A importância de comédias românticas como “A Barraca do Beijo”
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A importância de comédias românticas como “A Barraca do Beijo”

Netflix renova e fortalece gênero para novas gerações

Me peguei pensando sobre o interesse da audiência da Netflix em comédias românticas. “A Barraca do Beijo 2” (2020) que entrou no catálogo do streaming em 24 de julho, ocupou o primeiro lugar nos mais vistos em menos de 48 horas. O primeiro filme lançado há dois anos, também estava entre o top 10.

O cinema é cíclico, enquanto em um tempo nós estamos vivendo o lançamento de um arrasa quarteirão em outro estamos lidando com obras menos complexas, sem grandes efeitos especiais, mas que consegue dialogar com um público engajado, jovem e que entrega um pouco de magia que a vida real jamais vai dar. Isso é cinema e ainda bem que é assim.

A importância de comédias românticas como “A Barraca do Beijo”
Filme “Gatinhas & Gatões” (1984) dirigido por John Hughes

John Hughes fazia isso muito bem nos anos 80, Chris Columbus nos anos 90 e 2000. Depois veio John Green, Judd Apatow e muitos outros. Sem falar de cineastas como Nora Ephron ou P. J. Hogan, que dirigiram filmes do gênero para um público mais adulto. A comédia romântica está aí desde que o cinema moderno passou a tocar em projetores dos cineplex em shoppings.

Há quem diga que esse tipo de gênero não tem qualidade, não é palpável, a linguagem é distante do que pode ser caracterizado cinema para os mais puristas. Não dá pra se aprofundar na mensagem, em muitos casos é difícil elogiar a fotografia, as nuances de uma simbologia qualquer ou um traveling feito de uma ponta para a outra numa velocidade que possa ser mais ou menos blasé.

A importância de comédias românticas como “A Barraca do Beijo”

As comédias românticas servem para nos colocar em um ambiente cheio de incertezas, de hormônios à flor da pele, de atitudes impulsivas, de um amor romântico e eterno típico de cinema. Do baile de formatura a cena de despedida no aeroporto, do pedido de desculpas depois de um vacilo a reconquista de alguém que jurou ir embora pra sempre, mas resolveu ficar, pois não saberia viver de outra forma sem estar ao lado da pessoa que ama. Da descoberta do amor pelo melhor amigo ou amiga que sempre esteve ali ao despertar da beleza do garoto ou garota mais estranha do colégio.

A importância de comédias românticas como “A Barraca do Beijo”

Elas foram feitas pra gente sonhar e lembrar que o amor, assim como o cinema também é cíclico. Talvez boa parte do que acontece na tela não aconteça na vida real, mas qual parte do cinema de ficção, de aventura, do policial, do suspense e terror que também não passa pela mesma coisa? Afinal de contas, estamos falando de cinema.

“A Barraca do Beijo” (2018), foi baseado no livro de mesmo nome escrito pela britânica Beth Reekles de apenas 25 anos. Uma jovem falando para a juventude sobre os dilemas de sua geração. Se houve sucesso na obra original, a chance de a adaptação para o cinema dar certo é alta. A autora enxergou que a nova geração precisava de alguém que mostrasse um universo próximo da realidade e de um jeito que adolescentes possam compreender.

John Hughes fez isso com a minha geração e pavimentou o caminho para que outras pessoas pudessem rodar por ele.

A Netflix acerta em apresentar e fortalecer o gênero para aqueles que estão se descobrindo agora, estão ou vão viver momentos como os de Elle ou Lara Jean de “Para Todos os Garotos que Já Amei” (2018). Isso é prestação de serviço, é fugir do óbvio ou da onda dos super-heróis. É mostrar para adolescentes e jovens adultos que o que eles vivem na realidade também pode ser representada nas telonas, mas com um pouco de linguagem de cinema.

A importância de comédias românticas como “A Barraca do Beijo”

“A Barra do Beijo” é só um exemplo, você pode colocar aqui qualquer outro filme que tenha causado grande impacto. Só não pode esquecer que eles são cinema e que sua proposta e público alvo são diferentes daquilo que talvez o cinéfilo ou o cult julga ser primordial para caracterizar uma obra do audiovisual digna de seu apreço e ternura.

E aí, curtiu?

Escrito por Bruno Fonseca

Jornalista, apaixonado por quadrinhos, filmes, séries e retrogames. Espero que você alcance o sétimo sentido em todos os âmbitos da vida.

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