Loucura de Amor (2021) | Ótimo roteiro e reviravoltas que prendem o espectador
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Loucura de Amor (2021) | Ótimo roteiro e reviravoltas que prendem o espectador

O drama espanhol revela que as verdade absolutas sobre doenças mentais são em boa parte equivocadas

Em um primeiro olhar, você pode deduzir que este é mais um filme bobo de comédia romântica e que não vai acrescentar em nada na sua vida agitada e de tempo escasso. Afinal de contas, a Netflix já lançou diversos desses títulos que você provavelmente já assistiu, e ao final acabou dizendo que jogou algumas horas da sua vida no lixo.

Posso dizer que este não é o caso de “Loucura de Amor” (Loco por Ella), do espanhol Dani de La Orden (série “Elite” também da Netflix), que aposta em uma abordagem mais pé no chão sobre problemas psicológicos e doenças mentais. Assista à séries e filmes em HD com a internet da SKY.

Loucura de Amor (2021) | Ótimo roteiro e reviravoltas que prendem o espectador

Em uma noite, em um bar, Adri (Álvaro Cervantes) conhece Carla (Susana Abaitua) num desses clichês de comédia românticas, que são as apostas feitas entre amigos pra mostrar o quão fodão a pessoa é em conquistar a outra. Na tentativa de surpreender seus brothers com o flerte, Adri é interrompido no trajeto entre a sua mesa e o balcão do bar por Carla e a partir dai tudo muda.

Ela seduz o jovem rapaz e o consagrado vai ter com ela a melhor noite de sua vida. Os dois saem do bar, invadem um casamento, dormem juntos e se separam sem trocar telefones. Aquela coisa típica do fogo no rabo de um primeiro encontro que faz o cara se apaixonar mais rápido que fazer um miojo sabor tomate da Turma da Mônica.

Adri fica obcecado em encontrar aquela mulher, mas não sabe nem por onde começar. A moça não está nas redes sociais e tudo que restou em suas mãos foi uma jaqueta que ela esqueceu na noite passada.

Loucura de Amor (2021) | Ótimo roteiro e reviravoltas que prendem o espectador

Num desabafo com amigos sobre a vontade de encontrar aquela que poderia ser a mulher da sua vida, eles sugerem que Adri reviste a jaqueta e tente encontrar alguma pista nos bolsos. É neste momento que ele encontra uma via de compra de algum remédio controlado (não fica claro no filme) que tem o nome dela e um endereço.

Era tudo que o consagrado precisava para ir atrás de alguém que deixou bem claro pra ele que seria apenas uma noite de diversão. Mas sabe como homem é, né? O cara tem o não, mas decide ir atrás da humilhação. Ele encontra o endereço, percebe que é uma clínica de reabilitação para pessoas com problemas psicológicos e decide se internar e ficar no mesmo ambiente de Carla.

Bom, num primeiro momento é normal o espectador julgar a escolha de Adri e pensar que o cidadão tá forçando a barra. Rola até pensar que ele é um cara abusivo e várias outras coisas. Contudo, é nesse cenário que a narrativa vai se desenrolar de forma respeitosa, principalmente com fatores clínicos e psicológicos de alguém que sofre muito com o peso do mundo lá fora martelando em suas cabeças.

Por isso que eu disse lá no começo, que o título induz a gente a julgar o filme pelo cartaz e a passar batido por ele. Dani de La Orden soube muito bem conduzir o andar da carruagem para não deixar de transmitir a mensagem real e necessária sobre a depressão, ansiedade, bipolaridade e tantos outros distúrbios psicológicos.

Além de derrubar o discurso de que para se “curar” desses problemas basta querer, ter força de vontade etc. Aquela velha coisa do “Você tá triste? Fica triste não, fica bem!”, como se fosse a coisa mais fácil do mundo.

O personagem de Álvaro Cervantes vai viver todos os processos necessários para entender de perto que discursos e ações de livros de autoajuda só pioram quadros clínicos de quem está há anos tentando levar uma vida “normal”.

Você vai perceber também que no início do filme, ele tende a fazer o espectador imaginar que será uma produção de um tom muito errado, mas ele consegue se endireitar e mostrar que tudo não passava de uma estratégia para nos surpreender.

Loucura de Amor (2021) | Ótimo roteiro e reviravoltas que prendem o espectador

Há ainda a menção a uma frase que ficou famosa na boca de Arthur Fleck (Joaquim Phoenix) em “Coringa” (2019). “O difícil de ter uma doença mental, é que querem que se comporte como não tivesse nada”

“Loucura de Amor” consegue com eficácia se tornar um dos filmes que abordam a depressão de maneira certa. Sem exageros, sem clichês (os de comédia romântica ainda tem bastante), sem fórmulas mirabolantes para tentar criar algum discurso de superação. Este é um filme mais de aceitação e empatia do que qualquer outra coisa.

“Loucura de Amor” está disponível na Netflix.

E aí, curtiu?

Escrito por Bruno Fonseca

Jornalista, apaixonado por quadrinhos, filmes, séries e retrogames. Espero que você alcance o sétimo sentido em todos os âmbitos da vida.

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