Marvel, Disney+ e uma teoria sobre duas Américas
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Marvel, Disney+ e uma teoria sobre duas Américas

O futuro da Marvel no streaming e os novos ares com a estreia de dois Capitães América

Esse artigo não passa de uma opinião mega pessoal, sem muitas bases em fatos revelados até então, mas que traz uma ideia que poderia ser interessante na nova fase da Marvel.

Quem não pirou com os anúncios da Disney pro ‘Dia do Investidor’ que rolou no dia 10 de dezembro de 2021?

Foi uma enxurrada. Coisa da Marvel, coisa da Pixar, coisa de Star Wars e a maioria, nada mais justo, são anúncios para o recém-nascido – um bebê gigantesco – o Disney+.

Dentre todas novidades, uma em específico me deixou de cara. Já sabíamos que ia rolar, teve aquele trailer geral envolvendo os primeiros materiais do MCU e suas séries e, antes disso, “Falcão e Soldado Invernal” já prometia um novo mundo de possibilidades.

Contexto

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Steve Rogers está velho. O final de “Vingadores:Ultimato” (2019) permitiu que ele tivesse duas vidas sem que o mundo sofresse com a falta do super-herói. Enquanto o mais novo estava na Batalha de Nova York, no desastre de Sokovia e eventualmente na luta contra Thanos, o outro esteve descansando na vida merecida, em um arco redondo que começou prometendo uma dança e terminou entregando a tal da dança. Nada mais justo.

É hora de passar o manto. O final de Vingadores é taxativo, deixa a faca e o queijo na mão para que Sam Wilson, o Falcão, receba o escudo e as listras para ser o próximo Capitão América.

A contraparte de Steve Rogers dos quadrinhos, no entanto, já teve de passar o manto mais de uma vez. Após sua fatídica morte em “Guerra Civil”, aquela em que o Tony é um milhão de vezes pior do que a versão cinematográfica, quem assume o cargo é o mais velho amigo de Steve, James Buchanan Barnes, outrora Soldado Invernal. Depois Rogers volta, de praxe, e se torna primeiro e único Capitão América de novo; até perder o soro do super-soldado e, aí sim, o Falcão adicionar azul ao uniforme.

Capitães bem diferentes

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Em cada passagem, a figura do Capitão América representa algo novo. Para Steve Rogers significa o ideal americano contra a corrupção moderna do governo (pelo menos desde os anos 70); para Bucky Barnes é a chance de redenção após anos de lavagem cerebral e atos monstruosos; para Sam Wilson é a possibilidade de ser um novo símbolo, representar uma nova América e, mais ainda, ser um coração para ‘Os Vingadores’.

Essa mesma diferença se dá nas histórias de cada um. Bucky traz um clima de espionagem, inclusive com Sam ao lado, em missões mundo afora contra conspirações. Quando se trata de Wilson, por outra perspectiva, são roteiros mais centrados no que significa ser o Capitão América e qual a nova identidade nacional, além de ter uma presença muito maior do que o Bucky nos títulos de equipe.

A expectativa

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Quando assisti ao filme pela primeira vez, confesso que fiquei desgostoso em ver o escudo sendo passado a Sam Wilson antes de Bucky. Não por exigência de fidelidade aos quadrinhos, adaptações devem trazer sua própria bagagem, mas por um senso de despropósito. Ok, Sam Wilson agora é o Capitão América; mas o Bucky é o que? Soldado Invernal quando esse título nem mais convém? “Lobo Branco”, que foi um nome que nem pegou e não se viu fora da promoção de “Vingadores: Guerra Infinita” (2018)?

O Falcão funciona mantendo sua denominação; o Soldado Invernal, não. Mesmo que o Sam seja o Capitão contemporâneo, o que é sim tutelado pelas HQs, em um primeiro momento achei que poderiam esperar um pouco mais. O Soldado Invernal precisava da redenção, resolver seus conflitos e passar pelo belo dilema que é ser o herói americano tendo cometido crimes de guerra e correndo a chance de ser desmascarado. Hoje enxergo de forma diferente. E isso graças ao material promocional da série.

Primeiro, vamos lá: Sam Wilson não é Capitão América ainda. É o Falcão e finalmente tem um uniforme devidamente colorido. Está treinando para ser o merecedor do escudo e, mais ainda, não tem como não ficar ansioso para acompanhar a evolução do personagem – pois aparentemente a dupla não se sente à altura da responsabilidade de carregar o que o velho Steve deixou para eles.

Existe um cenário imenso a ser explorado por aqui, por mais que Sam Wilson definitivamente será Capitão América – e isso é ótimo – não acontecerá da maneira taxativa e abrupta que o final de Ultimato entregou. Como se, só por receber o novo escudo, o personagem já se sentisse confiante o suficiente para empunhá-lo. E Bucky acompanhará de perto, provavelmente passando por conflitos semelhantes; ainda mais considerando que o Barão Zemo, que fez o ex-soldado soviético sofrer tanto nos quadrinhos, estará presente para fazer o mesmo aqui.

Subversão

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Aqui vem o ponto da virada: como citei, por ser uma opinião sem base em notícias, mas expectativa de trama e germinada por pura esperança, eu gostaria de ver dois Capitães Américas simultâneos no MCU.

Tudo bem, dá até pra dizer que um usar vermelho e branco e o outro usar azul seja sugestivo, mas é uma teoria com telhado de vidro. Ainda assim, a ideia de que a série pode amadurecer não apenas o Falcão para se tornar digno de empunhar o escudo de vibranium (e o martelo do Deus do Trovão), mas também o seu parceiro seria um refresco adequado a um símbolo clássico.

É uma ideia que poderia trazer toda a pluralidade sobre o que é ser o Capitão América como dito acima, explorando conflitos bem diferentes de cada perspectiva. Cada um atuando em um cenário: Sam sendo o representante dessa nova América, com a importância de ser um Capitão América representativo e trazendo a alma de já ter feito parte dos Vingadores antes, agora escalonando para um dos principais membros do time; enquanto Bucky faria jus ao Capitão América espião mostrado em “Capitão América 2: O Soldado Invernal” (2014), filme que por sinal introduziu ambos os protagonistas.

Um cuida de alienígenas (Skrulls vindo aí) e dá esperança para as crianças, o outro continua no árduo trabalho de desmantelar os males que a segunda guerra e tantos outros conflitos políticos trouxeram para a humanidade. Hydra, IMA, o que quer que Viúva Negra traga de inimigos novos…

Assim como em Guerra Civil o Steve desafiou o status quo do governo americano e se colocou em favor dos ideais que acredita serem o cerne de sua nação, dois Capitães empunhando o escudo podem trazer visões e abordagens igualmente contundentes. Fora que, convenhamos, seria um conceito de legado bem diferente do que já se vê por aí.

E aí, curtiu?

Escrito por Diego Muntowyler

Marketing digital durante o dia, escritor durante a noite. De ficção a conteúdo nerd, acredito na palavra como arte e é hora de parar de engavetar as coisas. Que a Força esteja com você.

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