Rick & Morty

10 melhores episódios da série animada

Podemos começar concordando que Rick e Morty é definitivamente um seriado nada menos que fantástico, certo?Um dos raros casos no qual o hype criado pelos fãs e público, corresponde ao que encontramos nesse seriado animado para adultos politicamente incorreto.

E que mesmo compartilhando de várias familiaridades e semelhanças de seriados do mesmo tipo e gênero, consegue surpreender com uma imprevisibilidade constante no desenrolar de suas tramas despirocadas, que trazem um leque vasto de temáticas, além de questões científicas e filosóficas sendo habilmente desconstruídas episódio por episódio de forma nonsense, hilária e altamente criativa.

E como esse é um seriado que, com certeza, ainda terá muito a dar, reunimos aqui, por enquanto, os 10 episódios mais magníficos entre um antro de ótimos episódios que o seriado já entregou até então. 

Big Trouble In Little Sanchez (2×7)

O que uma trama envolvendo Rick, transferindo sua mente para um corpo clone seu mais jovem para ajudar Summer e Morty a caçarem um suposto vampiro que anda assolando a escola, enquanto sofre uma crise de meia idade. Tem a ver com uma trama intercalada, onde Jerry e Beth vão pra uma terapia de casal em outro planeta, onde transformam a forma que um encara o outro, no relacionamento em monstros bizarros que se soltam e instalam o caos?

Talvez nada, mas é interessante vermos pela primeira vez Rick em um estado de vulnerabilidade questionando sua existência como um adolescente depressivo se fazendo de legalzão, enquanto Jerry e Beth, ao encarar o pior do relacionamento deles, conseguem se unir em verdadeiro amor para vencer! Mais uma vez, duas tramas completamente distintas e bizarras a sua própria maneira, mas que são habilmente criadas de forma alegórica e sempre divertida.

Close Rick-Counters of the Rick (1×10)

Quando você pensava que Rick e Morty não conseguiria se superar em sua louca criatividade, eis que vem uma das principais, bizarras e influentes tramas da série. A dupla vai parar na cidadela – a cidade planetária onde se reúnem todos os Ricks e Mortys de todas as realidades paralelas -, sob um só conselho governante. E vermos uma investigação quase conspirativa sobre uma dupla de Rick e Morty que anda assassinando Ricks e capturando Mortys em várias realidades.

De certo, não foi o melhor episódio a explorar o tema, mas vermos pela primeira vez na série vários Ricks e Mortys interagindo de forma hilária e criativa, e ainda Jeremy fazendo forte amizade com um Rick retardado, é puro ouro! E, de sobra, somos introduzidos ao possível vilão principal da série de forma bem sutil e igualmente brilhante, o misterioso Evil Morty.

Lawnmower Dog (1×2)

É impressionante como já no segundo episódio do seriado, os roteiristas já apostavam aqui em alguns dos temas científicos mais complexos. O respectivo que envolve onirologia dos sonhos e a invasão do subconsciente em seus diferentes níveis, e que sim, garante uma piada bem cutucada em A Origem (2010), de Christopher Nolan.

Onde Rick e Morty invadem o subconsciente do professor Goldenfold de Morty, para implantar a ideia em dar boas notas para jovem, e os encontros perigosos da dupla lá dentro, incluindo uma espécie de Freedie Krueger com problemas familiares. E o que acontece com a família Jerry e companhia Summer e Beth enquanto isso? Apenas enfrentam a dominação mundial do cão de estimação e seu exército com capacetes que lhes dão inteligência avançada, nada demais.

Meeseeks and Destroy (1×5)

Sem dúvidas um dos episódios mais hilários e politicamente incorreto de todo o seriado. Enquanto vemos Rick e Morty se desventurando em uma suposta missão mais “tranquila” em um planeta que parece o mundo de João e o Pé de Feijão, e Morty é quase estuprado de forma tenebrosa por uma jujuba pedófila dentro de um banheiro, vemos a família dos dois em casa recebendo a ajuda do Mr. Meesseks – o ser azul fofo de voz irritante -, para resolver problemas diversos, mas que não termina da melhor maneira. E o quê que uma trama tem haver com a outra?

Não faço ideia, só sei que o episódio nos desbanca em risadas do início ao fim. E meio que questiona a dependência da subserviência extrema e ser humano para seus problemas chulos e pessoais com a presença do Mr. Meesseks? E critica o assédio sexual de forma dura, usando metáforas como o palco medieval sendo o instinto bárbaro atrasado e a figura do doce como a inocência deturpada? Quisera outros seriados terem os mesmos culhões de Ricky e Morty.

Total Rickall (2×4)

Um dos episódios mais angustiantes e extremamente divertidos de todo o seriado. Nele, vemos os roteiristas se arriscando na narrativa de uma só locação como palco, em um roteiro afiadíssimo (como sempre) que coloca a família Smith enfrentando a invasão de um alienígena, que se multiplica e se manifesta em vários tipos de pessoas e seres que se fazem passar por conhecidos de longa data da família implantando memórias felizes e nostálgicas.

