofrido vários cancelamentos.

A outra linha de publicações é muito mais agressiva comercialmente e totalmente direcionada para o público menos hardcore de quadrinhos. Esta nova linha editorial não tem uma preocupação tão forte com cronologia e é destinada a capturar a audiência dos filmes, games e seriados da empresa.

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O design do novo título de Bizarro

Este é o perfil da editora para o ano de 2015. Duas DC Comics: uma para os fãs mais hardcore e outra para os novos leitores que são um mercado importante a ser capturado.

Logicamente ainda restam muitas dúvidas sobre esta nova linha de publicações. A própria editora afirmou que outros títulos ainda serão anunciados no decorrer deste ano. O

que podemos afirmar com certeza é que a DC Comics novamente toma uma decisão radical com o intuito de abocanhar um pouco mais do disputado mercado de quadrinhos e tanto novos quanto antigos leitores terão que se adaptar a esta nova realidade.


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