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HQ do Dia | Chewbacca – Saga Completa

É uma época de renovação das esperanças para a aliança rebelde. Após a destruição da primeira Estrela da Morte, a revolução contra o Império Galático ganha força e organização e os pequenos conflitos pela galáxia começam a pipocar. Nesse contexto, um heroico piloto Wookie, embarca em uma missão muito pessoal, mas por uma falha mecânica em sua nave acaba fazendo uma aterrisagem forçada em um planeta chamado Andelm IV, fora dos limites conhecidos da Galáxia.
Essa é a premissa de Chewbacca, mini série em cinco partes do selo Star Wars da Marvel, que teve início em Outubro de 2015 e terminou no final do ano. Aqui vemos o trabalho do roteirista de “Deadpool”, Gerry Duggan e o artista da lindíssima “Viúva Negra”, Phil Noto, contando uma história solo do Wookie mais querido da cultura pop liderando uma pequena revolução em um planeta escravizado após os eventos do Episódio IV – Uma nova esperança.
HQ do Dia Chewbacca - Saga Completa
O roteiro de Duggan em Chewbacca é bastante simples e de fácil compreensão mesmo que você não esteja acompanhando o novo universo expandido de Star Wars da Marvel. Logo de cara somos apresentados à figuraça Zarro – uma menina escravizada por um gangster galático com planos de revolução. A menina, apesar de contracenar com um ícone, mutias vezes rouba a cena e poderia facilmente já fazer parte do elenco dos novos filmes da franquia. Duggan acerta em cheio no tom e voz desta personagem e cria uma dinâmica ainda não vista entre o Wookie e outro personagem humano na mitologia da franquia. Zarro e Chewie juntos são adoráveis e ecoam algo de “Frankenstein Jr.” e outros moldes de histórias entre personagens jovens e criaturas monstruosas e adoráveis. Poucos personagens na franquia Star Wars são tão simpáticos quanto Chewbacca e fica muito difícil não sorrir ao ver o Wookie em uma aventura ajudando uma brava e resoluta mocinha a salvar seu planeta.
Duggan pontua sutilmente esta Chewbacca com pequenas referências ao passado do protagonista bem posicionadas nos acontecimentos da história. As cenas estão longe de formar um backstory completo do Wookie, mas o leitor entende as motivações do personagem ao ajudar a jovem Zarro e simultaneamente o autor consegue expandir a personalidade de Chewie se valendo de muito pouca exposição.
Uma sacada interessante na forma de apresentação dos diálogos no gibi é que quase que a totalidade do elenco do gibi não compreende o dialeto Wookie. Desta maneira os personagens entendem o amontoado de rosnados e ganidos de Chewie da mesma forma que nós – através das atitudes e expressões corporais do personagem. Duggan faz essa inteligibilidade e deficiência de comunicação entre seus protagonistas funcionar a seu favor e os diálogos se tornam muito divertidos justamente por conta desses “problemas” intencionais.
Phil Noto é um mestre em sensibilidade visual e a escolha do artista especificamente para este trabalho em Chewbacca foi extremamente fortuita. A única forma de você entender Chewie e outros Wookies neste gibi é através de sua linguagem corporal. Isso seria uma cilada para qualquer desenhista com menos traquejo. Noto no entanto consegue transmitir raiva, compaixão, tristeza, alegria, dor e uma gama enorme de outros sentimentos como se fosse a coisa mais fácil da galáxia. Chewie está vivo aqui. O leitor sente isso na arte que tem um cuidado absurdo com interpretação. A caracterização do elenco, a fotografia e os cenários são lindíssimos, como na grande parte dos trabalhos de Noto, mas o que o artista realizou com interpretação de diálogos expressões deste elenco sobrepuja os outros quesitos de arte no gibi. Chewbacca tem visual limpo e etéreo com um “que” de conto de fadas espacial. A arte neste caso específico é essencial para a compreensão do roteiro e Phil Noto faz muito mais do que apresentar a história, o cara cria ambiência para um roteiro que não tem nada de especial à princípio.
Chewbacca é uma história muito muito simples sobre uma menina e seu amigo Wookie, ou talvez sobre um Wookie e sua nova amiga. Aqui vemos uma aventura nos moldes de conto de fadas espacial no qual testemunhamos o nascimento de uma grande amizade. Diálogos (em Wookie) certeiros, ritmo de leitura confortável e uma arte belíssima fazem desta mini série um improvável achado neste novo universo de Star Wars da Marvel. Um presente para os fãs da franquia e principalmente para a mitologia de um dos personagens mais queridos da nossa cultura pop.

WRRRRAAAAAAAAAAAAAAAAAAUUUUUWWWWWNNNNN!!!!!


Leia as resenhas anteriores dos títulos de Star Wars da Marvel:

E aí, curtiu?

Escrito por Igor Tavares

Carioca do Penhão. HQ e Videogames desde 1988. Bateria desde 1996. Figuras de ação desde 1997. Impropérios aleatórios desde 1983.

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