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HQ do dia | The Multiversity #2

É o fim. Chegamos à nona e última parte da série multiversal escrita por Grant Morrison. Esta edição retorna à linha narrativa estabelecida na primeira parte do arco, encerra a saga e nos mostra o destino do último dos monitores do multiverso DC, Nix Uotan.

Apesar da grande quantidade de informação (muitos personagens em múltiplas versões, diversas Terras, um festival de referências à história da editora e toda a já característica metalinguagem que permeou a série como um todo) empacotada nesta edição de Multiversity se formos destilar a trama até seu âmago, teremos um roteiro bastante simples para a conclusão do evento. Aqui somos apresentados ao arriscado plano de Nix Uotan para salvar o Multiverso, a formação definitiva de uma equipe destinada exclusivamente a conter ameaças multiversais, vemos pistas da origem dos misteriosos seres (chamados “Gentry”) que ameaçam a existência do Universo DC e finalmente entendemos como as benditas “revistas amaldiçoadas” se interligam e contribuem para restabelecer a ordem na chamada “Casa dos Heróis”.

hq-do-dia-the-multiversity-2O roteiro de Morrison é bastante linear apesar da quantidade absurda de informação e dos diversos planos convergentes. A história é narrada através de voice boxes do protagonista principal que merecem (e na verdade necessitam) ser lidos com atenção para compreensão total do ideia do autor. Morrison utiliza a IA da Casa dos heróisHarbinger como uma acertada ferramenta narrativa e âncora dos acontecimentos principais. Então, se porventura você se perder na leitura durante a batalha, ela está ali para te puxar de volta à trama. No final tudo se resume aos heróis descobrirem como combater a ameaça iminente ao Multiverso e unir esforços para tentar sanar esta crise (Sim. Eu disse Crise e quem ler a revista aqui vai entender a referência sem precisar de spoiler). A maneira como esta conclusão busca referências às outras partes da saga varia em termos de sutileza. Temos algumas conexões claras aos eventos mostrados em Thunderworld Adventures e Multiversity Guidebook e outras não tão explícitas às outras partes da saga, mas que estão ali. De qualquer forma esta edição interliga tudo que você já vinha lendo (e provavelmente amando) em Multiversity embrulhado em uma aventura recheada de ação pelos confins da DC Comics com um escopo gigantesco – ou seja, tudo aquilo que se pode esperar de um evento deste porte. Cada aparição de personagem, cena de combate, mudança de ambiente e até algumas falas são presentes do autor aos fãs mais hardcore da DC Comics, seria um puta injustiça portanto destacar esta ou aquela cena e estragar a surpresa e a diversão de quem lê o material. O que se pode dizer é que a participação do Corredor Escarlate é fundamental para a conclusão do evento e toda a mecânica da intervenção do personagem aqui nesta edição é arquitetada de maneira brilhante pelo roteirista, inovando e simultaneamente homenageando as inúmeras participações do velocista nas sagas multiversais da editora.

E a arte? Na verdade qualquer resenha de The Multiversity deveria ser iniciada com um parágrafo exaltando o trabalho do Brasileiro Ivan Reis. Esta edição é uma verdadeira “pedreira” para o ilustrador (e toda a equipe de arte) e o sujeito tira de letra. Imagine um roteiro mega-multiversal totalmente abstrato com 49 páginas escrito por Grant Morrison. Agora imagine este mesmo roteiro fazendo referência a oito histórias prévias totalmente surtadas com mais de 40 personagens super-heroicos com os designs mais variados lutando e se matando. Imaginou? O grau de dificuldade para o artista é altíssimo e Reis não decepciona. Isto aqui é tudo que se espera de um puta final épico de saga super-heroica clássica. Um exército de fantasiados desenhados da maneira mais bonita que se pode esperar em cenas que desde já se tornaram clássicos da editora. Não acredita? Então veja as passagens mostrando o Capitão Cenoura, a Aquawoman em ação, a Família Marvel, os Gentry e a aparição espetacular do Super Demônio e diga se não são de tirar o fôlego. Reis pode se orgulhar de entregar a edição visualmente mais épica de toda a saga com esta conclusão. Isso tudo no meio de um plantel de artistas do mais alto nível. Uma verdadeira vitória em forma de arte em uma das edições mais complicadas de se trabalhar em toda a saga.

Leia mais: A lista completa das animações da DC Comics

The Multiversity #2 definitivamente não é uma HQ para detratores de Grant Morrison. Se você tem ressalvas quanto aos devaneios do roteirista fique longe disso (na verdade já deveria estar longe há algum tempo). Para os fãs de suas “morrisagens” isto é o presente definitivo. O autor consegue dosar sua loucura e metalinguagem até o limite da auto indulgência e entrega uma ótima história épica recheada com tudo aquilo que nos faz amar seu trabalho, mas sem a enrolação que por vezes lhe é característica. Esta edição fecha brilhantemente um evento inovador e clássico que celebra o que há de melhor no Multiverso DC e abre um novo leque de possibilidades para roteiristas que se aventurem a explorar o conceito.

Leia as resenhas individuais de cada uma das partes de “The Multiversity”:

– The Multiversity #1
– The Multiversity: Society of Super-Heroes
– The Multiveristy: The Just
– The Multiversity: Pax Americana
– The Multiversity: Thunderworld Adventures
– The Multiversity Guidebook
– The Multiversity: Mastermen
– The Multiversity: Ultra Comis

E aí, curtiu?

Escrito por Igor Tavares

Carioca do Penhão. HQ e Videogames desde 1988. Bateria desde 1996. Figuras de ação desde 1997. Impropérios aleatórios desde 1983.

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