Um show de criação de tensão e suspense enquanto Rick, Morty e a família, tem que se lembrar e descobrir quem é e quem não é o alienígena dentro da casa em quarentena. E, que no meio do prazeroso massacre que se sucede e ótimas tiradas cômicas, encontramos a narrativa sutilmente sugerindo a reflexão de que apenas memórias ruins são verdadeiras e as felizes um escape da realidade. Ricky e Morty sempre nos fazendo refletir sobre nossa cruel existência em meio aos risos. 

Auto Erotic Assimilation (2×3)

O que acontece quando temos Rick apaixonado? Apenas ponha um ser intergaláctico coletivo que é capaz de assumir controle de populações inteiras e manifestar sua personalidade em qualquer ser vivo, com nome de Unidade como sendo sua amante de longa data. Um episódio interessantíssimo que introduz essa fascinante personagem da Unidade que, ao mesmo tempo que carrega essa sutil alegoria de uma união populacional sob comando de uma só personalidade, como única forma possível de paz e união no frágil meio social, também abre espaço para um estudo interessante de uma influência negativa em um relacionamento amoroso como o de Rick para Unidade com suas festanças e bebedeiras que ajudam a descambar a civilização pacífica que havia sido criada. Mas sem nos fazer perder a empatia por Rick e se sentir mal pelo relacionamento não dar tão certo.

Get Schwifty (2×5)

E quando pensavam que Rick e Morty poderia ficar sem novas idéias, vem esse episódio com o planeta Terra sendo abduzido para uma dimensão dominada por seres de cabeças gigantes que realizam um concurso de melhor número musical da galáxia, valendo a sobrevivência da raça de cada planeta. Forçando Rick e Morty se juntarem a Ice-T pra prepararem a melhor canção possível para salvar o planeta da sua destruição. Enquanto Jerry e Beth tem que conviver com os vizinhos, e Summer que começam a venerar as cabeças como Deuses e criam uma religião extremista, servindo de bela metáfora ao pragmatismo religioso, vemos Ice-T revelando sua verdadeira identidade e herança alienígena ajudando Rick e Morty a salvar o planeta. O episódio nonsense mais brilhante que você verá!

Pickle Rick (3×3)

O que pode ser dito desse clássico instantâneo? É simplesmente a perfeita mistura do nonsense absurdo e sem medo algum de ser politicamente incorreto. Aqui, vemos Rick transformado em um Pickles para apenas fugir da terapia em família que Beth leva Summer e Morty. Ele tem que enfrentar todos os tipos de perigos naturais e irreais para sobreviver matando tudo que vê pela frente da forma mais sanguinolenta possível, como o picles mais fodão já criado. Só para terminar o episódio numa surpreendente nota reflexiva, temos Rick recebendo um longo sermão existencial da psicóloga da família. Junte toda a imprevisibilidade e profundidade narrativa que você tem no seriado e a encontre aqui nesse excelente episódio. I’M PICKLE RICK!

Rick Potion #9 (1×6)

Talvez o primeiro episódio do seriado em que Rick e Morty mostraram o porquê, e quanto, eles são diferentes de outros seriados animados para adultos. Em um episódio que, aparentemente começava tão “inocente”, com Morty pedindo uma poção a Rick para lhe ajudar a conquistar Jessica durante o baile, acaba numa infestação descontrolável transformando todas as pessoas em seres insectóides. E que sem solução possível, Rick faz ele e Morty abandonarem essa realidade para outra no exato momento em que seus “eu” morrem e eles os substituem, traumatizando Morty por completo.

Enquanto Jeremy, Beth e Summer, se unem em um forte elo familiar beneficiados pelo apocalipse insectóide da outra realidade agora denominada dimensão Cronenberg, há claras pequenas referências a filmes como Mistérios e Paixões (1991) e A Mosca (1986). Um episódio que em seu surpreendente desenrolar levantam uma alegoria tão instigante e niilista, sobre como a vida e o tempo não passam de fatores simples e frágeis e fáceis de distorção nas mãos de qualquer um. E que fazem o pobre Morty, e a nós no final questionarmos a nossa própria frágil existência no universo. Algum outro seriado já conseguiu fazer tal forte efeito dramático sem perder um pingo de seu hilário senso de humor e elo referencial?

The Ricklantis Mixup (3×7)

Eis que a voz do hype em volta do seriado tem completa razão de eleger esse, como o melhor episódio que Rick e Morty já concebeu e facilmente é o ápice narrativo do seriado (pelo menos até agora). Onde retomam a já conhecida trama da Cidadela, onde coexistem os vários Ricks e Mortys e a elevam para novos níveis alegóricos inesperados e altamente complexos.

Não só enchendo de (brilhantes) referências que vão desde Conta Comigo (1986), Dia de Treinamento (2001) e Matrix (1999), como trazem até traços de 1984 de George Orwell em seus questionamentos temáticos sobre o sistema governamental e classes sociais vivendo sob o capitalismo mundano. O seriado fazendo um retrato tão verdadeiro sob nossa realidade atual, de forma escrachada, satírica e incrivelmente profunda, que só o melhor de Rick e Morty é capaz de entregar. O Evil Morty é mesmo uma ameaça a se temer e aguardar o que mais ele vai fazer no promissor e rico futuro desse primoroso seriado.

 

 


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