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Por quê o Demolidor da Netflix merece uma chance no MCU

São tempos de hype e aqui estão os motivos!

Disney+ chegando no Brasil, Warner com material de sobra envolvendo as novas produções (enfim um bom caminho), o MCU se reorganizando após um ano de praticamente silêncio e cada vez mais nos aproximamos da superação do Covid-19, mesmo que não saibamos, na prática, o que isso significa e o que nos espera para 2021 em diante. Ainda assim, são tempos de hype.

E ainda neste ano se tornou mais evidente uma verdade que já presenciávamos no mundo do entretenimento, mas que agora se faz mais sólida do que jamais foi: o fã tem voz. E não é só voz para elogiar quando acertam ou denunciar quando erram, mas de prevenir as decisões tomadas pelos grandes executivos à frente dos principais estúdios do mercado; de, a partir de um trailer e uns materiais promocionais transformar um ouriço humanoide e assustadoramente musculoso em uma versão 3D do mesmo ouriço azulado, antes preso em duas dimensões.

A voz do fã também ressuscitou um projeto de um diretor abalado em um misto de causa e curiosidade de um filme injustiçado (e vamos ignorar que a Warner precisava de material que pudesse ser lucrativo após tantos adiamentos de gravação, ok?).

Dentre todos esses movimentos, tem uma pauta que antes já circulava por aí, mas agora realmente é um eco atrás de resposta, uma pauta à qual até o Bosslogic prestou apoio recente (e a gente sabe que um produtor de fan-arts que oficialmente produziu as artes de Adão Negro ao lado do favoritinho Jim Lee tem moral, não sabe?).

Trata-se da tag #SaveDarevevil, que retornou com tudo após a oficialização de que os Estúdios Marvel podem voltar a usar o personagem.

Sem mais delongas, como o Proibido Ler já deu seu veredito sobre a necessidade de jornalismo de opinião no mundo da cultura pop, trago aqui alguns dos principais motivos pelos quais o Demolidor de Charlie Cox merece estar no Universo Cinematográfico da Marvel.

Os Personagens

Demolidor de O Homem sem Medo (Frank Miller e John Romita Jr) e Demolidor da série

Daredevil traz um elenco forte, com Karen Page (Deborah Ann Woll), Foggy Nelson (Elden Henson), Frank Castle (Jon Bernthal), Wilson Fisk (Vincent D’Onforio!) e tantos outros personagens relacionados ao Demônio de Hell’s Kitchen sendo caracterizados com maestria. Desde o caminho da máfia e a luta honrada contra a corrupção da cidade até o clima mais absurdo envolvendo uma seita de ninjas reforçam a concepção que principalmente o mestre Frank Miller deu a esses personagens, inclusive trazendo à tona uma de suas criações, a queridinha Elektra (Élodie Yung).

Todos possuem arcos de evolução intocáveis, desde seus segredos até as suas contradições. A série vai mais longe do que apresentar a ambiguidade clássica de Murdock – advogado de dia e vigilante de noite – mas traz a seu elenco uma série de contrastes que só aprofundam cada vez mais os temas abordados.

Mesmo uma criação original, como o Agente Especial Ray Nadeem (Jay Ali), toma força ao demonstrar na prática e pela primeira vez como você se torna refém do sistema que Fisk representa, e toda essa perspectiva urbana com personagens tão bem desenvolvidos (mais ricos impossível) só teria a beneficiar as tramas de maiores proporções do MCU.

Demolidor, Rei do Crime, Mercenário (Wilson Bethel), Justiceiro, Elektra. Estão todos aí, basta a Marvel pegar (a gente sabe que não é fácil e envolveria uma longa papelada com a Netflix, mas o Homem-Aranha é o melhor exemplo de como uma parceria bem feita pode ser benéfica para os dois lados, e isso não retira o cagaço de romperem a qualquer momento).

A Escala

Poster promocional de Daredevil, da Netflix

Demolidor é uma série concisa. Começa explorando a construção de seu protagonista e seu antagonista concomitantemente, em arcos que se cruzam e eclodem no final. Matt Murdock não é o Demolidor ainda; Wilson Fisk não é o Rei do Crime ainda, e ambos só vêm a receber as respectivas alcunhas na segunda temporada, até que se explora a ambas devidamente na terceira.

Em todas, há uma escalada: uma conspiração em que o espectador não precisa de muita suspensão de descrença para acreditar, uns ninjas dando piruetas em uma teia que leva aos Defensores e, no fim, um golpe maior ainda, em nível federal, vindo do maior inimigo do vermelho, que retorna com tudo até deixar o protagonista sem nada. E, sinceramente: é disso que a Marvel precisa.

