Routine te joga dentro de uma base lunar abandonada, tão silenciosa que cada passo ecoa como se o lugar estivesse lembrando que você não devia estar ali. A narrativa é fragmentada, no qual a história se revela em gravações velhas, documentos largados e aquela sensação permanente de “tem algo me observando”.
Se tem algo que Routine acerta com força é a ambientação retrô-futurista. CRTs tremendo, painéis analógicos, luzes piscando que te deixam nervoso. O visual é um abraço desconfortável nos anos 80, como se Alien tivesse sido renderizado num VHS possuído. A Raw Fury sabe criar mundos que respiram, e esse aqui respira bem devagar, quase como se estivesse morrendo.
Nada de escopeta espacial ou rifles a laser. Sua “arma” principal é o C.A.T. (Cosmonaut Assistance Tool), uma ferramenta que hackeia sistemas, acessa terminais e resolve puzzles.
O design sonoro é o monstro invisível do jogo. Rangidos metálicos, passos que podem ser seus ou não, o zumbido constante de máquinas que não estão mais tão vivas, tudo trabalha junto pra te deixar paranoico. É o tipo de jogo que você joga de fone e depois jura que ouviu algo real no corredor.
Routine é um terror introspectivo, frio e calculado, quase clínico. Não é pra quem quer susto fácil, é pra quem gosta de andar devagar, olhar canto de tela e sentir desconforto real. Depois de tantos anos em órbita, ele entrega uma experiência autoral e bem construída, ainda que não revolucionária.



