Querida, Encolhi as Crianças (1989)

Um dos melhores filmes de aventura de uma década inteira

Até parece que foi ontem! O sucesso que esse filme fez na época em que foi lançado não existiu nada igual. Aliás, não existia nada igual feito até então. Tudo o que se via eram os filmes de John Hughes como Clube dos Cinco (1985), Curtindo a Vida Adoidado (1986), Gatinha e Gatões (1984), Mulher Nota 1000 (1985), Quem Vê Cara Não Vê Coração (1989) e etc. Querida, Encolhi as Crianças (1989) veio pra mostrar que era possível fazer um filme com crianças e adolescentes naquela época que não envolvesse a high school diretamente, e que também não focasse no romance do garoto loser com a menina mais popular da escola, no valentão que roubava o lanche do cara estranho e jogava ele na lata do lixo ou de qualquer outro perrengue de adolescência tão costumeiros de filmes dessa fase do cinema.

Joe Johnston já vinha com um renome na industria antes de assumir a direção do seu primeiro longa metragem – Querida, Encolhi as Crianças (1989). Johnston foi o designer criador das famosas espaçonaves do filme Star Wars, mas apesar de toda a importância que esse trampo trouxe para a sua carreira, o cineasta despontou quando colheu os frutos após a estreia e sucesso de seu primeiro filme. Ele mandou bem em outros filmes como Jumanji (1995), Pagemaster – O Mestre da Fantasia (1994), filme que mistura animação com live-action e Capitão América: O Primeiro Vingador (2011).

Mas tudo tem um começo e estrear como uma aventura tão emocionante quanto Querida, Encolhi as Crianças (1989) foi um desafio e tanto. Imagine que você tinha que colocar em uma fita de 1h30 de duração, um mundo onde crianças e adolescentes tivessem momentaneamente um tamanho menor que de uma formiga. Como seria um gramado da perspectiva de um ser quase microscópico? Uma peça de LEGO? O estrago que uma bituca de cigarro faz ao ser jogada sem pudor algum no quintal vizinho? No universo criado por Johnston, foi possível ver tudo isso em tela grande e com a magia do cinema.  

Em Querida, Encolhi as Crianças (1989) conhecemos a trajetória de Wayne Szalinski (Rick Moranis), um cientista que busca emplacar a sua primeira invenção, porém tem como resultado de uma má experiência o encolhimento acidental dos seus dois filhos adolescentes. Além deles, também encolhe sem querer dois meninos da vizinhança, e todos ficam menores que alguns insetos. Agora os adolescentes vão ter que enfrentar diversos problemas por serem tão pequenos, enquanto o pai e a mãe procuram por eles, e também por uma solução.

O roteiro de Querida, Encolhi as Crianças (1989) é simples. O nome já entrega o que você vai ver do começo ao fim do longa. Mas o que diferencia aqui, é como tudo é contado. A narrativa do filme é especial por focar no básico e por passar de forma clara a sua mensagem e, além disso, mostrar como é possível ter uma aventura vivida por crianças e adolescentes que traz aquele gostinho mostrado em Os Goonies (1985), que te empolga e que, acima de tudo, é atemporal.

Os efeitos especiais foram impressionantes para a época. Mesmo que você tenha o contato com o filme agora, vai perceber que existem coisas que foram reproduzidas muito bem. Entre elas estão a textura da grama, a formiga, as gotas gigantes de água caindo por todos os lados, a bituca de cigarro, os pelos do cachorro, o mergulho num mar de leite de cereal dentro de uma tigela, enfim são apenas algumas das coisas que fizeram os olhos de uma criança dos anos 1990 brilhar ao ver o jogo e a brincadeira de Johnston com a perspectiva em uma tela de cinema.

Não tem como assistir ao Homem-Formiga (2015) ou ao Homem-Formiga e a Vespa (2018) e não lembrar de Querida, Encolhi as Crianças (1989). Ele é um dos filmes que estão no setor de referências de Peyton Reed necessários para dar sequência em seu trabalho à frente do super-herói mais carismático do Universo Cinematográfico da Marvel. E não foi apenas ele, os outros dois filmes que compõe a trilogia como Querida, Estiquei o Bebê (1992), Querida, Encolhi a Gente! (1997), respectivamente, também estão na gôndola desse setor.

É muito bacana ter uma sensação boa ao rever um filme que marcou a sua infância e descobrir que ele não envelheceu tanto quanto você achou que envelheceria. Querida, Encolhi as Crianças (1989) ainda traz o gostinho de uma aventura tunada pela emoção e por prender a sua atenção no anseio de saber o desfecho da história. Tudo ainda melhora quando você se lembra das vezes que assistiu ao filme no Cinema Em Casa, programa exibido pelo canal do Silvio Santos. É de encher o peito de nostalgia.

O cinema precisa respirar novamente os bons ares de uma narrativa simples e emocionante, que não necessariamente precise de efeitos especiais mirabolantes para suprir nossos desejos de espectação. É por essa simplicidade e por entregar uma boa aventura, que faz de Querida, Encolhi as Crianças (1989) um dos melhores filmes de aventura que uma geração inteira conheceu nos inicio dos anos 1990.


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