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Como Convergence alterou todo o Multiverso

Convergence, a super saga da DC Comics, já terminou lá fora (e nem chegou ao Brasil ainda, rs). O evento, que durou dois meses, paralisou as mensais da editora e foi recebido pelo público somente como um “tapa buraco”, enquanto os escritórios da editora se mudavam da costa leste para oeste dos Estados Unidos.

Entretanto, o evento acabou surpreendendo os descrentes e teve um impacto gigantesco no Multiverso DC, principalmente por causa de sua última edição.

O post tem o intuito de fazer um pequeno resumo dos acontecimentos da saga principal, destacar tie ins interessantes e explorar as repercussões deste evento na linha de publicações da editora. Portanto se você ainda não leu a saga, podem sim haver muitos spoilers.


Antes de embarcar nessa leitura, é aconselhável que você tenha lido os seguintes artigos:


 

Ok. Do que se trata Convergence?

A história principal de Convergence é sobre a consciência multiversal Brainiac (aquele mesmo), que vem ao longo de um ano capturando cidades inteiras através de todas as linhas temporais do Multiverso DC e as engarrafando em “domos”, para experimentos secretos.

Esses “domos” são colocados em um planeta senciente chamado “Telos”. Telos é um planeta e um ser ao mesmo tempo e existe numa região fora do Multiverso DC. As “amostras” coletadas por Brainiac são sempre capturadas em ocasiões que precedem o fim destes universos.

Temos aprisionadas cidades oriundas de períodos da editora que variam desde o “Pré-Crise nas Infinitas Terras”, passando por “Flashpoint”, “Reino do Amanhã”, “Zero Hora” e assim por diante.

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Telos e as múltiplas realidades aprisionadas em Convergence.

Ao sair para coletar uma amostra da Terra-0 pós-Flashpoint (o Universo DC onde se passam as histórias atuais), Brainiac ficou preso e não conseguiu retornar a Telos. O planeta, sentindo que algo havia dado errado com seu mestre Brainiac, põe em ação o plano original de seu criador – remover os “domos” de todas as cidades aprisionadas e obrigar seus maiores heróis a duelarem pela sobrevivência de seus locais de origem. Esses duelos dão origem aos tie-ins da saga, que apresentam divertidas histórias protagonizadas por versões antigas de vários personagens do elenco da editora.

A história da saga principal mostra os heróis da Terra-2 pós-Flashpoint tentando retornar ao seu universo de origem e impedir Telos de continuar seu experimento com os povos do Multiverso.

O que eu preciso ler dos tie ins da saga?

Felizmente Convergence foi projetada para que os saudosos fãs relembrassem seus personagens favoritos, então nenhum tie-in específico é vital para o entendimento da saga principal. Se você curte os Titãs de Marv Wolfman, Hal Jordan como Parallax, Jean-Paul Valley como Batman ou até o Aquaman selvagem e maneta da fase escrita por Peter David, fique a vontade para escolher seu tie-in favorito.

Em tempo, o único tie-in que talvez tenha uma relação mais profunda com a saga principal seja o do Gladiador Dourado, pois o mesmo remonta a perguntas deixadas na antiga série do personagem, assim como em sua one-shot durante a saga Futures End. Isso além de ser uma história bastante divertida de um personagem carismático da editora e que já não tinha um tratamento decente há algum tempo.

O que aconteceu em Convergence que mudou o Multiverso DC?

Ok, agora chegamos ao cerne da questão. O Multiverso DC, atualmente, é um conglomerado de 52 realidades alternativas da editora, nas quais habitam múltiplas versões de seus personagens.

O que ocorreu em Convergence foi o seguinte: uma das múltiplas realidades aprisionadas por Brainiac durante a saga foi o reino de “Skartaris”, uma terra de magia onde o maligno mago “Deimos” enfrenta o guerreiro “Warlord”.

Deimos aproveitou-se da Convergência e aprisionou, no centro de Skartaris, os grandes mestres temporais do Multiverso DC. Enquanto os heróis e vilões das cidades se digladiam e Telos está distraído com os refugiados da Terra-2 que o enfrentam, Deimos se apossa deste poder temporal e o usa para tentar dominar todo o Multiverso.

Telos, todos os heróis aprisionados que batalhavam e os refugiados da Terra-2 se voltam contra Deimos, que é destruído por Parallax. Com isso toda a energia temporal armazenada por Deimos é liberada e isso ameaça toda a existência do Multiverso DC.

O próprio Planeta Telos corre o risco de se tornar um projétil temporal que pode rasgar o tecido do Multiverso por completo. Então a quem os heróis recorrem nesta hora de sufoco? (Felizmente) Errou quem disse Batman!

Sim. Ele, o Gladiador Dourado, na verdade ele, sua irmã e sua versão “evoluída” chamada Waverider, trazem Brainiac de volta a Telos. O vilão, tendo testemunhado todos os eventos da história da DC Comics e transitado por quase todo o Multiverso em suas andanças, está arrependido e sequelado pela exposição contínua às viagens pelo Multiverso.

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Os heróis DC aguardam seu destino.