Vimos as coisas levarem a perspectivas cósmicas no cinema, se criou um conceito de épico bastante contemporâneo. Mas não é só de Vingadores que se vive a Casa das Ideias. Agora, mais do que nunca, é hora de outras abordagens: o multiverso com “WandaVision”, o clima de espionagem de volta à tona com “Falcão e Soldado Invernal” e, principalmente, o cenário urbano se tornando forte de novo.

Temos os mistérios envolvendo o terceiro filme do Homem-Aranha, mas que inevitavelmente explorará os dramas nova-iorquinos que sempre vimos com o personagem, além de Gavião Arqueiro e Cavaleiro da Lua que vem por aí e prometem saltos em edifícios e perseguições, além das identidades secretas (mesmo que a do teioso já não seja mais tão secreta assim).

Vale citar a teoria de que o Matt vá advogar em prol do amigão da vizinhança, mas infelizmente ela não passa de uma suposição que pode ser quebrada sem dificuldade. Em meio a todos esses personagens, o Demolidor cai com uma luva e é o momento certo para aproveitar o cenário que a série construiu.

Sei que, pra algumas pessoas, a escala é justamente o problema: ele não é o Demolidor acrobata e porradeiro dos quadrinhos; mas não é porque a Marvel pode (e deve) resgatar essa versão do personagem que ela não possa fazer algumas adaptações, afinal ele precisa mesmo de um traje vermelho e piruetas. O coração está no lugar certo: é um personagem resiliente e com dilemas de sobra, dignos dos chifres.

Os Ganchos

Ben Urich (Vondi Curtis-Hall) feliz pelo Easter Egg de Vingadores

Desde a primeira temporada há a promessa de que as séries derivadas da Netflix são, de fato, parte do universo expandido que começou lá em 2008 e ganhou seu apogeu em 2012. Quantas vezes não ouvimos referências à armaduras de ferro e martelos mágicos ou vimos reportagens sobre a Batalha de Nova York?

Na real, só existe espaço para o esquema corrupto do Fisk justamente pelo desastre alienígena, o Demolidor só é referenciado como “mais um entre tantos dotados” por causa dos heróis da telona e, mais ainda, houveram aquelas brechas nas falas dos Irmãos Russo (que melhor conduziram essa franquia, diga-se de passagem) que envolviam a possibilidade de os heróis da televisão participarem de Guerra Infinita.

Além disso, tem os ganchos da própria série: Vanessa (Ayelet Zurer) como Rainha do Crime, intocável pelo pacto de Matt com o Rei; os experimentos para restaurar a coluna de Pointdexter, que o tornariam mais letal do que nunca – e quem sabe puxaria o próprio título; a nova firma nostálgica e refrescante entre Nelson, Murdock & Page e quem sabe o que mais poderia vir da continuação dessa trilogia da Netflix.

É uma série que sempre prometeu um futuro brilhante, entregando um presente tão brilhante quanto. Demolidor não tomaria a proporção que tomou se vivesse só de promessas. E o futuro se torna ainda mais incerto e potencialmente esperançoso com o Multiverso na jogada: em um período em que se discute até a volta de um Homem-Aranha veterano dos anos 2000, por quê não resgatar, mesmo que de um universo alternativo pós os eventos de Vingadores, uma série que passou sempre tão perto de pertencer ao hall dos grandes?

Isso seria lindo de se ver

Afinal, estamos falando da Disney. A mesma Disney que, do lado de Star Wars, trouxe por clamor popular a série The Clone Wars de volta do limbo, adaptou uma personagem icônica para live action e traz chances reais de vermos Sebastian Stan como Luke Skywalker (o fancast do momento). Basta concluir que, para bem ou para o mal, a decisão é popular.

Seja como for, o Demolidor está de volta ao lar – e por bem desta vez não foi tão longe quanto em 2003. Brincou no quintal do vizinho, que o tratou muito bem, e agora é mais forte em tamanho, alcance e respeito. Mesmo que sejam dados novos ares ao personagem, a série da Netflix ficará na história do Homem sem Medo e de sua mitologia.

Mesmo que disséssemos adeus a esta versão do personagem, será com a satisfação de ter visto uma adaptação sem precedentes de um personagem do universo Marvel, que deixa consigo um gosto de quero mais e que faz valer um levante, mesmo que sem resposta, do eco de #SaveDarevevil. Resta esperar que a audição do roedor engravatado seja tão apurada quanto a do nosso herói.

E aí, curtiu?

Escrito por Diego Muntowyler

Marketing digital durante o dia, escritor durante a noite. De ficção a conteúdo nerd, acredito na palavra como arte e é hora de parar de engavetar as coisas. Que a Força esteja com você.

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