Brainiac pretende restaurar sua antiga “humanidade”. Para isso ele separa o “ser” Telos do “planeta” Telos e retorna todos os personagens e cidades que participaram de Convergence às suas realidades de origem.

Mas existe um grande problema nisso tudo, chamado “Crise nas Infinitas Terras”. A primeira Crise é um evento de tamanha magnitude na cronologia da editora, que bloqueia os poderes temporais de Brainiac, impedindo-o de devolver todos às suas respectivas realidades.

Com isso, é necessário impedir que o acontecimento mais marcante da Crise (a unificação do Multiverso DC em um único universo Pós-Crise) aconteça. Um time composto por Supergirl Pré-Crise, Barry Allen Pré-Crise, Superman Pós-Crise (com Lois Lane e o mais novo filho do casal, Jonathan a tira-colo) e o improvável Hal Jordan versão Parallax (buscando redenção por seus crimes), parte direto para a “Crise nas Infinitas Terras”.

Eles impedem que o Multiverso existente antes da primeira Crise se torne um só, preservando, em teoria, todas as linhas temporais da editora, desde sua criação lá na década de 1940. Além disso, Brainiac está de muito bom humor (ou muito arrependido) e dá o Planeta Telos ao pessoal da Terra-2, que estava sem um mundo. Toda a desolação deste planeta é transformada em um grande paraíso verde pela ação do Lanterna Verde, Alan Scott.

Calma… Vamos respirar, reler tudo e assimilar porque foi muita informação junta.

Mas isso significa que todas as histórias, novas e velhas, valem?

Em teoria sim.

Tudo que já foi publicado na DC Comics, desde a sua criação, tem relevância na cronologia atual, tendo em vista que o Universo Pré-Crise foi preservado pela ação dos heróis. No entanto, é importante observar que ao final de Convergence #8, Brainiac afirma ter havido uma “evolução” nas realidades.

E o que diabos seria essa tal evolução? Em duas páginas duplas e extremamente elucidativas os artistas da saga, Stephen Segovia, Ethan Van Sciver e Carlo Pagulayan, demonstram com imagens o que nós teríamos de elaborar em um parágrafo inteiro.

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Das páginas de Convergence, a evolução das Terras da DC Comics.

Ou seja: o que temos atualmente são versões evoluídas das antigas Terras do Multiverso, atualizadas e baseadas no novo Mapa do Multiverso de Grant Morrison. Além de todas as infinitas terras que já existiam no período Pré-Crise.

Isso torna o Multiverso DC, teoricamente, muito mais vasto e abrangente do que o proposto antes de Convergence – que tinha um número fixo de 52 Terras catalogadas.

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Seus personagens favoritos evoluíram com o tempo.

Mas isso tudo invalida a Crise nas Infinitas Terras?

Não. A Crise, como evento, não foi invalidada com o final de Convergence. O que foi alterado foram as consequências da Crise. Mais especificamente a unificação do Universo DC após a saga. Se formos levar ao pé da letra, esta consequência, em particular, da primeira Crise já havia sido invalidada há algum tempo tendo em vista que o Multiverso voltou a existir pouco antes dos eventos de Crise Infinita e depois foi remodelado até a configuração de 52 Terras no período Pós-Flashpoint. Então, teoricamente, o “estrago” promovido por Convergence é, a princípio, uma alteração nesta consequência do maior evento da DC. Consequência esta que nunca foi levada assim tão a sério pela editora.

Então como ficam as publicações daqui para frente?

Essa é uma pergunta muito importante. Se você é um leitor novo que vai pegar sua primeira revista DC, felizmente a sua vida ficou um pouco mais fácil. Com a iniciativa DC YOU, os títulos da DC Comics passam a ter amarras de continuidade muito mais fracas e você pode simplesmente pegar um gibi de seu personagem favorito sem se preocupar se estes eventos se relacionam com esta ou aquela linha temporal ou outra revista.

Todas elas valem e muitas revistas tem universos inteiros contidos nelas próprias, como é o caso da novíssima “Earth-2: Society”, que deriva diretamente dos eventos de Convergence.

Para os leitores antigos, que só sabiam reclamar da DC Comics após Flashpoint, isso pode ser uma boa. Tendo em vista que a partir de agora, teoricamente, todas as histórias voltam a “valer”, você pode finalmente jogar fora a sua caixa de lenços e parar com seu mimimi. Quem sabe a editora decide revisitar alguma versão favorita daquele seu personagem em alguma história futura?

Para quem estava acompanhando o universo DC Comics dos Novos 52, tudo continua praticamente intacto. E você ainda vai ver todas as suas versões de Superman, Mulher-Maravilha, Aquaman, etc. Os leitores e criadores ainda ganham de lambuja todo um Multiverso com infinitas terras para criar e/ou revisitar daqui para frente sem se preocupar com problemas de cronologia. É realmente uma solução bem simples para algo que nunca foi assim tão problemático, convenhamos.


Então, resolvemos suas dúvidas? Está animado com um novo Universo DC? Ou achou tudo uma palhaçada? Deixe sua opinião nos comentários abaixo.


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